domingo, 7 de junho de 2009

Coração como Ata Romana

No princípio era o verbo... e os gestos que marcavam as manifestações de vontade, os atos públicos eram praticados nas portas da cidade e no paço municipal onde se encontravam a administração e a justiça. Nesse tempo, as expressões de vontade eram marcadas por rituais, compostos por palavras, gestos e expressões.
A imagem da Ata Romana do tempo da Roma Antiga nos convida a trazer à tona nossa ata particular no centro das intenções: a praça. Paço, pátio, praça... nesse local de encontro deixaremos fluir toda necessidade de integração que há em nós. Segundo o verbo latino Patēo, os atos de expor, abrir e descobrir-se se fazem presentes nesse espaço. Na praça há uma postura ativa perante o mundo. O indivíduo se faz ser visto e adquire uma razão de ser. Ali, com o coração descoberto, desnudo, relacionando-se diretamente com a abóbada celeste e, conseqüentemente, com todas as manifestações climáticas, exposto, acessível, suscetível, o homem pode permitir-se. Permita-se. Traga seu coração para praça e faça dele uma Ata Romana.

(Luciana Pessanha Pires)

2 comentários:

  1. "Na praça há uma postura ativa perante o mundo. O indivíduo se faz ser visto e adquire uma razão de ser."
    Belo, verdadeiro e atualíssimo. Percebo o mesmo em todas as "praças" deste nosso mundo.
    Beijos.
    Chris

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  2. Linda! Comento o seu texto depois de postar o meu, de ler também o da Chris, o do Ivonildo. Chris esteve em outra praça do mundo. A minha 'praça " foi a da mídia, que, ligada ao pessoal, me levou a refletir aqui neste espaço.Espaço que se torna, para nós, uma praça de alimentação com diversos sabores, de encontro de ideias. Mais uma razão de ser da Discutindo. Posso lhe d ar os parabéns de novo pelas grandes ideias?

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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