sábado, 30 de maio de 2009

Homúnculo

Eu vi o mundo na palavra homem, anônimo, homúnculo, menos que número, povoando a Terra. Vi ser humano fabricado, nascimento negado, futuro condenado, menino armado nas galas da florescência. Vi nos fragmentos de jornais: gritos, retratos, estatísticas, violência, atentados sanguinolentos, intolerância, resto de pó da miséria humana. Então, eu quis o mundo na palavra verbo: amar, respeitar, unir, harmonizar. E descobri que posso reinventar a história, como disse Drummond: “entre coisas e palavras principalmente entre palavras –circulamos, vivemos, morremos, e palavras somos. A vida é cara, mas não é sentença. Eu e o outro não temos que ser trevas. Podemos ser caçadores de estrelas. De mãos dadas semearemos pelo mundo aquilo que convém ser semeado: diálogos de paz. E trabalharemos pela colheita. Anularemos as palavras desassossegadas: ódio, negligência, abandono, injustiça, culpa.
Eu vi o mundo na palavra esperança. Ó abre alas que eu quero passar. Na linha ponho a isca de um sonho. Pesco uma estrelinha.

(Luciana Pessanha Pires)

Um comentário:

  1. Uma prosa poética é Homúnculo... que está no mundo e em nós. Gostei, Luciana, e também de visitar esse novo cantinho da sua comunidade.

    Beijos e sucesso!
    Chris

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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