segunda-feira, 1 de junho de 2009

Manhã em Guarapari

É manhã, o sol está alto, o mar numa cor esverdeada esbanja alegria. Apesar disso, uma onda mal-humorada me nocauteou. Quem sabe para me despertar... A natureza faz dessas coisas. Um mar de sonhos, um mar de problemas, um mar bem na minha frente. E tanta gente, tantas vozes, tanto silêncio. Um paradoxo. As lembranças sorriem, bailarinas, sobre o mar. O tempo que eu bebi o mar com minha irmã Cristina.
A vida é feita dessas circunstâncias, como já disse Machado de Assis: “ dos momentos idos e vividos”. Bem vividos.Todavia, há um intervalo entre as alegrias, são marolas inquietas, um tempo para repensar tudo e se reconstruir. Um marasmo sadio, um tempo para se encaramujar, depois sair do casulo e renascer. Você está encavernado? Não se preocupe! Carregamos, todos, os sulcos profundos de muitas lutas, é natural. É crescimento, é semente que se lança ao solo. Amanhã você troca o espírito angustiado por vestes de louvor, sai do vale e sorri sereno.
Há um propósito em tudo, cabe a nós a sabedoria e a serenidade para divisar o que está sendo ensinado. Quando adquirimos essa consciência aprendemos que nossa alegria deve transcender a circunstância. É assim que um ser humano envelhece sem se amargurar. Molho meus pés nas ondas, a água fria, a espuma branca me trazem de volta o sorriso e a doçura. Vale a pena viver.
(Luciana Pessanha Pires)

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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