segunda-feira, 27 de julho de 2009

SÍNDROME DE DOWN



Fiquei sabendo que a filha da Sandra deu à luz a Clara. Amanhã vou correr ao hospital pra levar fraldas e mais fraldas.
Sandra é uma amiga, daquelas que a gente pode chorar no ombro, que tá pronta pra uma cervejinha ou um café na esquina. Que vai em todos os eventos e até no Rio de Janeiro, quando fomos comemorar o aniversário da minha comunidade, lá estava ela, de mala e cuia com a gente. É uma das pessoas mais bonitas que conheço, trabalha pra caramba, cuida de uma mãe de mais de 80 anos, está sempre às voltas com os filhos (duas moças e um rapaz), sem deixar de atendê-los em nada, e está sempre sorridente, se não tem nada a dizer, a gente tem certeza de que ela está junto, pro que der e vier.

Pois Sandra agora é Vovó, assim com "V" maiúsculo, porque tenho certeza, de que vai criar essa menina com todo o amor e generosidade que ela tem dentro de si: a menina tem síndrome de Down. Ah, um detalhe, a filha de Sandra é mãe solteira. (fiz uma crônica em sua homenagem, aproveitando a deixa do dia da Mulher, no meu site Mulheres fortes, pobres mulheres - http://www.soninhaporto.com/).

E assim é a vida, a Naná, sua filha, loira, linda, 20 anos, numa família de bom poder aquisitivo, no entanto, por caminhos tortos está trazendo Clara, que vai transformar a vida, por ser especial e por colocar à prova os corações e mentes de todos os evolvidos.

Tenho certeza de que Deus, ao seu jeito de fazer as coisas, abençoou as duas, que tenham força e coragem para seguir em frente e que em todos os momentos reaprendam a viver e encontrem a felicidade.

É um tema que instiga, e procuro informações a respeito da síndrome e da gravidez na adolescência.

Questões econômicas, carência afetiva e a falta de um projeto de vida são os fatores que levam à gravidez precoce.

Comprovam as estatísticas brasileiras que 65% das adolescentes grávidas estão entre os que detém uma renda de até um salário mínimo. Junto com a desinformação e uma educação precária, mocinhas descambam para a sexualidade precoce, sem conhecer direito o próprio corpo. Carência afetiva e falta de um projeto de vida, muito normal em adolescentes, que associadas aos outros dois fatores, só podem levar a este estado degradante dessa camada da população.
Naná está nas estatísticas, mas tem uma família que lhe dá apoio, com melhores condições financeiras e seu projeto de vida, agora é outro: Ser feliz e cuidar de uma pessoa especial. Mas ela não está sozinha, sua família e principalmente Sandra está com ela.

Quanto à Síndrome de Down, houve nas últimas décadas uma mudança na maneira de ver e compreender as deficiências, a mídia abriu a caixinha preta, com reportagens, debates, participação em programas de TV e campanhas publicitárias. O preconceito ainda existe, histórias de discriminação também, mas com certeza quem tem um ser assim tão frágil e especial para cuidar, só pode ser um escolhido de Deus.E maiores informações, agora só numa próxima crônica.
Sandra conte comigo!



Crônica de Soninha Porto

Administradora da Poemas à Flor da Pele no Brasil
Divulgadora do Proyecto Cultural Sur Brasil - núcleo Porto Alegre

6 comentários:

  1. Que lindo, Soninha! Certamente dois temas atualíssimos e doloridos. A criança da Lalá que chega a um mundo frenético, dotada de um ritmo mais lento e que já a coloca em situação de dependência de quem a ame e a ajude a seguir a roda-viva. As crianças incautas que, por desinformação ou por imprudência, preparam outras crianças, à mercê da fatalidade. À primeira, que não conheço, mas, desde já, empresto o meu amor total, desejo que seu coração seja realmente maior que o mundo e que Deus a abençoe. Às demais, auguro que, num país mais informado e com mais amor, elas aprendam que uma criança tem o direito, sempre, de ser fruto só de amor, não de dor. Beijão

    ResponderExcluir
  2. Obrigada Elenir por tuas palavras, resumistes meus sentimentos dos fatos muito bem e a dor de ver pessoas tão mal informadas a mercê da própria sorte e Naná, além da gravidez precoce terá que duplamente se susperar, como ser humano, que merece ser feliz e como mãe de uma criança especial.
    Um abraço querida.

    ResponderExcluir
  3. Minha querida Soninha, grata por nos fazer refletir sobre temas tão importantes! Muita saúde para Clara! Chegou amparada por anjos, permanecerá assim.
    Naná será muito feliz com sua filha. Desafios são caminhos para nosso amadurecimento.
    Beijos querida

    ResponderExcluir
  4. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  5. Obrigada minha amiga, auqi estou eu instigada por você, fazendo minhas croniquets... que bom que tem pessoas como vocês que leem. Beijos também pra você querida.

    ResponderExcluir
  6. ola querida. Muito bom o texto. sou pedagoga e o tema me atrai pois sou especialista no ensino especial.
    parabens.
    abçs

    ResponderExcluir

"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
...
Grata pela visita! Você é convidado a interagir.
Abraço!

Para correio: discutindo_literatura@yahoo.com.br