sábado, 13 de junho de 2009

Sem meias e quase sem palavras

Sem meias e quase sem palavras


virgínia fulber

Com as barbas de molho e o tórax espremido encontrei-o, desestimulado pelo frio do inverno prematuro. Prematura também sua desesperança, visto que o Presidente disse que a crise é passageira e branda em nosso País... Será? Para alguns não há sinal de que ela tenha chego por estas bandas verde e amarelas mesmo ! De rosa desfilam alienados do temor que paira sobre humores blues... Ah! Dizem que o otimismo é característica dos alienados e que a mente tudo pode e ainda que sonhar é preciso. Proliferam-se receitas de sucesso e lembro de Peter , o grande empresário, quando confessou que velejava com olhar no horizonte, pois este estava sempre sereno mesmo quando em meio a tempestades. A verdade é que somos todos acometidos de tristezas quando o emprego é perdido, quando as contas começam a formar uma pilha sobre a mesa engolindo a dos sonhos... Que da crise algo novo há de surgir é sabido, espero que a gestação não seja longa demais e que mãe e feto sobrevivam!

Em solidariedade aos desempregados recentemente, e àqueles que sentem o fantasma nos corredores, hoje escrevo...

Haja fé e criatividade para dividir o pão, sorriso multiplicar e ainda ter coragem de apostar nas corretas decisões daqueles que há muito esqueceram que já foram do povo e lutaram pela justiça social de mangas arregaçadas e, de marmitas em marmitas nutriam-se modesta, mas honestamente ...

Empresto meu ombro, meus ouvidos e compartilho o que tenho, sempre que posso, acreditando ainda, que a roda continua girando e, de letra em letra, também possamos ir conscientizando a necessidade de abrirmo-nos em solidariedade e, engajarmo-nos politicamente e, ainda amenizar a tristeza dos pais e mães de família, que nesta hora desejam ardentemente, uma colocação, trabalho, segurança mínima e salários justos, não só em nosso País mas em todo globo.

4 comentários:

  1. crônica comprometida com os problemas finaceiros que afetam o mundo, escrita de forma belíssima, o tratamento com o texto é delicado.
    Vi, querida amiga, muito grata pela reflexão.
    Beijos com carinho

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  2. Parabéns, Vi, seu texto encanta sempre... até mesmo sobre um tema tão difícil e rude como este. Gostei muito.
    Beijos.

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  3. Queridas Poetas e Escritoras Luciana e Chris nutro grande admiração.
    Agradeço imensamente a eco- lida
    muito obrigada!
    abraços da sua Virgínia

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  4. Surpreendente a força do teu espírito Virgínia amiga querida!!
    Brilhante texto, que toca fundo na alma sem fazer alarde!
    Emocionada fico sem palavras para dizer o alcance desta tua crônica
    Quanto mais te leio, mais te admiro Vi
    e fico agradecida pelos ensinamentos que me passa...
    Beijos de super carinho da Li tua amiga e admiradora sempre

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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