terça-feira, 2 de junho de 2009

Felicidade

FELICIDADE
Geisa Gonzaga

Eram seis horas da manhã quando acordei hoje. Levantei-me e fui para a varanda de minha casa, respirar um pouco de ar puro. Olhei para as bandas do Oriente, onde as nuvens, tingindo-se de púrpura, anunciavam o despertar do Sol no seu ciclo eterno e vi que aqui e acolá, no escuro do firmamento, algumas estrelas ainda rutilavam e do lado do Ocidente a Lua Nova já se despedia.

O silêncio que reinava à volta era tão-somente quebrado pelo trinar alegre dos pássaros que, com algazarra, saiam dos seus ninhos em busca de alimento para si e seus filhotes. Borboletas multicores esvoaçavam felizes, se confundindo com as flores também coloridas.

Percebi que as roseiras do jardim tinham seus galhos vergados pelo peso das perfumadas rosas que sustentavam e que as gotículas de orvalho que as cobriam mais pareciam pequenos diamantes que à noite foram ali depositados pelas misteriosas mãos de fadas e duendes. A suave brisa que soprava espargia no ar o perfume dos cravos e angélicas.

Caminhei descalça pelo gramado, úmido pelo sereno da madrugada e, apesar da maravilha que contemplava - renovado milagre da Mãe-Natureza - devagar, algumas lágrimas brotaram dos meus olhos e uma tristeza infinita tomou conta de minha alma.

Elevei meu pensamento ao Criador, indagando: “- Senhor, por que choro? O que a mim me falta? Não tenho tudo que preciso para considerar-me feliz? Não me basta este espetáculo maravilhoso, obra de Suas Divinas Mãos, que se descortina a minha frente?”

Pareceu-me ouvir a resposta: “- Minha filha, a que chamas felicidade? Não será somente no Sol que te aquece, nem no canto dos pássaros, ou na beleza e no perfume das flores, que a encontrarás. Olha para dentro de ti, procura bem, e poderás descobrir que ela está bem aí, guardada no sacrário do teu íntimo”.

Meditei então: Felicidade, sentimento efêmero! Surge de repente e, no momento seguinte já foi embora.

Um comentário:

  1. Bem-vinda, Geisa, querida! Sua crônica traz cheiros e toques suaves.
    Beijos

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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