domingo, 8 de novembro de 2009

Chega de Hipocrisia!

Participe da Passeata quem for do Rio e tiver chance, pois é por uma causa muito importante. As drogas destróem famílias e já está na hora das autoridades brasileiras abrirem os olhos de vez para o problema e ter os pés no chão, realmente agir. Não é possível que ainda tenha que haver tanto sofrimento para se fazer algo.

Qualquer movimento contra as drogas e a favor de regras de prevenção e saúde, não é algo pessoal, é legítimo porque envolve toda a sociedade que quer se livrar do fantasma da devastação que as drogas podem causar.

Este movimento conta com apoios diversos e divulgações que incluem:
Movimento Poetas del Mundo, Blog do Poeta Affonso Romano de Sant’anna, Amiga FM 105,9, CadaMinuto.com.br, Blog do Coronel de Polícia Paulo Ricardo Paúl, Revista Zap, Grupo Gaia Brasil, Comissão de Direitos Humanos da OAB, Portal Chris Herrmann, Blog "O Ícaro e a Borboleta", Comunidade "Café Filosófico das Quatro", Jornal do CF4, O Rebate (Coluna da Soninha Porto), Grupo Pró-Prôa, Pró-Vida: Não às Drogas Lícitas e Ilícitas (criado no Ning por Soninha Porto), etc..


Chris Herrmann





Domingo

Dia 8 de novembro
Caminhada em direção ao Leme
Concentração a partir das 14 horas
No Posto 6, em Copacabana
Em frente ao posto de salva-vidas

- Pela internação compulsória dos usuários de drogas pesadas, legais ou ilegais, que já perderam todos os limites. Criação de unidades terapêuticas humanas e modernas para recebê-los, com acompanhamento especializado que realmente os reabilite. E seguindo critérios de análise, caso a caso, para que não haja abuso deste poder;


- Pelo fim de toda propaganda de bebidas alcoólicas, em qualquer meio. Colocação de advertências educativas nos rótulos dessas bebidas, sobre os prejuízos que podem causar à saúde, como se faz nos maços de cigarros. Abertura de discussão sobre o aumento da idade permitida para o consumo destas bebidas para 21 anos, como já acontece em outros países, e com fiscalização eficiente.


- Pela alteração das normas que regulam os planos de saúde, para que os doentes mentais e viciados em drogas pesadas possam se tratar, sem limite de tempo.


- Por um amplo debate nacional sobre a política de drogas em nosso país, sem hipocrisia e com os pés no chão, para que se equacione esta questão e vítimas diárias deixem de ser produzidas, enlutando famílias por todo Brasil.


Ou a sociedade avança e discute seriamente seus problemas ou não seremos uma sociedade, mas sim milhões de individualidades, uma nação egoísta.
Chega de Hipocrisia!
Este é Nosso Grito!


peço que Divulguem por favor!


Obrigado!
Luiz Fernando Prôa

sábado, 7 de novembro de 2009

PAPOS NA E DURANTE A FEIRA




BATE-PAPO BOM
Soninha Porto



Tem coisa melhor no mundo que uma cervejinha gelada e um bate-papo com amigos? 

Pois nesta sexta-feira, dia 6 de novembro, depois de muito tempo envolvida com a elaboração de livros, eventos, viagens e o escambal, tive o prazer de sentar num Restaurante, o do MARGS, em plena Feira do Livro de Porto Alegre e curtir a agradável companhia de meus amigos poetas, Claudete Silveira, de Cachoeira do Sul, a  erótica (risos, acha que pego no pé dela, mas é brincadeira, numa referência a seus belos poemas sensuais) e Pinheiro Neto, de Florianópolis, num papo super legal sobre tudo:  vida, prazeres, inclusive da boa mesa (ele se revelou um gran gourmet, já teve até Bistrô), amores, projetos, livros, eventos  e Poesia.

Vieram de longe, para participar de nosso lançamento da Antologia Poemas à Flor da Pele, volume 2, no Memorial do Rio Grande do Sul, que aconteceu um dia antes, 5 de novembro às 18h, com grande número de poetas presentes.

Fico toda prosa, não é vaidade não! As pessoas acreditam no que se acredita, isso dá a sensação de não se estar só na luta.

Ela veio da cidade a 180 km de Porto Alegre, região Central do Estado, no Vale do Jacuí, professora de português, poeta e escritora, é uma presença alegre e bonita nos eventos da Poemas, desde 2008.

Ele, Pinheiro Neto, conheci no virtual, indicado por Walnélia Pederneiras, escritora, poeta e amiga de Florianópolis, do grupo da Poemas, para convidá-lo a participar de nossa 2ª antologia.
Ao ler os seus "Poema(n)do" e sua biografia, pulei de alegria, um grande poeta e escritor chegava em nossas paragens.

(Por ato falho meu,  o nome dele quase sai errado no livro: Pinheiro Machado, demos boas risadas sobre isso, após receber dele um e-mail apreensivo,  em vermelho e letras garrafais, percebi o tamanho do mico).

Pinheiro Neto tem vários livros publicados, é presidente da Associação Catarinense de Escritores, Professor universitário, membro da Academia Catarinense de Letras, diretor da Cepec editora e coordenador do projeto comunitário Confraria da Leitura na Barra da Lagoa, em Florianópolis - recanto de suas criações, onde mora.

Ele havia manifestado interesse em ir a Bento Gonçalves, no Congresso Brasileiro de Poesia, mas não pôde, desta vez pensei que também não. No entanto, lá estava ele, entre nós, com seu sorriso largo, seu cabelo grisalho, desenhado por um rabo-de-cavalo, num estilo todo seu, e um dia após o lançamento, tomando uma cerva gelada, a compartilhar idéias e selando uma amizade  das boas, provocada pela Poesia, para sempre.

(Eu adoro essas coisas de para sempre, tem um lado meu, bastante sonhador, que quando escreve, puxa esses termos, talvez por acreditar que as coisas boas duram pra sempre mesmo).

BATE-BOCA BOM

Este título casou perfeitamente com os momentos que vivenciei  neste final de semana. Recebi a divulgação por e-mail, do Instituto Cultural Norte-Americano, de Porto Alegre, sobre o  Bate Boca Bom, que rolou, hoje,  dia 7 de novembro, na sede desse Instituto, no centro histórico de Porto Alegre. Não pude resistir à alegria de ir abraçar um amigo da Poesia, um dos grandes nomes da atualidade: Frederico Barbosa, Diretor da Casa das Rosas - Espaço Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura e Diretor Executivo da Poiesis - Organização Social de Cultura. 

Ele abre as portas da Casa para todas as manifestações culturais: Em 1º de julho deste ano, realizei com Dora Dimolitsas, o aniversário de três anos de nossa Associação cultural: a Poemas à Flor da Pele, na avenida Paulista, na Casa das Rosas, só possível pela geneosidade dessa figura.

O Bate Boca foi agradável, com intervenções dos poetas Armindo Trevisan e Maria do Carmo Campos falando sobre poesia e Léa Masina, doutora em Literatura, coordenando o bate-papo.

Fred, como é chamado pelos amigos, é extremamente simples, mas ao falar percebe-se o homem refinado e culto, qualidades que traz de berço, ele é filho de grandes personalidades, a  educadora Ana Mae Barbosa e João Alexandre Barbosa que foi crítico literário, diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), presidente da EDUSP e pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária, de São Paulo.

É um prazer rever e ouvir esse Poeta e Escritor Pernambucano, que também se considera um  paulistano, com uma prosa alegre, mas de grande profundidade sobre Poesia e os movimentos da atualidade. 

Ele falou sobre seus livros e me presenteou com Cantar de amor entre os escombros (Landy, 2002). É autor também de Rarefato (Ed. Iluminuras, 1990), Nada feito nada (ed. Perspectiva, 1993 Prêmio Jabuti), 5 Séculos de Poesia - Antologia da Poesia Clássica Brasileira (Landy Editora, 2000), Contracorrente (Iluminuras, 2000), Louco no Oco sem Beiras - Anatomia da Depressão (Atliê Ed, 2001) e Na Virada do Século - Poesia de Invenção no Brasil (Landy Ed, 2002). Apresentou-nos o Signicidade, projeto de Dulcinéia Catadora, numa coletãnea de escritortes, artistas, catadores e filhos de catadores, que utiliza capas de papelão pintadas à mão.
 
PRAZER ENORME POETAS!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A visita do Pastinha


Luiz de Aquino


Os anos correm, céleres. Renovam a natureza, transformam a paisagem, marcam-nos a pele e os pelos, adormecem lembranças. Mas são os anos passantes que depuram-nos os sentidos e os sentimentos, permitindo-nos a maturidade seletiva a que os contemporâneos mais moços chamam de terceira-idade e eu teimo em repetir velhice.

Gosto de ser velho. Os mais velhos que eu censuram-me, dizem que me antecipo ao tempo. Mas já transpus o “cabo das tormentas” dos sessent’anos, ou seja, o IBGE qualifica-me velho, ainda que eu continue a sonhar como se vivesse uma eterna adolescência.

Um amigo da geração anterior, Isócrates de Oliveira, filósofo e diplomata, nativo de Pirenópolis, dizia, a mim e tantos outros, que “não é necessário envelhecer”. Gostei disso. E acrescento que, de fato, não é necessário envelhecer, ainda que os dias se acumulem em anos que se somam e nos roubam a melanina dos cabelos.

Entendo bem o saudoso Isócrates. De fato, é desnecessário envelhecer-se, porque os sonhos não envelhecem. E viver é sonhar, sempre. Quando moços, sonhamos com o futuro; na casa dos “genários”, sonhamos até mesmo com o que já vivemos. Foi assim que, retornando ao lar quando a tarde ia quase a meio, deparei-me com uma notícia e dois documentos: Mauro Jaime, meu velho amigo Pastinha, esteve aqui. Mary Anne tentou me chamar, mas o celular cumpriu o que se espera dele, ou seja, falhou.

Embeveci-me com os caprichos do irmão das noites. Mauro Jaime, que, feito eu, tem os pés na vetusta Meia-Ponte do Rosário (nossa amada Pirenópolis), sabe tanto quanto eu que boêmios não se fazem nem se tornam: nascem. E ambos nascemos boêmios (amantes da noite que jamais faltam ao trabalho quotidiano, ainda que a jornada de ofício comece nas primeiras horas matutinas). Boêmios são pessoas responsáveis e zelosas, apenas gostam da noite.

Mauro Pastinha deixou-me um mimo valiosíssimo: um cartaz de 1987, dando conta de que Anete Teixeira, que me foi companheira e amada naqueles anos em que nos fazíamos realmente adultos, homenageava Elis Regina no quinto ano do passamento da melhor cantora brasileira de todos os tempos. À minha mulher, ele disse, bem ao seu modo faceiro, que receava causar um constrangimento conjugal, trazendo-me lembrança da ex-companheira. Mary Anne disse-lhe que o passado é vida que não se apaga.

Mauro trouxe-me, ainda, outro presente: um DVD com que me agrada um novo amigo, ainda não visto por mim, mas com quem já permutei notícias e informações, o radialista e jornalista José Cunha. O disco, que vou ver já-já, contém um especial de ninguém menos que Toquinho, instrumentista e compositor da fina flor do nosso cancioneiro.

Eu, que vinha de palestras a estudantes da rede municipal de ensino, feliz por intercambiar com as crianças, sou, nesta quinta-feira (5 de novembro) em que escrevo para o domingo, privilegiado com tantos agrados. Lamentei não ter me encontrado com Mauro, mas já me comprometo com ele: vamos renovar o bate-papo, regando-o com goles gelados de boa cerveja.

Como antes. Como sempre. Como gostamos de conversar.



Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail.com) é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras, e escreve aos domingos neste espaço.

MOEDA CORRENTE: PERSPECTIVA

        A entrada de um novo ano sempre traz muitas esperanças para os brasileiros. Não é à toa que se diz que o brasileiro tem como profissão a esperança. Do mês de janeiro até meado do ano, o brasileiro vai vivendo, não apenas com o que o presente lhe dá, mas com o que o futuro poderá lhe trazer.


        Entretanto, como o hoje é sempre presente e o amanhã nunca deixará de ser o futuro, o brasileiro vai suportando a vida com o que o salário lhe permite comprar, mas não perde a esperança. Afinal, o ritual de passagem de ano alimenta sempre a sua alma, com esse, que é o seu alimento principal: a esperança.


        O salário não importa! Hoje ele corresponde a mais de cem dólares e no futuro pode valer 200. O que importa realmente é a nossa moeda corrente: perspectiva. A perspectiva de dias melhores, que certamente virão no futuro. Os noticiários da televisão trazem notícias ruins todos os dias, mas para o profissional da esperança os noticiários não têm nenhum valor, pois somente trazem notícias do passado e como diz o cancioneiro, amanhã, vai ser outro dia.


        O brasileiro sonha um dia poder entrar no supermercado, encher o carrinho de compras e chegar ao caixa, enfiar a mão num saco cheio de perspectivas e pagar. Qual foi o valor das compras? 20 perspectivas! ...E isso ele tem de sobra. Seria o dia mais feliz de sua vida, uma vez que a fartura da mesa traria um semblante diferente no rosto da mulher e dos filhos, já fartos de tanta miséria.


        Mas quando passa o meio do ano, começa uma nova fase da vida. Aquele ano que está para terminar não lhe oferece mais o combustível, matéria-prima da moeda corrente em seu mundo de miséria: a esperança. Então, ele começa a se virar como pode e passa a cunhar a sua moeda com a esperança de um novo ano que se aproxima.


        Assim, o brasileiro já começa o ano devendo. Devendo esperança para si mesmo. Mas vem a passagem de ano e todas as dívidas de esperanças são pagas, pois uma nova carga chega com todos os abraços e desejos dos parentes e amigos e novas moedas de perspectivas são cunhadas para serem usadas no ano novo que está começando.


        Triste será o dia que o brasileiro acordar e procurar no armário algum alimento para os filhos e não encontrar. Olhar para a mulher e ver que uma lágrima lhe escorre do rosto e feito uma tromba d’água vem arrastando todos os fios de esperança que ainda restavam naquele semblante e ao enfiar a mão no bolso não encontrar a sua moeda real, mas apenas a certeza de que lhe restam, praticamente, 25 dias para que um novo salário lhe seja pago.


        Esta é a triste realidade. Taí!... a realidade deveria ser o Real desse mundo de fantasias no qual o brasileiro vive cunhando as suas perspectivas com a esperança do dia-a-dia. A realidade corrói o valor da perspectiva e deixa a esperança mais escassa e por consequência, deixa também o brasileiro mais pobre a cada dia que passa. Mas o que passa é passado e o passado, nesse caso, não importa. O que importa é o futuro, e é lá que existe a esperança, o nosso precioso metal, com o qual cunhamos as nossas perspectivas que nos permitem viver a realidade do hoje.


Então, só nos resta desejar muitas esperanças para o ano novo que já se aproxima.


Ivanaldo Xavier  -  e-mail: jidx@hotmail.com



sábado, 31 de outubro de 2009

O mico na crítica


Luiz de Aquino


Esta semana, passeei meu espírito por um Brasil especial, o Brasil das artes. O Brasil das bandas do interior e das escolas fundamentais e médias, com os tradicionais uniformes e a formação militar (as bandas, por algumas décadas, restringiram-se ao ambiente dos quartéis militares).

Em 1967, um moço mal entrado em sua faixa dos vinte anos, cantou num festival: “Estava à toa na vida, o meu amor me chamou / pra ver a banda passar, cantando coisas de amor”. Esses versos, acasalados com a melodia num arranjo de metais e percussão, reconduziu a nação brasileira às bandas que, atualmente, tentam (e conseguem, felizmente) ressuscitar pelo Brasil afora. Mas “A Banda”, quando apareceu, sofreu um comentário infeliz de um dos críticos que, na época, constituíam o júri do programa de Flávio Cavalcante. Mister Eco (era o pseudônimo do crítico musical) condenou a música, arrematando com a frase: “Banda não canta. Banda toca!”.

Como se vê, o crítico não aceitava a metáfora. Mas, apesar dele e de sua frase, o Brasil inteiro virou banda e cantou coisas de amor. Éramos uma imensa banda de quase noventa milhões de músicos naqueles anos finais da década em que tudo mudou. Mas existem críticos e Críticos. E separá-los é uma função “crítica” que, nós, os mortais menores, temos de fazer, tornando-nos “críticos de críticos”.

Vejam o que contou o jornalista, professor de Literatura e cronista exemplar Sinésio Dioliveira:

“Outro dia li em um site as críticas de alguém sobre o filme “O curioso caso de Benjamin Button”, dirigido por David Fincher e que tem o ator Brad Pitt vivendo o papel de Benjamim. Tal filme é baseado num conto escrito em 1922 por F. Scott Fitzgerald. A mutamba do crítico comeu feio na parte do nascimento do protagonista da história: Benjamin, que nasceu velho, já com 80 anos de idade. Para esse alguém, “o nascimento fugiu da verossimilhança” 
(da crônica “Filme e livro possuem belezas distintas”, no DM, quinta-feira, 29 de outubro de 2009).

Curiosamente, tanto Mister Eco (em 1967) quanto esse “alguém” que Sinésio citou são pessoas que vivem disso, de criticar. É sua profissão, ou, ao menos, seu ofício diletante (e geralmente somos menos imperfeitos nos nossos ofícios diletantes do que no desempenho das nossas profissões). Alguns desses críticos são professores em salas de aula, ensinando errado.

Todos somos alvos fáceis da crítica. Basta-nos atuar na expor ideias e opiniões para, de imediato, sermos avaliados. Eu, que sou leitor há sessenta anos, (aprendi a ler aos quatro anos e nunca mais parei), seleciono, dentre o que leio, o que me agrada, o que me ensina e o me dá prazer.

Nunca procurei Cervantes, Camões, Castro Alves, Machado, Lins do Rego, Jorge Amado, Moacir Sclyar, Bernardo Élis, Lya Luft, Adélia Prato, Gilberto Mendonça Teles, Afonso Félix, Brasigóis Felício, Maria Helena Chein, Heleno Godoy, Décio Filho ou seja lá quem for dentre os meus preferidos para dizer-lhes o que escrever. Apenas os leio.

Mas há quem me procure para “me orientar”.

Gente, isso ofende. Dói, até! Em lugar de dizer-me o que escrever, essas pessoas deviam, sim, escrever sobre o que gostam. Estranhamente, são as pessoas que querem ler sobre as flores, o amor de olhares, a doçura da resignação religiosa. Rejeitam em mim o cidadão comum, o homem que cobra dos poderes e das instituições o procedimento que atenda àquilo de que a sociedade carece.

Fico mais para Geraldo Vandré. Eu falo das flores, mas mostro o canhão.


Luiz de Aquino é jornalista e escritor (poetaluizdeaquino@gmail.com), membro da Academia Goiana de Letras.


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Luiz Fernando Prôa: Pai!

Eu com o poeta Luiz Fernando Prôa,

em evento no Bar-Teliê, Ipanema.


Luiz de Aquino


O homem falando ao Fantástico chamou-me a atenção pela densidade do discurso. Era um pai em desespero, e meus olhos não acolheram a figura, somente meus ouvidos captavam a dor do homem. O dia seguinte, a segunda-feira, anteontem, 26 de outubro, marcou-se pelos comentários. Em todos os lugares, comentava-se do pai que chamou a policia.

Luiz Fernando Prôa é o pai do Bruno. Bruno, 26 anos, é músico. Há anos, depois de tomar gosto pelo álcool, experimentou outras drogas, entre elas as drogas “pesadas”. Consta que, no último sábado, ele matou, por asfixia, Bárbara Shamon Calazans, de 18 anos, sua amiga (ou namorada).

O fato mexeu profundamente comigo. Agradeço a Deus, todos os dias, por ter conseguido criar a Elia Maria, o Léo e o Fernando distantes das drogas e apegados a princípios morais embasados no respeito ao próximo. E todos os dias peço a Deus que mantenha o Lucas na mesma linha de conduta. Amém! Essas frases, ouço-as todos os dias de muitos amigos. E ouço também outros muitos amigos a pedir forças a Deus para que consigam trazer de volta alguma ovelha desgarrada.

Em todos os tempos, sabemos, houve o choque das gerações. Nós, os nascidos nas décadas de 1940 e 1950, pagamos caro por termos reagido com mais vigor. Realizamos a tal “revolução sexual”, com o inestimável apoio científico-tecnológico dos laboratórios farmacêuticos que nos deram a pílula anticoncepcional. Criamos novos ritmos, novas danças, novos costumes e acreditamos nos princípios revolucionários de Educação de Summerhill, rompemos, ao educar nossos filhos, com os limites tradicionais (e nada tínhamos para pôr no lugar). Agora, nossos filhos sentem que é preciso impor limites...

Bem, não é propósito desta tarde, momento de produzir a crônica de quarta-feira, chorar sobre o passado e as falhas. Todos falhamos: pais, amigos, educadores, executivos, operários, artistas, autores de textos e de músicas, médicos, policiais, membros da Justiça e do Ministério Público... Mas falharam mais ainda os governos, em todos os níveis e em todos os mandatos. O imediatismo das campanhas nos anos pares, a busca feérica pelo voto (e, mais ainda, pelas verbas sem saber de onde vêm) vendaram olhos e taparam ouvidos. Mas isso não é Brasil, gente! É mundo. Ou melhor, é Mundo! Esta geração de reis, de primeiros-ministros, de presidentes, de ditadores e até mesmo de religiosos com poder político é a grande culpada. Culpada por omissão.

E, assim, volto a tentar falar no motivo. Não quero buscar, na vida do Luiz Prôa, o momento do erro. O instante da omissão. O instante a mais de sono que possibilitou a fuga de Bruno. Prefiro recordar a emoção do Luiz ante a notícia da gravidez de seu primogênito, o momento em que se soube o sexo do bebê, as lágrimas do pai ante o choro do recém-nascido. Quanta emoção, meu poet’amigo! Quantos planos, quantos versos, quantos projetos de vida! Sei que muitos foram alcançados (afinal, Bruno é artista), mas num dado momento a luz piscou, fez-se um escuro ágil, quase imperceptível, e a escuridão marcou seu ponto. A gente, então, esquece os sonhos e planos. Arregaça as mangas e vai a luta, tenta trazer de volta o que se nos foge, como um pescador insistente a esticar e recolher a linha. Mas filho, meu Luiz Poeta-irmão, não é peixe... Nem sempre a nossa habilidade é vitoriosa. E, num momento de blecaute outra vez, acontece a tragédia.

Há alguns anos, troco informações e versos com Luiz Fernando Prôa. E um dia, há uns dois anos, tivemos um primeiro encontro, um sarau no Bar do Adão, em Botafogo, Rio de Janeiro. Alguém disse meu nome em voz alta, Prôa ouviu e reconheceu-me ali, ao lado. Anunciou-me para um poema e o poeta Cairo Trindade anunciou-me como “um poeta da Academia Goiana de Letras” (Cairo estava surpreso: não viu em mim o protótipo do poeta-acadêmico, sisudo e parnasiano).

Foi só o começo. Luiz Prôa conduziu-me a vários saraus poéticos pelo Rio afora: Santa Tereza, Teatro Gláucio Gil, o Bar-Teliê em Ipanema e ainda aquelas rodas de poesia em torno da estátua de Carlos Drummond de Andrade. Prôa é, de fato, um poeta e um ativista cultural incansável, sempre com a câmera em punho, fotografando e filmando, declamando e arregimentando o “poetariado” brasileiro para os saraus cariocas.

A dor, meu amigo, não é só sua. É nossa. É dos pais e mães que sofrem. É a dor dos pais e mães que perdem filhos por balas perdidas, por ação de ladrões, por efeito das drogas ou pelos acidentes de trânsito. É a dor dos que, como você, perdeu um filho para mais um subproduto da coca. A dor, meu querido Luiz Fernando, é nossa. É dor de poetas que se irmanam com você.

O triste é sabermos que a nossa dor não reduz a sua.


Luiz de Aquino (http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com) é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras.

domingo, 25 de outubro de 2009

Negociações


* além mar virgínia

Chronos, como pedir-te que amplies e dê-me, algumas horas a mais, Para que as quero ? Ora que pergunta implicante, creio não sou a única reclamante ... Ah! Diz-me que gasto-te levianamente . Estás certo, mas ouça meu argumento ; Sirvo a algumas atividades, entre estas à Poesia, o trabalho que me dá sustento, também sou filho, irmão, pai , jardineiro, amigo... Sabes, como não somos deuses, e vivemos entre humanos e para tanto tem-se que retribuir atenções, pescar outras, abrir o peito e, aí a coisa pega, ao abri-lo perdemos noção e tuas filhas horas, netos minutos, bisnetos segundos, nem todos eles dão conta do tanto que a mente e coração correm e, vão longe pois transforma-se em asas, nadadeiras, hélices e por aí afora, levando-nos à reminiscências e universos íntimos de proporções inimagináveis. Ah! Imaginas, então compreendes que para viver intensamente o sentido e decifrar o enigma de estar vivo, necessitamos de algum empréstimo. Estou com algum crédito, ou continuo em débito ? Devo recorrer a algum súdito ou representante ? Outro problema que exige algum adicional, porque apresentar-me diante a algum outro requer maquiagem, palavra concisa, correta, o que neste momento me falta...E por falar em momento esta conversa já engoliu alguns. Negociar, negociar...Estou bem cansada de fazê-lo e, com isso ocupo-me ante aos homens e exige, creia-me, bem mais delicadeza do ante a ti ...Empunharei alguma retórica que já esqueci onde guardei, em outra ocasião. Acontece frequentemente de esquecer onde coloco letra, papéis pouco utilizados. Desleixo, não meu senhor, cuidado ! Sim um equívoco, mas justifico; Sem viajar, no cofre não coloco, escondo entre livros, sob o tapete, numa gaveta e, como são tantos os esconderijos, como saber o que ia na mente num momento de estupidez e medo de que alguém revistasse os cômodos em busca das tais preciosidades...Desisto , o telefone já tocou quatro vezes, não atendi por estar contigo, o sol saiu, a campanhinha tocou, uma mensagem nova de E mail requer urgência e, ademais a música acabou...Não foi desta vez que surtiu bom resultado esta tentativa insólita de sensibilizar-te. Em futuro próximo encontro, prometo, virei mais bem preparada e, quem sabe com uma Poesia seduza-te, e me dês sem hesitar, um par de horas para ter com àqueles que me solicitam; deixei-os na sala de espera a algumas semanas , ou seriam meses...Decididamente, já era de meu conhecimento, que quando setembro chega, o ano engata a quinta marcha, os sinais de atenção desrespeita, ganha pista e decola feito supersônico ou algum jato ainda mais veloz ...

Nota- lembrando que a palavra crônica origina-se de Chronos
imagem Chronos -fonte internet - desconheço autoria da obra