sábado, 28 de novembro de 2009

Oió, a livraria

Oió, a livraria




Beatles, blues e ieieiê. Para quem gostava de vogais, tinha também AI-1, AI-2 a sequência, sendo o “cinco” o mais famoso deles. A tal de “revolução”, que se anunciou no dia primeiro de abril de 1964, gostou do poder e resolveu ficar, “elegendo” o segundo presidente pela via indireta e deixando indícios de que ficaria por muito tempo, ainda.

Costa e Silva, o marechal que chamei aí em cima de “segundo”, idealizou o tal de AI-5 e reinou até ser deposto (por uma doença ou pelo triunvirato que fez a ponte para Médici). Ao mostrar sua maior obra ao ministério, colheu do coronel Passarinho essa pérola: “Às favas com os escrúpulos”. E, assim, passaram eles à História.

Ainda não tínhamos, no Brasil, um sistema eficiente de comunicação à distância, felizmente. Se o tivéssemos, talvez a coisa ficasse bem pior. Mas o sistema tinha seus títeres e lambe-botas. Estes, como o bem e o mal, estavam em toda parte. Os de Goiânia já haviam dedurado muita gente. Daí, a prática do beija-mão ante os coturnos sem alguém a quem entregar na bandeja que já contivera a cabeça de Salomé.

Numa reunião (sim, meus jovens, não são só os petistas que gostam de reunião... os caça-bruxas também gostavam), alguém citou, “en passant”, o Bazar Oió. Alguém mais no grupo, certamente mais à direita que o próprio embaixador norte-americano que financiou o golpe de 1964, resolveu indignar-se: o Bazar Oió, a charmosa livraria de Olavo Tormin, parecia-lhe um reduto de esquerdistas, terroristas e comunistas, um acinte ao regime e à gloriosa Revolução redentora.

Claro que essa tal reunião é imaginária. Mas tudo indica que tenha havido, sim. Afinal, numa outra, ainda em 1964, e pelo mesmo grupo (é bom frisar que o grupo era constituído de civis simpatizantes à ditadura), decidiu-se por eliminar a tiro um dos companheiros. E o escolhido para morrer (obviamente ausente à reunião) era um jornalista adversário do governador Mauro Borges. Assim, acusariam o inquilino do Palácio das Esmeraldas de assassinato e a “revolução” o apearia do poder. Por coincidência, na noite em que o jornalista seria morto, Castelo Branco, o marechal presidente, assinou a destituição de Mauro.

Pois bem: como não foi necessário matar um dos seus, o grupo, feliz com as medidas do arbítrio, resolveu partir contra o Bazar Oió. Fuxicaram uma história de corrupção, de apropriação do dinheiro público, e acusaram-no, envolvendo outras pessoas igualmente de bem. E o Bazar Oió, que ponteou a vida goianiense desde 1953, acabou fechado definitivamente em 1974. Os bens de Olavo e de sua família foram sumariamente tomados e incorporados ao patrimônio da Caixa Econômica Federal. A família preservou a unidade, apesar da desgraça a que foi condenada para o prazer mesquinho de uns poucos que (estes, sim) locupletaram-se ao longo das duas décadas de ditadura.

Esta é a minha visão de um fato, de uma instituição cultural e de uma família. É incompleta, portanto não equivale à verdade exata, mas esta, a meu ver, é algo utópico, inatingível. E uma boa parte dessa história é contada no livro “Bazar Oió – a ditadura contra a livraria”, da lavra de Lúcia Tormin Mollo, neta de Olavo e de Dona Francisca Hermano Tormin.

Na mesma noite, lancei, em Goiânia, o meu "Meia-Ponte do Rosário, Pirenópolis, ao lado da jovem e talentosa Lúcia Tormin Mollo (Foto: Sinésio Dioliveira).


O livro, lançado na Academia Goiana de Letras na sexta-feira, 27/11, tem o poder de nos conduzir aos bons (primeiramente) e, depois, aos tristes anos das décadas de 1950 e 60. Depois, veio a fatídica idade-média de Médici. E as alegres vogais de antes deram lugar ao canto duro e linear da tal de ordem-unida, seguida do som horripilante dos cascos juntados em obediência ao terror de Estado.


Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail.com)

Nota do autor: Mantive, neste texto, os hífens na conformidade da antiga regra, pois tenho dúvidas sobre os ditames do acordo unilateral ortográfico. L.deA.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

SOBRE POEMAS E LEMBRANÇAS (pinheiro neto/nov/09)


 Soninha Porto e Pinheiro Neto na Feira do Livro em Porto Alegre 
Nov/2009




doEU demais deixar Porto Alegre no dia 06 de novembro passado. Embora trouxesse comigo os rostos, as lembranças, as conversas, os planos, as risadas e os muitos chopes, além das duas caixas da coletânea “Poemas à Flor da Pele”, a sensação de “quero mais” permanecia.


Foram dois dias intensos de convívio literário e artístico. Novos amigos, novos projetos, novas promessas. Amigos de outras Feiras e de outras épocas e o revisitar de novas perspectivas e parcerias.


Rever, conversar e novamente fazer planos com o meu amigo e emérito professor Francisco Camargo Neto. Conhecer pessoalmente Soninha Porto, coordenadora do movimento da “Poemas”, batalhadora cultural e autora do livro de poemas doEU; Raphael Pacheco, promessa de boa poesia; Claudete Silveira, com toda sua sensualidade poética, dentre outros e outras, além da performance maravilhosa de Maria Flor da Pele, personagem criada pelo ator Marcos Bahrone, com declamações de textos de vários poetas brasileiros.


Já havia participado da Feira do Livro de Porto Alegre em várias edições anteriores. Três dos meus sete livros, além de algumas coletâneas, tive o prazer de lançá-los através dela. Escritores gaúchos de renome tive o prazer de conhecer através dela: Moacir Scliar, Lia Luft, Antonio Hohlfeldt. O grande poeta gaúcho Mário Quintana tive o prazer conhecê-lo após passar boa parte de uma tarde conversando com ele num banco da praça da Alfândega na Feira do livro de 1988 ou 89, não lembro bem.


Esta 55ª edição da Feira, entretanto, teve outro sabor: um sabor anunciado pelo perfume que misturou poemas, flor, pele, amizade, confraternização, identificação e chope: o sabor de Poemas à Flor da Pele.

Crônica postada no site da Poemas à Flor da Pele pelo autor
http://poemasaflordapele.ning.com/group/minhascrnicas

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

UMA SOLUÇÃO PARA UM MUNDO MELHOR

Ivanaldo Xavier


Toda virada de ano é a mesma coisa: o que fazer para termos a garantia de um ano melhor? Pra começo de conversa, cheguei a pensar em fazer algumas simpatias populares. Pensei que seria interessante comer tantas uvas quantas fossem necessárias e guardar as sementes comigo durante todos os 365 dias deste novo ano, mesmo que para isso fosse necessário andar com um saco cheio nas costas, feito um papai Noel.


Seria meio ridículo, para não dizer ridículo e meio, eu, que sempre andei com sacos na frente, colocar um saco nas costas e ainda por cima, cheio. Desisti. Não seria melhor, então, pular ondas do mar? Seriam sete ondas, mas estaria disposto a pular tantas quantas fossem necessárias para que o mundo tivesse paz, as pessoas tivessem saúde e o país prosperidade, minha cidade conseguisse maior desenvolvimento preservando o meio ambiente, a sua memória e a segurança de uma cidade interiorana.


Pular ondas talvez, também, não funcionasse, pois atrás das sete ondas puladas viriam outras tantas e quem poderia afirmar que pulei as ondas certas. Naturalmente, pular ondas tem o significado místico de pular o azar, pular o mal, pular as coisas ruins que pudessem vir a acontecer em 2010. Mas quem poderia afirmar que eu não estaria pulando exatamente as boas ondas?


Acredita-se que a crendice popular pode mudar o nosso futuro com estes atos, bem simplórios, é claro! Talvez uma coisa mais exótica funcionasse melhor, como por exemplo: as sementes da romã. Chupar gomos de romã e guardar sete sementes poderia me trazer sorte e fazer melhor o ano de que está vindo. Sei não... talvez fosse melhor plantá-las por ser uma planta reconhecidamente medicinal.


Deve existir algo mais eficaz! O ser humano, com toda a sua sabedoria, deve ter encontrado algo mais inteligente do que estas simples simpatias que ridicularizam o próprio homem, fazendo-o crer em coisas banais. Uma semente qualquer pode mudar alguma coisa se for plantada, pois ela gera uma árvore que dá frutos e mata a fome.


Deve existir algo que realmente mude o mundo para melhor. Algo que tenha a força de um furacão, sem ser destrutivo. Algo que jogue fogo como um vulcão, mas sem queimar. Algo que seja maior que os oceanos, mas sem ocupar o espaço que eles ocupam. Deve existir esse algo especial e deve estar escondido dentro do próprio ser humano.


Algo muito mais forte me leva a acreditar que nós podemos nos apegar a outra crença, mais intensa, mais possível e passível de mudar o mundo. Algo que faz parte da natureza, até mesmo humana. Algo que evitaria o apertar dos botões que acionam as armas de destruição em massa. Algo capaz de nos fazer estender a mão até mesmo para os nossos supostos inimigos. Algo que faz com que os corações magoados tenham a capacidade de perdoar quem os magoou.


Acredito em uma força que todo ser humano traz no coração, algumas vezes adormecida, e não se trata de nenhuma crença religiosa! Algo superior que habita todo coração, mesmo aqueles mais duros e sofridos. Algo maior que os oceanos e que não ocupa espaço físico algum, mesmo tendo uma dimensão incomensurável. Um sentimento chamado amor e que pode mudar o mundo, tornando-o muito melhor, não apenas neste ano que já está próximo, mas em todos aqueles que virão.




sábado, 21 de novembro de 2009

Todas as cores do mar


Camilo Mota



Soube, através de um amigo, que outro amigo o questionara do porquê de eu ter me mudado para Saquarema. O que eu vira nessa cidade, tão pacata, tão à beira do Oceano Atlântico? A água, o mar, o céu, o sol e suas cores, aqui, parecem ter me cativado de uma maneira diferente de outras terras. O sol nasce manso pela manhã, e mais tarde se põe em cores variadas além das montanhas, refletindo um adeus iluminado nas ondulações da lagoa... ele diz em seu quase silêncio de luz que a vida é enorme quando contemplamos a nossa pequenez. E também as pessoas com seu jeito solar, quente, de falar amigo. Alguma coisa mineira, de antanho, me faz olhar esse mar com admiração.

E não a mim apenas isso tudo é cativante. Pois que o professor Latuf Isaías Mucci foi mais além e derramou em versos tudo o que sente acerca desta terra ainda admirável, com suas ondas, surfistas, cores feitas em molduras de gente. Mineiro como eu, veio ele ter em Saquarema o encontro mítico e real. Assim como Manuel Bandeira exaltava uma Pasárgada para onde poderia se refugiar e encontrar o ápice da vida em seu máximo prazer, também Latuf o faz, mas num sentido concreto: ele não busca a terra mítica, pois que já encontrou a terra real de seus sonhos. Em “Águas de Saquarema” (Saquarema, Tupy Comunicações, 2009), o poeta revela um amor tal pela região que o acolheu que, à maneira dos românticos em relação a suas amadas, recolhe em versos as sensações e sentimentos que norteiam sua vida sempre em direção à coisa amada. Torna-se, camonianamente, o amante na coisa amada? “Fora de Saquarema / Sou / peixe com mágoa / pássaro sem paz / ave avessa / exilado poético / asilado ilhado / (...) Fora de Saquarema / Nenhum zen me segura”, revela o poeta em sua “Canção do Idílio”, como um Gonçalves Dias pós-moderno a exaltar a falta que lhe faz sua amada pátria, cujos sabiás fazem verdadeiros ninhos na alma. E reforça sua relação com a terra, firmando raiz: “Não me vou mais embora daqui, / nem que me arrastem pelos cabelos / que já perdi há muito na cidade” (“Radicalmente”).

A proposta de Latuf poderia cair no lugar comum. Afinal, fazer um livro com uma temática de grande exaltação e paixão por um local em particular é um desafio. Mas aqui revela-se um mistério, que faz parte da alma do poeta e também de Saquarema. Há vibrações tais nessa terra em que a natureza se expressa de forma tão dinâmica, que ela própria se mostra constantemente em oferenda para a inspiração de cantos de amor, como os cantados por Latuf. E ele faz jus a esse chamado. Tal qual o marinheiro que se deixa inebriar pelo canto da Iara, Latuf navega nos cabelos de Iemanjá, surfa as ondas, e mostra-nos uma leitura extremamente lírica e zen do mar, um dos principais personagens do livro. “Os meus velhos olhos / nem se cansam de sonhar / estas ondas antigas / vagando em cantigas, danças densas” (“O mar, o mar”). O poeta não cai no lugar comum. Sua “face líquida” vai se moldando a cada novo encontro com sua amada. Antes, apela à simplicidade para dizer de seu amor, de sua valorização da vida, das pessoas, do afeto. É isso: Saquarema é um grande afeto na vida do poeta. E ele, qual um girassol caeiriano, se volta para o brilho dessa luz que se lhe revela a cada dia de uma maneira nova.

Há que se ler o livro de Latuf como quem saboreia as ondas, ou como quem sente a tessitura de uma folha de orquídea ou, ainda, como quem chupa uma suculenta manga em pleno verão. Seus versos em “Águas de Saquarema” são leves, para serem levados pelo vento fresco, pelo hálito de palavras ditas com amor, simplesmente com amor.


Camilo Mota é natural de São João Nepomuceno-MG (1965), reside em Saquarema desde 2003. É editor do Jornal Poiésis (www.jornalpoiesis.com), membro titular da Academia Brasileira de Poesia, e membro honorífico da International Writers and Artists Association (IWA).

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Novembro de letras




Luiz de Aquino






Novembro , novembro... Mês do golpe de Deodoro contra seu protetor Pedro II; mês da “intentona” comunista de 1935 (há quem diga que aquele golpe foi um factóide getulista para justificar o plano do Estado Novo), mês da tentativa dos militares da linha-dura contra a posse de Juscelino, em 1955. Para alguns supersticiosos, novembro é “um agosto retardado”. Para mim, mês de bons e maus acontecimentos, mormente se levarmos em conta que o que me parece mau é bom para os que pensam do outro lado do círculo.

Tenho grandes e queridos amigos nascidos em novembro, e isso nos enseja momentos festivos e felizes. Novembro 19, aniversário de Iná (minha prima e primeiro amor quando sequer chegara à adolescência), de Paulo Fernando (irmão escolhido) e de Gisele , linda e cronista. Dia em que a República abriu mão da bandeira que usou por quatro dias e que se tornou símbolo do meu Estado, Goiás. Foi num 19, há quatro anos, que publiquei o meu “As uvas, teus mamilos tenros”, pura poesia erótica.

Infelizmente, dois dias antes, a pianista professora compositora e mulher maravilhosa, a mais importante dentre todas as pessoas nascidas nesta terra mesopotâmia Brasil Central, Belkiss Spenziere, fechou os olhos, negando-nos sua luz. Mas cuidou muito bem, e muito antes, de legar-nos sua arte e seus exemplos de Ser Humano que merece ser referida com iniciais maiúsculas.

Felizmente, há o 18, data de Dona Lousinha, professora-símbolo que há seis décadas é referencial da Educação em Goiás. Claro está que, nos últimos vinte anos, tendo feito por merecer, Dona Lousinha dispensou o giz e as coordenadorias, as diretorias e os horários, mas continuou a ensinar-nos valores de vida, como é da praxe de quem faz jus ao título. Dona Lousinha, este ano, concluiu o seu 89º ano de via, ou seja, já exerce o nonagésimo, no modo como deveríamos contar a idade. A ela, que gerou tantas pessoas encantadoras, o meu beijo de agradecimento. E bem lhe premiou Deus com tais filhos, com quem festejo essa preparação para a fase nonagenária, resumindo-os na pessoa da poetisa Leda(ê) Selma.

E já que me despedi dos fatos tristes, festejo mais aniversários. Meu primo, Antônio Cupertino, e a comadre mui querida Celestina, ambos do dia 13; o poeta, professor, publicitário e doutor em Literatura, Goiamérico Felício, dia 11; meu sobrinho-afim e afilhado em Deus, Rafael Granja, 28; e seu pai Cícero, 22, o mesmo dia da prima e comadre Teresinha Craveiro... Vou parar, porque não tenho cacoete para colunista social e já fico injusto com aqueles a quem não citei. Como não consigo falar nem escrever sem citar minhas paixões, cá estou de volta ao mundo das letras.

Dia 26, meu conterrâneo caldas-novense e irmão de ofício Delermando Vieira tomará posse na Cadeira 26 da Academia Goiana de Letras. O poeta, o mais premiado na história das letras de Goiás, com mais de uma centena de vitórias em diplomas, troféus, medalhas e pecúnia, talentoso e competente, deveria estar na AGL há muitos anos. Mas foi, muitas vezes, “aconselhado” por falsos amigos a adiar sua pretensão em favor de outros, alguns sem os quesitos óbvios para integrar um sodalício de Letras, mas preferidos por seus papéis de realce no meio político e social.

Enfim, o dia de Delermando! Ele é muito bem-vindo à Casa de Colemar.

Ah! Também lá, no casarão da Rua 20 com a Rua 15, na sexta-feira, 27, às 20 horas, farei dobradinha com a jovem e talentosa Lúcia Tormin Mollo. Ela vai lançar seu livro de estréia, “Bazar Oió – A ditadura contra a livraria”. E eu, devo autografar o meu novo livro, “Meia-Ponte do Rosário, Pirenópolis”. Esperamos lá todos os meus leitores, os de livros e os de jornal.











Luiz de Aquino – poetaluizdeaquino@gmail.com – é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

O Poeta e Artista Visual Leo Lobos

Chris Herrmann




(foto por Maria Eugenia Lagunas)

Além de um grande amigo, um artista sem igual. Leonardo Andrés Lobos Lagos (Santiago do Chile, 1966) poeta, ensaísta, tradutor e artista visual. Possui as seguintes publicações: Cartas de más abajo (1992) editado pela Faculdade de Artes da Universidade do Chile e Arrayán editores, + poesía (1995) súper yo editores, ángeles eléctricos (1997) Luis Saldias editorial, Camino a Copa de Oro (1998) edições Pazific Zunami, Perdidos en La Habana y otros poemas (1999), Cielos (2000), Nueva York en un poeta (2001), a seleção antológica Turbosílabas (2003) pela editora gato de papel que reúne seus poemas de 1986 a 2003, Devagar (2004), Un sin nombre (2005), Nieve (2006), Vía regia (2007) e No permitas que el paisaje este triste (2007).

Como co-editor, junto com o artista visual Rafael Insunza, publicou o livro em homenagem ao poeta chileno Pablo Neruda: Diez máskaras y un kapitán el año 1998, uma homenagem ao poeta universal dos artistas visuais Rafael Insunza, Jorge Cerezo, Rafael Gumucio, Sergio Amira y Claudio Correa com o patrocínio da Fundação Pablo Neruda e da Universidade do Chile, editora Pazific Zunami.

Participa com seus poemas, ensaios, ilustrações, fotografías e traduções dos meios culturais no Chile e em outros países, tem sido traduzido ao inglês, português, holandês, francês e alemão.

Vem realizando inúmeras exposições individuais e coletivas; suas pinturas, ilustrações, poemas visuais e desenhos fazem parte de coleções privadas na França, Brasil, México, Estados Unidos e Chile.

Leo Lobos foi agraciado com a bolsa UNESCO-Aschberg de literatura em 2002 e fez residência criativa no Centre de Arte de Marnay Art Center CAMAC na cidade de Marnay-sur-Seine, França entre 2002-2003.

Blog: http://leolobos.blogspot.com



Seleção de 5 Poemas de Leo Lobos (no original em espanhol)



"Soy sirio. ¿Qué te asombra, extranjero, si el

mundo es la patria en que vivimos todos, paridos por el caos?"


Meleagro de Gádara, 100 antes de Cristo.



Jazz on the park


Leemos el diario en el Jazz on the Park ( Jazz on the Park es el hotel donde nos hemos mudado), me siento encerrado.

Nos han invitado al concierto de Peter Salett, y es sin duda una buena idea para salir de aquí al paso del estado en el que nos encontramos. Un taxi móvil nos lleva al Club que está prácticamente copado, entramos sin dificultad con la ayuda de los ángeles custodios en medio de luces fotográficas cegadoras, tomamos bebidas blancas, escuchamos con atención mientras hermosas mujeres rubias son

mecidas por la música.


New York, Estados Unidos, 1999.



Tres mujeres, un piano, un gato y una tormenta


A Alexandra Keim


Es difícil ser un pájaro

y volar contra la tormenta sobre la cicatriz de la Tierra que deja el camino de asfalto

mejor es como un gato estar

siempre atento a las brasas

cerca de la chimenea

y escuchar

siempre atento escuchar

a tres lenguas diferentes hablar

un idioma a la vez fascinante

a la vez misterioso y conocido

oír e ir en su música

en sus luces y propias

y universales sombras

fotografiar

por tan solo un segundo

fotografiar con la mirada sus perfiles

de ser posible

flotar

dentro

de la sala

como

un pájaro

en

la

tormenta


Marnay-sur-Seine, Francia, 2002.



Silencioso dentro de la noche


“Ser como o rio que deflui

silencioso dentro da noite”


Manuel Bandeira



Fluir, leve andar

descalzo inflar lentamente los pulmones

pesar cada paso sentir

cada instante entrar

silencioso dentro

de la noche

como sí ella

fueras


Marnay-sur-Seine, Francia, 2002.



Una secreta forma


"las palabras como el río en la arena

se entierran en la arena"


Roberto Matta



el automóvil esta poseído por la fuerza

de los animales que le habitan

como un carruaje tirado por caballos

sobre piedras húmedas de un pasado verano

Río de Janeiro aparece de repente como

la secreta forma que el Atlántico

deja entrever desde sus colinas de azúcar:

ballenas a la distancia algo

comunican a nuestra humanidad sorda

y cegadas por el sol preparan su próximo vuelo

caen ellas entonces una vez más como

lo han hecho desde hace siglos

caen ellas en las profundidades entonces

caen ellas y crecen en su liquido amniótico.


São Paulo, Brasil, 2004.



Perdidos en La Habana


Se puede ver a lo largo de Cuba verdes

o rojos o amarillos descascarándose con el

agua y el sol, verdaderos paisajes de estos

tiempos de guerra


Después de tres botellas de ron

ella lloraba en el lobby

del Hotel Capri, mientras le leía poemas que no eran míos,


Hablaba de las playas a las que llegó

en motocicleta, cuando aún el sol brillaba

los cubanos son niños que lo miran todo decía


Otro él, aparece desde el centro del salón y necesito

más de un segundo para

reconocerle

me acerco y me cuenta de mujeres, palacios de salsa,

de bailes mágicos

no hay, pienso

no existe una isla

sin orillas...

No quiero habanos

no tengo dólares

mejor será

desaparecer antes que la noche


El Vedado, La Habana, Cuba, 1995.



domingo, 15 de novembro de 2009

MARIA FLOR DA PELE (*)



ator Marcos Bahrone, em performance no Memorial do RS, 
lançamento da Poemas à Flor da Pele/novembro/2009

(*)  Márcia Fernanda Peçanha Martins



        Maria é uma mulher como outra qualquer. Não foge à regra e tem suas rotinas femininas. Acordar, entrar no banho, tomar um café requentado e passar, rapidamente, margarina na fatia de pão dormido, vestir-se, espremer-se dentro de um ônibus lotado e ir trabalhar. Nos horários de intervalo, corre para aproveitar o tempo. Desvia os olhos das vitrines que liquidam sonhos.
        Apesar de cumprir com quase todos os afazeres femininos, Maria foge dos padrões estereotipados de mulher. Por isso, é diferente. Expõe os sentimentos. Não nega que vive equilibrando suas emoções. Fala abertamente de seus desencontros. E se precisar desafia, interroga, enfrenta, chora, berra ou sussurra.
        Seu sobrenome é Flor da Pele. Seu hobby é ler e o lazer é participar de saraus. O seu trabalho pode ser a medicina, advocacia, a educação. Seu prazer é fazer poesias. Não para ganhar dinheiro, porque sabe da falta de incentivo para a cultura, mas por paixão. É só ter tempo livre e está teclando com pressa ou escrevendo em um pedaço qualquer de papel versos e rimas.
        Essa Maria tem cabelos não muito curtos, ondulados, de cor clara, que prende com uma tiara combinando com a roupa. As suas vestes são um pouco escandalosas, ou melhor, autênticas. É que Maria aprendeu a diferença das palavras e autêntica é uma escandalosa que a gente gosta. Mostra unhas curtas, quase um pouco roídas. Mas sempre pintadas de esmaltes com cores vivas. E ao empinar bem os peitos firmes, afirma, provocando inveja nas outras: “são perfeitos, parecem duas bolas”.
        Essa mulher poderosa, charmosa e esbanjando alegria, não resiste a um palco, ainda que não seja exatamente o tradicional. Essa mulher exibida, espetaculosa e que distribui simpatia, sabe declamar muito bem poesias. Essa mulher talentosa e que arranca aplausos, gosta de recitar poesias. E sempre que pode, decora as poesias da comunidade do Orkut “Poemas à Flor da Pele”.
        Ela é especial. Poderia ser tantas Marias: Reginas, Helenas, Cristinas, Lúcias... Mas é Maria Flor da Pele, com orgulho. Tanto que anuncia bem alto a sua chegada. Ela é especial. Poderia ser tantas mulheres: indecisas, inseguras, audaciosas, tímidas... Mas é uma mulher que tem poema no seu olhar, no rebolar, no trajar, no perfumar. Com muita vaidade.
        Maria Flor da Pele já foi Fernando Pessoa e agradou. É, com frequência Shakespeare, e ouve pedido de bis. É qualquer poeta quando se faz de Estátua Viva nas praças e parques de Porto Alegre, nas ruas de Bento Gonçalves ou praias do Rio de Janeiro.
É Maria por ser um nome quase universal e expressar o sentimento de qualquer mulher. E é Flor da Pele porque é a nova personagem criada pelo ator Marcos Bahrone para se apresentar nos eventos da comunidade “Poemas à Flor da Pele”. Um presente do talentoso Bahrone para as mulheres à flor da pele.




(crônica recebida da Moderadora da Poemas, a jornalista Márcia Martins - marfermartins@hotmail.com)