terça-feira, 4 de agosto de 2009

Calçadas, viaturas e máscaras

Calçadas, viaturas e máscaras


Luiz de Aquino


Existe aí um código de construções, lei específica a cada um dos quase seis mil municípios brasileiros. E a gente imagina que o que essa lei estabelece há que ser respeitado, mormente no que se refere a uma cidade com mais de um milhão de moradores. Ainda mais se tal cidade for capital estadual. Mas, parece-nos, nem mesmo o governo da cidade se lixa para isso.

Exemplifico: há muitos, muitos anos, constatei que dois condomínios na Vila Jaraguá (ali, pertinho do Parque Agropecuário) invadiram duas ruas, sem a menor cerimônia. Como jornalista, procurei diversas vezes a prefeitura, querendo saber para informar, com base em que dispositivo aquilo se deu, se a Prefeitura tinha conhecimento etc. Tinha, sim. Tem. Mas nenhuma resposta me foi dada, nem a mim nem ao cidadão pagador de impostos de qualquer natureza.

Para duplicar a avenida T-63, a prefeitura abaixou muitos centímetros no nível das ruas do setores Pedro Ludovico, Bela Vista e Bueno, também sem a menor cerimônia. E não cuidou de regularizar o nível das calçadas. Gostaria de convidar o prefeito e alguns secretários municipais para passear por esses bairros, a pé...

Como se isso não bastasse, a Polícia Militar resolveu, nos últimos anos, que deve estacionar nas calçadas, como procedimento operacional padrão. Alega que, assim, o cidadão percebe melhor a presença da viatura e dos policiais etc. e tal. Tudo bem, é claro. O cidadão percebe, sim, a presença da PM, até porque é obrigado a transitar na pista dos carros porque o carro da polícia obstrui o passeio. E como é comum policiais militares empregarem-se em empresas privadas de segurança, carros dessas empresas também param como as viaturas policiais, obrigando pedestres a andar na pista de asfalto.

Isso é segurança? E as calçadas em desnível, que obrigam as pessoas a esforços nada saudáveis? Quem me lê com relativa frequência sabe que venho reclamando providências, sem sucesso, desde os tempos em que o prefeito era Nion Albernaz, em seu segundo mandato. Que se dane o trânsito dos pedestres, pois.

Enquanto isso, o noticiário nacional ocupa-se da gripe tipo A. E a gente vê na tevê muita gente usando máscaras, com medo de morrer. Os médicos não vêem eficácia nessas máscaras, dizem que há um abuso desnecessário e tal... Mas as pessoas insistem.

Pergunto: se o medo de morrer é assim tão grande, porque essas pessoas não se protegem de outras formas? O risco de vida com essa gripe nova é da mesma ordem estatística da gripe comum, mas a gente nunca usou máscaras por isso. Morre-se muito, muito mais em acidentes de trânsito, mas as pessoas continuam dirigindo feito loucas, muitos sequer usam o cinto de segurança no banco traseiro, avançam sinais, ultrapassam na faixa contínua ou enchem a cara de álcool ou de drogas e saem matando.

Será que essa gente tem mesmo medo de morrer ou usa máscara só para ser visto na tevê?



Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail).com) é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

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Um comentário:

"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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