terça-feira, 23 de junho de 2009

O que une tudo isto?


Voltei a estudar.
Ser poeta (ou poetisa como insistem os professores de português) não me dá o direito de achar que estou pronta. Não. Tenho um longo caminho a percorrer: a vida.

A cada dia novas técnicas vão surgindo e preciso ler, até mesmo aquelas que já existem e que não li, elas estão na memória dos livros, mas que são leituras obrigatórias para os poetas.
Sinto essa necessidade da leitura, e quero uma pausa no que tenho para fazer, uma trégua para poder descansar entre as páginas de um livro e aprender, sonhar, viver e perceber a mágica trajetória das palavras de todos os grandes escritores. E com elas fazer e descobrir a minha mágica.

Há algum tempo atrás fiz uma oficina de poesia com Cairo Trindade, pela internet e que foi muito legal, várias observações ficaram e remodelaram meus poemas, ele é um talento!
Recebi, também, várias dicas do amigo e não menos talentoso Luiz Fernando Prôa, que resultou em poemas que gosto e acho que os leitores também.
Mas a necessidade de saber mais ainda está aqui. Prossigo neste meu caminho poético, tão surpresa e tão sedenta de saber, e às vezes me revolto...
Será que tenho este direito de levar às pessoas, coisas ainda não prontas, só por ter brotado em mim essa vontade de escrever e de ser poeta? Mas vou devagar, bem devagar, quero saber mais.

À medida que o tempo passa, e me deparo com tantos poemas transitando na internet, quanto mais leio, menos me sinto poeta... Estou lapidando... alías, dessa ânsia nasceu "Lapidar - Poeta tem pedra bruta no peito"...e por aí.

Depois de ler uma miscelânea de Leminski, Manuel Bandeira, Clarice Lispector, Cecília Meirelles, Augusto de Campos, Castro Alves, e até mesmo o meu guru Mário Quintana, sinto que estou à margem e que ainda não encontrei meu "kigô" - termo que refere-se àquele momento sublime em que criamos algo, assim, do nada...num estalo - (usado pela professora de haicais, Maria do Carmo, numa palestra sobre o assunto, em Vitória/ES, evento realizado pela Poemas à Flor da Pele).

Quero muito achar meu kigô.


Então cheia de dúvidas e já desacreditando em meus versos, resolvi voltar a estudar. Recebi um pequeno e-mail de Ricardo Silvestrin, poeta, músico, professor de literatura, aqui de Porto Alegre, no qual oferece uma oficina virtual de poesia e pensei:
- talvez, possa encontrar nela a chave para a porta que se abriu, há algum tempo, a minha frente: a Poesia.


E aceitei a oferta. Ontem, depois que li alguns poemas e fiz uma tarefa que o professor pediu, ele perguntou? " O que une tudo isso? Naquele contexto todo que me mostrou penso que posso responder.

Sim, como poeta posso falar do cotidiano da minha vidinha enfim, do amor que se foi, da solidão, do que sou, do homem idealizado, do tesão, da falta de, dos momentos maravilhosos, da saudade, da tristeza, da felicidade, do que penso e o que não penso, da fé e da falta de fé, da política, enfim qualquer assunto pode virar um poema.

Posso fazer uma letra torta ou desenhar as letras no papel e dizer que é poema visual, fazer muitas estrofes, ou mínimas, rimar, não rimar, ritmar ou não, contar uma vida ou só repetir um pensamento, fazer algumas observações, colocar sentimentos ou não, a forma independe, o conteúdo também, pode ser feito de qualquer maneira, o "xis" da questão é porquê? " O que une isso tudo"? Por que isso tudo é do mesmo gênero?
O que une tudo isso Professor é a arte da Poesia, numa linguagem verbal ou não verbal. com toques, ou recursos, que a diferenciem de uma frase qualquer.

Mas o que tem mais significado nisso tudo é o como falar, a forma que dou ao poema, não quero falar, sem nada dizer, quero encontrar o meu jeito, sem ser banal e superficial.Quero ter a rebeldia de um Leminski, a sagacidade de um Quintana, o lirismo de um Vinícius e a descrença de um Ferreira Gullar. Não quero ser mais uma poeta,ou poetisa, quero o meu espaço e que tenha utilidade para as pessoas.

Kigô onde está você?


Soninha Porto

5 comentários:

  1. Soninha, minha querida amiga,que linda crônica. Foca vários aspectos de nossos questionamentos, dessa nossa angústia em buscar o verso perfeito, único aquele que traz ínsita toda história de nossos clássicos, mas que ousa propor algo novo, conforme o tempo que flui sempre com novas prpostas, inerentes ao nosso elã do momento. Parabéns.

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  2. Minha mestra querida! Obrigada por teu comentário! Estou feliz de estar com você nessa caminhada, onde brilhas, com teu talento, quero ser você quando crescer.
    Te amo!

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  3. Gostei muito, Soninha! Sua crônica, de delicada tecitura, traz as marcas das nossas ânsias ao escrever o poema. Grata, querida. Beijos

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  4. Engraçado Luciana, essa é a impressão que tenho de você, delicadeza e um olhar generoso sobre as pessoas. Linda! Obrigada amiga por esta oportunidade! Beijos.

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  5. Encantada...
    Que bela crônica.

    Soninha é uma mina...
    Tá sempre transbordando idéias,

    Querida amiga, tens uma bela alma

    Parabéns!

    By...M&!!O

    Elaine Mello
    BjOs

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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