segunda-feira, 15 de junho de 2009

DE CHEIROS E LEMBRANÇAS

Existem coisas que não se esquece. Existem coisas que nos remetem.
Estou basicamente num dia feliz. Enfim consegui decidir o dia e mês em que viajo para a Europa. Ganhei o presente há quase dois anos e tinha receio de viajar sozinha, mas consegui me desvencilhar e marcar a data em que realizarei alguns sonhos.
Vou cheirar arte! Vou escrever um poema numa ponte Veneziana.
Isto me fez lembrar de memórias afetivas relacionadas a prazeres. Durante anos viajávamos em fins de semana( quase sempre a noite), para a Serra. Chegávamos no Km 67, subíamos a estradinha tortuosa sentindo o cheiro do mato molhado ( havia neblina). Então o prazer olfativo nos invadia. Às vezes íamos em grupo em outras apenas eu, meu filho e marido.
Quando lá estive pela primeira vez, meu filho tinha quatro meses. O ‘Hotelzinho’ era chamado de SERRA NEVADA.
Entrávamos na cabana de madeira que parecia uma casinha de bonecas. Acendíamos a lareira e ali esquentávamos pãezinhos, derretíamos queijo e comíamos, fabricávamos a nossa pipoca tomando vinho ao som insistente da cachoeira batendo nas pedras. Era uma sinfonia maravilhosa.
Embrulhados nos cobertores ficávamos horas em torno da pequena lareira. Dormíamos com o barulhinho da lenha estalando e da água escorrendo lá fora. Era divino!
Acordávamos com o sol piscando nossas vistas através das frestas; algumas vezes íamos à cidade fazer compras e na volta trazíamos os bolinho do alemão e guloseimas. Mesmo com frio, colocávamos a roupa de banho e partíamos para as cachoeiras. Sempre me lembro das sensações. O bolinho, o vinho, a água gelada e o sol esquentado. Lembro dos passeios, dos cachorros que vinham pegar osso e da deliciosa paisagem verde. Lembro das cachoeiras geladíssimas e da sauna a vapor que tinha muito vapor e pouco calor, mas que era um paraíso. Lembro dos barulhinhos do bichinhos da serra, das brincadeiras, das caminhadas e de pular o rio e ir descendo pelas pedras. Mesmo pequeno, meu filho sempre era o guia porque ele passava quase o dia todo dentro do rio. Eu me lembro perfeitamente quando ele estava com dois anos e decidiu por conta própria que iria jogar a chupeta ( única que tinha) dentro no rio. Avisamos que não iríamos sair pra procurar outra na cidade, mas ele decidiu ali que nunca mais pediria uma chupeta ( e nunca pediu)...Que delícia era SERRA NEVADA!
Fomos para lá durante anos....
A última vez em que lá estivemos ‘o garoto’, tinha 16 anos....
Aquela serra era realmente paradisíaca.

Ivy Gomide

Contribuição enviada por email.

3 comentários:

  1. Belas imagens e belas recordações, querida! Grata.
    Beijos

    ResponderExcluir
  2. Luciana querida escrevi despretenciosamente, só com o sabor da lembrança. Com calma colocarei outro mais elaborado. me aguarde e obrigada.
    Bju,
    Ivy

    ResponderExcluir
  3. querida Ivy viagei em tuas saborosas lembranças, abraços, virgínia

    ResponderExcluir

"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
...
Grata pela visita! Você é convidado a interagir.
Abraço!

Para correio: discutindo_literatura@yahoo.com.br