domingo, 31 de maio de 2009

Escrevo porque...

Eu tenho prazer em escrever porque quando escrevo palmilho minhas cavernas, meus ecos. Pacifico meus temores. Suavizo dores. Adormeço medos. Escrever é dissipar nuvens, buscar o outro, fragilizar-se, fortalecer-se. É, ainda, contar épocas, reavaliar os passos, reafirmar idéias, expandir-se. Eu tenho prazer em escrever porque preciso pavimentar os caminhos, abrir vias secundárias, transitar, ajustando-me ao meu próprio tempo.Escrevo porque preciso cunhar definições para as coisas. Recuar no tempo. Avançar no tempo. Ser mirante, ser beiral. Dormir abrigando sonhos.
Quando escrevo, dou lugar às emoções, decifro olhares e desejos desassossegados. Escrevo para oferecer trilhas, tramas e rumores de liberdade. Eu tenho prazer em escrever porque quando escrevo capto ruídos, segredos, desvarios... Devoro silêncios. Grito, canto, sofro. Jogo pedra nos telhados dos homens. Coloco a alma no barco, o barco na cena. O mar inteiro em uma linha.
Escrevo porque preciso espargir luz, criar horizontes, ouvir sinos. Tocar músicas suaves. Cantar crenças adormecidas.Tenho prazer em escrever porque gosto de simular situações, experiências, criar elos, desmitificar regras, Hospedar paisagens de todos os tipos. Iluminar labirintos. Escrevo para expressar atrações , encantamentos, olhares, sorrisos. Nossas buscas, nossos discursos, nossos sonhos.
Escrever é cercar-se de tudo que é luz. É pousar animosidade sobre as coisas e pessoas. É estender virtudes pelo “sertão-vida”.Escrever é migrar sobre oceanos, é varar ondas, é procurar nascentes, auroras. É antecipar florações. È legislar o amanhã.

(2º lugar no concurso “Prazer de Escrever” promovido pela editora Litteris em 1997)

Luciana Pessanha Pires

2 comentários:

  1. Que belo texto, Lu!
    Lindo e suave...encantador como você!
    Parabéns, minha querida!
    beijo
    da Maria Lucia

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  2. Escrever assim só é possível para um mar de nanquim correndo nas veias. Que seus caminhos deixem os traços de suas belas letras.

    Abraços!

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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