segunda-feira, 8 de junho de 2009

ZZ Top - Rock de Barba, Cabelo e Bigode em Zitadelle

Chris Herrmann

Primavera na Alemanha. No dia 7 de Junho de 2009, domingo, Zitadelle, um antigo Forte localizado em Mainz (próximo a Frankfurt, na Alemanha), amanhece sorrindo, ainda que com chuvas esparsas. A cidade se preparou durante meses para receber um grupo de rock bastante querido em toda a europa: ZZ Top. Formada em 1969, a banda de rock Texana teve seu início através de uma outra chamada “The Moving Sidewalks“.

Com apenas 3 membros: Billy Gibbons (vocal e guitarra) Dusty Hill (vocal e baixo) e Frank Beard (bateria), ZZ Top é sensação onde se apresenta. Teve muito destaque, principalmente, nas décadas de 70 e 80. As letras de suas músicas são satíricas e inteligentes. O som da guitarra bastante original. Billy Gibbons e Dusty Hill se apresentam com uma longa barba, óculos escuros e roupas extravagantes. A Gillette chegou a oferecê-los, em 1984, 1 milhão de dólares para que eles gravassem um comercial, logicamente sem suas barbas. Eles preferiram as barbas. Muito queridos em sua terra natal, receberam a honra da criação do dia ZZ Top.


eu presente! (foto de lothar kuhn em 7.6.2009)

Zitadelle se transformou num formigueiro de fãs e eu estava lá, impressionada com a alegria contagiante que abateu-se sobre o gramado, diante do palco. Enquanto a banda não chegava, mais fãs se aglomeravam e parecia uma romaria de chegada, sem fim. Haviam barracas de bebida e de artigos da banda, que vendiam mais que cerveja. Por volta das 20 horas, um jogo de luzes e um solo de guitarra risca o céu... seu eco cumprimentava a todos que, a esta altura deliravam, pulavam de alegria e não se importavam em parecer crianças. É ZZ Top chegando, A emoção tomou conta dos fãs que acompanhavam os maiores sucessos dançando e cantando como se fosse o último dia de suas vidas. Não eram mais expectadores, pareciam parte da banda.

Clique aqui para assistir ZZ Top no YouTube


zz top: talento e irreverência
(foto de lothar kuhn em 7.6.2009)

Muito simpáticos e irreverentes, os componentes da banda misturaram alemão e inglês para travar um pequeno e divertido diálogo com a galera. Eu também dei boas risadas. Difícil foi o concerto chegar ao fim, os pedidos de bis eram massivos e apaixonados. Naqueles momentos, não haviam diferenças nem jogos de interesses ou facções. Estas que pusessem “suas barbas de molho“. Éramos ali uma família cujo único partido, como bem disse uma vez o Byafra, era o da Arte. Uma belíssima festa de louvor ao bom e „velho“ rock clássico, que Zitadelle jamais esquecerá. E eu também não..

4 comentários:

  1. Chris, querida, que momento especial! Seu texto captura nossa atenção pela leveza, é muito gracioso.
    Beijo

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  2. Quarenta anos de ZZ Top. É um bom tempo de estrada. Ou não, se a vida começa aos 40. Rock'n'roll é eterno renovar. E eternidade é feita de momentos, que cabe à crônica, por sua vez, não deixar passar em brancas nuvens. Ou cinzentas, ou que tempo faça. O importante é que the show must go on. Chris filma com as palavras, assim como os bons roqueiros também o fazem. Para sorte deles, como não são cronistas, não precisarão colocar as barbas de molho ante o talento da Chris. De minha parte, pensarei duas vezes antes de escrever a próxima crônica.

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  3. Obrigada, Lu, é bom saber que gostou. Queria mesmo passar algo leve e, pelo visto, consegui. Que bom.

    Augusto, estou rindo muito aqui com seu bom-humor. Imagine, você um jornalista FANTÁSTICO, com uma bagagem riquíssima, dizendo isso, então é porque realmente a crônica ficou boa. Mas não precise colocar suas barbas de molho não, pois nem que eu continue treinando uns dez anos, chegarei ao seu nível de perfeição no gênero de crônica. Mas seu comentário, sem dúvida, é um incentivo para mim. Obrigada.

    Chris

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  4. Belo texto, faz-nos viajar no concerto e na experiência. Grata por compartilhar, sobretudo, a emoção de estar por lá!

    Um grande abraço.

    Ofélia

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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