segunda-feira, 8 de junho de 2009

OS DOIS LADOS DA MOEDA


IVANALDO XAVIER


A vida as vezes nos reserva experiências que não estamos esperando e também nos coloca em situações vexatórias, inglórias e engraçadas. Existem situações permeadas por fatos lamentáveis, mas que vêm recheada de humor. É o típico humor negro ou a famosa tragicomédia. Tais situações nos revelam que, na realidade, a vida tem essa faceta, dois lados de uma mesma moeda: tristeza e alegria ou vice-versa.


Na verdade, ou seria puramente mentira, tudo na vida tem os dois lados. Depende agora de quem está lendo: se concorda ou discorda do que estou afirmando. É simplesmente a confirmação do que estou dizendo. Tudo tem dois lados. Existem duas verdades para um mesmo fato, mas somente uma corresponde fielmente ao fato. Contudo, nenhuma delas é mentira. Parece complicado, mas não é. Isso se chama “mito da objetividade” e está presente em todas as matérias jornalísticas.


Mas, fugindo um pouco do sério e voltando ao humor, na realidade das pessoas também existe a relatividade que nos coloca frente aos dois lados da vida, que às vezes chega a ser cruel e até preconceituoso. Senão vejamos: um pobre desprovido de beleza é feio, já um rico tem uma beleza exótica (rico nunca é feio); um pobre com estranhas manias é doido e um rico é excêntrico; um pobre que rouba é ladrão e um rico é cleptomaníaco. Existem mil exemplos que poderíamos citar aqui, somente para ilustrar os dois lados da vida. A riqueza e a pobreza são apenas mais dois lados da mesma moeda. Apenas, um é cruel.


Na verdade (mais uma verdade de dois lados?), se a vida é um jogo de cara ou coroa, alguma coisa nesse jogo está errado, pois quando a maioria da população nasce e a moeda é jogada, quase sempre cai com o lado da pobreza virada para cima, como se a moeda estivesse viciada pelo lado ruim da vida e sempre insistisse em cair do mesmo lado, quebrando um pouco essa coisa que nos diz que a vida tem sempre dois lados. Se isso é verdade, existem mesmo um lado viciado.


No trabalho, o pobre do operário, quando faz bem as tarefas que são de sua obrigação, recebe o rótulo de esforçado e o chefe, quando todos os seus subordinados ou a sua maioria são “esforçados”, recebe logo o rótulo de competente. Pobre correndo é ladrão e a polícia procura logo parar para averiguações e rico correndo é atleta praticando cooper. Pobre pedindo desconto é mesquinho e rico é comedido. São os dois lados de uma cruel moeda, que começo a suspeitar, tem na realidade um só lado e essa realidade é que pode ter dois lados, quem sabe? Na verdade, as moedas é que existem aos milhares, mas estão nas mãos de poucos.


No mundo em que a moeda de um lado indica a grande riqueza de poucos e do outro a miserável pobreza de muitos, alguma coisa está errada e precisa urgentemente de uma solução para que volte ao equilíbrio, pois uma demora maior pode provocar outras distorções mais graves e distúrbios sociais mais profundos do que os que já existem.


Na realidade, essa tragicomédia somente serve aos interesses de uns poucos abastados e demonstra a miserável situação de uma maioria: o lado podre da moeda nunca recebeu polimento e já está corroída pela abundante falta de caráter de homens (os dois gêneros) públicos que têm na mentira a sua verdadeira profissão e são, na verdade, uma moeda também de dois lados: o lado bonito que se apresenta para pedir voto e o lado sujo, que trabalha na surdina em busca de seus próprios interesses monetários. Vamos aprender a olhar sempre os dois lados da moeda.


Um comentário:

  1. Texto ameno,de caráter lúdico, marcado pelo estreito relacionamento cronista-leitor. Gostei, amigo Ivanaldo! Grata.
    Abraços

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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