quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Dói nos olhos e ouvidos


Luiz de Aquino


Circula na Internet um vídeo em que a cantora Vanusa, que integrou o movimento “musical” chamado “jovem guarda”, nas décadas de 1960 e 1970, tenta cantar o Hino Nacional Brasileiro. A louríssima (ainda loura) começa imitando Fafá de Belém, mas é traída pelo talento, pela memória e pelo desapego. Pelo visto, ela sequer sabe torcer pelas seleções brasileiras de futebol e vôlei, ou pelos atletas olímpicos que, passo a passo, vêm consolidando o nome do Brasil como expressão esportiva.


A arrasadora maioria dos que se manifestam sobre a “interpretação” de Vanusa condena-lhe o feito. É sabido que preparar-se é missão de todo profissional, mais ainda de artistas músicos, atores e similares. Um agudo fora do lugar dói no ouvido. Um descaminho completo, como ela fez naquele evento de agentes públicos do Estado de São Paulo, é totalmente imperdoável. Os que a defendem inventam um mal-estar; os maliciosos falam em bebida alcoólica e até mesmo em drogas; e os inimigos do nome Brasil lhe dão razão, dizem

que a cantora fez um justo protesto contra o despreparo do presidente Lula, a corrupção institucionalizada, os descaminhos que os políticos cometem com o dinheiro público etc. e tal.


Ligo a tevê e me desespero com as invenções dos apresentadores, especialmente os esportivos (mas sem perdão aos demais) que confundem a Nação com suas concordâncias errôneas e suas regências descabidas. Não fosse o bastante, ainda vemos professores universitários inventando novas terminações para palavras usuais. Lembra o personagem Odorico Paraguaçu, na novela e na série O Bem Amado, de Dias Gomes, a trocar desinências.

A publicidade, mais que o jornalismo, é responsável por inúmeros erros repetidos à exaustão. Lá pelos idos de 1984, quando da campanha “Diretas-já”, apareceu-nos um “Muda Brasil”, sem a pontuação correta. Isso se repete ainda e até mesmo a Secretaria da Educação já bancou uma campanha “Acelera Goiás”, no mesmo molde. Agora, vejo por aí afora um não-entender o que é acento agudo e o que é crase, como “á partir de “ (com acento agudo) e a expressão “sale” em lugar de liquidação, ou “30% off” em vez de “desconto” .

Agora, canso-me de ler “Disk Pizza” e “Disk Oração”. Pergunto-me: por quê? Aonde andam os professores da Língua? Ah, eu sei! Boa parte deles, com preguiça de refinar os estudos e atualizar-se com a gramática, jogam a culpa de tudo na Linguística. Quando não, viajam na própria baba e dizem tratar-se de “liberdade poética”.

Eu, hem?!



Luiz de Aquino – http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com - é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.



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Um comentário:

  1. Desde mis BLOGS:

    --- HORAS ROTAS ---

    y

    --- AULA DE PAZ ----

    quiero presentarme

    en esta nueva apertura

    del eminente otoño.


    TE SIGO--- DISCUTINDO LITERTURA CRONICAS---


    Tiempo que aprovecho

    ahora para desear

    un feliz reingreso en

    la actividad diaria.

    Así como INVITAROS

    a mis BLOGS:

    --- HORAS ROTAS ---

    y

    --- AULA DE PAZ ----

    con el deseo de que

    estos sean del agrado

    personal.

    Momentos para compartir

    con un fuerte abrazo de

    emociones, imaginación y

    paz. Abiertos a la comunicación

    siempre.


    afectuosamente :
    LUIZ AQUINO




    jose

    ramon…

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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