quarta-feira, 10 de junho de 2009

Tempo de rosa tecendo seu perfume



Algumas manhãs têm olhares familiares, perfumes frescos, sons amenos, têm a expansão das coisas infinitas. Em algumas manhãs, sonhamos tempos, jornadas, madrugadas, luares... Adejamos delírios, mares iluminados, céus abertos. Nessas manhãs, ao olharmos a estrada, divisamos horizontes, calmarias. Em algumas manhãs, falamos de amor, do tempo que cicatriza tudo. Falamos das noites de verão, fabricamos nossas alegrias, cristalizamos as coisas eternas. Captamos canais sutis que pairam no ar. Entramos em sintonia com as coisas e pessoas, percebemos as pistas não-verbais, tudo fala ao nosso redor. Acreditamos que estamos aqui para acrescentar alguma coisa à vida.
Nessas manhãs, as rosas tecem seu perfume e explodem seu vigor, majestosas, querendo prolongar sua floração, impedir que seu rendado se encolha, que, murchas, caiam.
No tempo de rosa tecendo seu perfume, suspendemos hostilidades, então, brotamos, e o vir-a-ser toma certa vivacidade. É orvalhado, altar pacificado.

(do livro "Sobre tempos e jardins" - Luciana Pessanha Pires)

2 comentários:

  1. Reconheci o estilo da autora ao iniciar a leitura.Tanta delicadeza, perfume, de quem seria?! Belo texto poético, amiga! Manhãs como só um coração cheio de encantos pode ver!

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  2. A Eloísa tem razão, Lu. Você tem um discurso delicado e bastante peculiar. Fina prosa poética. Mas é preciso ter os sentidos bem aguçados para enxergar toda a dimensão da beleza e embriagar-se com o perfume dessas manhãs...

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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