sábado, 20 de junho de 2009

Um dedo de prosa com Braga Mello

Braga Mello está no centro.




Braga nasceu na Inglaterra, mas é brasileiro (registrado no Consulado). Residiu em Itaperuna por muitos anos.
Em Itaperuna fundou Cooperativa, Sindicato e Jornal. Fulgura com um artigo no livro “A Terra da Promissão”, da lavra do Major Porphirio Henriques, com publicação no ano de 1956.
Participou da história do nosso Município e demonstrou interesse pelo progresso local. Escreveu crônicas sobre fatos importantes ocorridos aqui: a inauguração do Aeroporto, a reparação na concretagem da ponte de cimento, o Hospital Regional, o albergue noturno, etc.
Na Fortuna Crítica de Braga Mello constam crônicas, alegorias poéticas, análise crítica, contos e romances.
Sobre sua lírica, já disse Jary Henriques: “são escritos cintilantes, eruditos e emocionais que provam a acuidade de uma inteligência viva e cultivada em remígios para mais alta esfera.”.
Percebemos a autobiografia na lírica do poeta, reorganizando os espaços da infância dando a eles um caráter poético. Ao privilegiar a memória, o poeta fica à mercê das alegrias e das tristezas. O convívio com a morte surge no poema “Na morte de meu pai”.
A experiência estética de Braga Mello revela aspectos do sujeito no mundo através de uma abordagem em que o comentário, a análise e a interpretação brotam dos textos, como se conversasse consigo mesmo, num entressonho, dando vazão ao que leva na alma.
São vários os temas que provocaram o homem de Letras: o bate papo das ruas, as reivindicações do povo, o preço do pão, do café, do feijão e do arroz, um fio de prosa cercado por reflexões e fina ironia, como se vê na crônica “Feijão e Arroz”, escrita por ocasião da Campanha moralizadora de preços”, texto publicado no Jornal “O Imparcial”, nos idos de 1954*:
“Ou a situação melhora ou, muito breve, estaremos ingerindo pílulas vitamínicas, concentrado e precipitado de gramíneas e leguminosas, e usando da alta sujestão por meio de uma revista de arte culinária. Passem bem, até a próxima semana.
O Brasil deveria ser um país essencialmente agrícola, entretanto, nós nascemos para burguês. Comprar- pronto- eis o lema, este orgulho é que nos aniquila o progresso. O petróleo, o ouro, a borracha, tudo a nós pertence, porém, nada nos anima a um investimento, a uma campanha de soerguimento nacional a fim de, ajudados com o que nos dá a terra, erguermo-nos tal qual um gigante ao lado de outras potências.
Quem nasce para tostão, não chega a duzentos reis. Assim diziam os antigos. Podemos, no entanto, mudar apenas “reis” para a atual moeda, para adaptarmos aos nossos dias o saudoso pão de tostão que tinha mais ou menos o tamanho do hodierno pão de um cruzeiro.”
Ainda não temos um teatro em Itaperuna, Braga. E o Conservatório ainda passa por muitos problemas, mas continua abrilhantando a vida cultural da cidade.
Parabéns, Braga Mello! As palavras são seus anzóis, pequenos e imperceptíveis, vão fundo e chegam longe.! Um abraço poético da Academia Itaperunense de Letras.


Referências
* Textos de Braguinha publicados na década de 1950 nos Jornais Brasil Novo, A Voz do Povo, O Norte Fluminense, O Imparcial e O Itaperunense.


JORGE MÁRIO DE BRAGA MELLO é ESCRITOR, jornalista e membro Correspondente da ACIL -Academia Itaperunense de Letras.

Luciana Pessanha Pires

3 comentários:

  1. Lu, pelo que pude ler, a homenagem a Braga Mello é mais do que merecida. Parabéns pela iniciativa. O texto está bem elucidativo. Gostei demais. Beijos.

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  2. Luciana, feliz de quem recebe seus olhares atentos. Grato pela apresentação a mim de Braga Mello.

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  3. Muito grata pelos comentários e pelo carinho, Chris e Car!
    Abraço afetuoso

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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