sábado, 13 de junho de 2009

A Menina e o Anjo

Anjos, criaturas de essência mitológica, etérea, de sonhos. Seres alados, assexuados, com corpo humano e asas brancas semelhantes às dos pássaros. Segundo o dicionário, um ser espiritual que serve de mensageiro entre Deus e os homens.

Neste mundo de caos, é difícil entender a concepção de um ser maravilhoso que, com suas asas, voe sobre os problemas humanos sem sujar as penas branquinhas.

Se um dia, algum humano, digamos uma menininha, chegasse a encontrar com um anjo, tão distante que eles se encontram de nós, imagino que o diálogo seria mais ou menos assim:

– Olá, quem é você ? – perguntaria a menina.

– Sou um anjo – responde solícito, estufando as orgulhosas plumas.

– Um anjo? – admira-se a menina. – Mas, anjos não existem!

– Existem sim. Tanto sim que estou aqui, bem diante seus olhos.

– Mas... Posso estar apenas sonhando. Aí, quando acordar, você não vai mais existir.

– Nem por isso serei menos anjo.

– É verdade – concordou a menina, insegura. – Se é mesmo um anjo, não deixaria de ser por que acordei.

– Viu só?

– Mas, mesmo assim eu não acredito em anjos – falou a menina, decidida.

– Ora, mais quem afinal é você, criaturinha tão descrente? – disse o anjo, incomodado.

– Eu sou uma menina humana.

– Uma criança?

– Sim.

– Desculpe, mas eu não acredito em crianças. Elas não existem!

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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