sexta-feira, 17 de julho de 2009

memórias

(para virgínia e lu)



no vão da janela, o céu espia, distraída, a vida, lá dentro, desafia seu fio, vazia, vazia: um chinelo sem pé, um casaco sem braços, um copo pela metade, de chá, café, sabe-se lá...,livros meditabundos na estante, uma estátua nua, que se esconde, na sombra do abajur, do olhar cúpido do visitante indesejado, no ar, um gosto de solidão

só o olho do velho, desperto, habita a sala, vagueia, encontra os olhos curiosos do céu, pisca, arrisca-se, arremessa-se: azul com azul, mar, imensidão..., a lembrança do velho voa, salta da rocha escarpada, mergulha nas águas escuras, sente o frio de uma realidade antiga e traz, lá do fundo, um grito de espanto, um riso cristalino, mãos de ânsia estendida, boca macia que esmaga


o sol arde, é verão, e o universo solitário do avô enche-se de calor que o céu e a lembrança despertaram-lhe no coração

3 comentários:

  1. boa tarde doce Elenir agradeço a dedicatória . imagens transbordam de tua crônica e os espaços vazios são preenchidos de maneira explêdida
    de Poesia , bjs de leitora e amiga virgínia

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  2. Muito grata pela dedicatória, querida Elenir! Sua prosa poética me encantou. Beijos

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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