sábado, 6 de junho de 2009

UBÁ: marcas indeléveis em nosso viver

Manhã de inverno. Acordei sorrindo, buscando na alma os anos sessenta/setenta. Matando a saudade nas marcas que o tempo deixou, no aconchego que a vila propiciou. Esperando ansiosa o dia bem-vindo de voltar à terra que os pés pisaram.
Nos olhos, no rosto, no corpo sorrindo, nos lábios proferindo: é julho, é festa, é grande emoção. De pensar que ali estaria novamente com toda paixão. Viver o presente, retornar ao passado e do povo amigo recordar. Os dias felizes da juventude vieram à tona. Pude, então, relatar aquela época em que o velho rádio, principal meio de comunicação, fazia soar as canções da jovem guarda: “Belas tardes de domingo são doces recordações...” Das tardes em que ouvíamos o cronista Mirabeau lendo os textos que registravam o nosso cotidiano.
É dia de jogo. A moçada, toda a gente, os velhos e as crianças, unidos: é goooool! É o grito da galera que explode, acelera o coração, ecoando nos ares mais uma emoção. É Lula, é Doci, é João, é Domi, é Zezinho, é Paulinho, é o grande timão. No campo, a bola corre, balança a rede. Dos pés de muitos outros atletas vêm os prêmios para o Grêmio.
Há, ainda, outras comoções. Quem não se lembra das bailadas, dos desfiles de então? Dos paqueras intrigantes que ao som do violão em serenata, sob a luz da lua, se punham debaixo das janelas, dedilhando as notas musicais de nossos ídolos. Importante ressaltar que naquele tempo a gente “não ficava”, mas flertava, para depois namorar e só mais tarde é que assumia compromisso: noivar e casar. Assim se construíam as famílias: “a casa sobre a rocha”, buscando a Deus, levando mais a sério o amor, tão banalizado nos tempos modernos.
Naquela época, as festas também “rolavam”, as famílias se reuniam no mesmo local, no único salão. Aliás, tudo era único: um prefeito – o José Ivo; um alfaiate – o Eurico; um contador – o Ary; um dentista – o Babá e depois o Jair; um médico – o Dr. Sebastião; os Manuéis – da CEDAE e da CERJ; uma loja de tecidos – Sr Osmar e Benedito; um açougue – José de Lima; uma farmácia – Sr. City e depois José da Mata; um cartório – Sr Hylen; um hotel – D. Sinhá; e para nossa segurança, um policial – o Oswaldo. Só mais tarde foram surgindo outras lojas e outros profissionais.
Desse modo, agricultores, comerciantes, professores, todos contribuíam para o progresso do distrito. Dentre as famílias, citamos: Silva, Vieira, Ney, Rodrigues, Mendonça, Caraline, Masieiro, Maia, Iack, Almeida, Peres, Molina, Ferreira, Valeriote, Gomes, Pelage, Souza, Ximenes, Ribeiro, Verdan, Carneiro, Godinho, Leite, Carvalho, Lessa, Campos, Santos, Pavan, Curty, Vicente, Serafim, Bernardo, Estephanelly, Alves, Coelho, Neves, Marinho, Braga, e todas aquelas anônimas que até hoje, certamente, colocam como nós, seus tijolos no progresso, no avanço da civilização ubaense.
Quem não se lembra do exímio dançarino que trazia no próprio nome o estigma de nosso país: Brasil; do desfile internacional levado de Itaperuna pela ubaense de coração, Jacy Gomes Pavan; dos concursos de rainha, dentre elas, a Eliane. Momentos vividos que faziam estremecer nosso Grêmio Recreativo Ubaense.
Hoje, quando a modernidade fala em promoter, nós já o tínhamos vivamente atuante, carimbando nosso passaporte de jovens. O nosso querido promoter Ivan. Nas formaturas, nos casamentos, nos desfiles, como aquele dos anos 1970, em que os estados brasileiros se apresentaram na juventude de Luzia, Cilane, Lúcia, Marilda, Ana, Marlene, Valdéa, Anderly, Fátima, Marina, Marly, Nicéia, e tantas outras que não precisavam de passarela do Grêmio para brilhar nos dourados anos da juventude.
São muitos os jovens que constroem, que dão vida, que alegram uma cidade. Por certo, os que hoje lá residem repetem as mesmas alegrias dos Samuéis, Bismarks, Vanderleis, Edivares, Manuéis Franciscos, Josés, Hamiltons, Joselys, Joélsios, César Romero, Cremildas, Sônias, Lecys, Martas, Élcias, Adélias, Clarices, Penhas, Áureas, Veras, Marizas, Célias, Dirmas, Zezés, Léas, Conchetas e de outros amigos que deixaram saudades de um tempo em que era possível passear nas praças sem o medo aterrorizante da violência que impera em nossas cidades. “Belos tempos, belos dias!”
Amigos, quem não os possui? Ser amigo é ser peregrino, estar sempre em busca de novos companheiros. Isso acontece com todos nós. Ubá ficou para trás, mas a parceria da amizade jamais será extinta, basta relembrar o que passou, o que a memória faz renascer. Por isso, hoje é dia de festa, é dia de agradecer.
Obrigada colegas, amigos que partilharam dos mesmos sonhos, dos mesmos ideais.
Obrigada às famílias, com seus exemplos, fizeram com que a estrela da aurora apontasse um novo dia.
Obrigada São José de Ubá, porque permitiu que fizéssemos um ninho, mas nos deixou livres para voar, nos educar, ser feliz e poder amar.
Hoje, no mundo da tecnologia e da globalização, fala-se tanto em educação, fazem-se abordagens sobre sua importância no cenário mundial, avaliam-se escolas para mensurar o conhecimento dos alunos, esquecem-se da educação tradicional, em que nada disso havia, mas o aprender a aprender já era objetivo perseguido pelos nossos queridos professores: Leny, Lady, Lourinha, Celeste, Josane, Francelina, Ivan, Delma e outros que contribuíram para o aprimoramento cultural das crianças e jovens, cuja semente plantada nos idos tempos, desabrocha, ainda hoje, nas práxis profissionais em tantos municípios. É bom recordar das inspetoras Moema e Jane e do nosso cozinheiro Ibraim que fazia aquele leite saboroso, degustado por toda a meninada no nosso grupo escolar Moacir Gomes de Azevedo (hoje Maria Leny Vieira Ferreira Silva), palco de aprendizagens, de saberes e também de muitas brincadeiras.
Vale ressaltar que o ser humano é movido a olhar para o alto. E no alto do morro, sob as luzes do céu, está o padroeiro São José, protetor deste município, intercessor de nossa fé que não esmorece, que está viva pelo poder das palavras do nosso catequista, o saudoso Sr. Leandro Masieiro, e de nosso pároco, hoje nosso bispo, D. Roberto.
Aos domingos também ouvíamos pelo alto-falante ou ressoando nas praças, os cultos realizados pelo pastor Cirino, cujos filhos formavam um belo trio, entoando músicas evangélicas.
Enfim, relembrar é novamente semear: pouco, muito, tudo, para que a vida se renove, como aconteceu conosco e com ele: Jose Hylen, nosso prefeito, filho dos queridos Joaquim e Jonise. Com certeza, o menino de ontem, ao brincar pelas ruas, já vislumbrava o homem feito de hoje, o dirigente acolhedor, a autoridade maior, o executivo que está à frente deste município.
Parabéns, José Hylen, pela festa, pelo trabalho realizado com seriedade, com fiscalização, mas, sobretudo, com amor à sua terra. Você concretizou o sonho do grande idealista político, seu pai. Lá no céu, certamente, está orgulhoso de você.
Que você coloque, cada vez mais, em seu governo, não apenas o tijolo de barro, o cimento da construção, a pedra que cobre o chão, mas saiba colocar a rocha firme que é Cristo, alicerce do cristão que permeia sua vida, sobretudo na educação, que tem papel sine qua non na formação humana: construir cidadãos livres e participativos para este município ter o progresso que merece e ser modelo de justiça e de paz para outros que precisam do espelho da honestidade e do amor.

Um abraço a todos os ubaenses residentes e aos ausentes.
Que Deus nos abençoe!

Marina Caraline

Colaboração enviada por email.

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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