quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O TEMPO



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O tempo é implacável, não deixa esquecer que as coisas passam, quando se vê já se foi...
A gente tenta que durem pra sempre, mas quando se percebe passaram. Já era!
E vamos vivendo, muitas vezes do passado, amontoando na alma as coisas boas, que deixam aquela sensação de felicidade marcadas na pele, no rosto: o primeiro vestido de noite, todo especial, o primeiro beijo, a primeira transa, o primeiro filho e tantas viagens legais, uma grana insperada, amigos inesquecíveis, a descoberta da primeira poesia.
E aquelas coisas e sentimentos que não queremos nem lembrar, as notas ruins, traições, rejeições, erros, casamentos desfeitos, tristezas, choros, solidão, verbos passados, mas que ficam martelando o presente.
Estão lá nas nossas gavetas da alma, que se abrem sem a gente querer, basta uma breve sensação e pronto! Mostram o que ali está guardado. Essas gavetas são como uma caixa de pandora, dão a tônica do nosso viver, fazem-nos sorrir ou trazem seus lamentos. De minha parte eu tento pular essa parte. Quero viver o meu melhor, dar uma espanada no que foi ruim e trazer o colorido pra meu dia-a-dia do que foi bom.
Tudo por causa do tempo, que provoca esse vai-e-vem, num desenrolar louco e azar o seu se não souber viver, não souber curtir e capturar a beleza dos momentos, vai pro espaço, sem dó.
Mas o tempo, ele ajuda a suavizar as dores, porradas da vida que não tem como não levar: Pais, amigos, conhecidos, que partem pra outros lugares e até para o infinito. Coisas ou pedaços que vamos deixando pelo caminho, perdas, derrotas, que batem duro, e quando, sem querer, lembramos, mesmo voltando a vivê-los, são mais amenos. São do ontem.
O que me dá a sensação de estar vivendo um bom tempo é a Poesia. Nela posso viajar nos meus mundos internos usando uma lente que amplia o que vivi, e neste momento único, só meu, é quando passo a peneira e deixo de lado o que não incomoda e às vezes cutuco a dor. Assim, quando o poema se forma e as letras caem na tela do computador, deixo ali um pouco de mim, tento arrancar o que sangra nas fibras e veios do meu eu e vou virando e revirando as páginas das tristezas, ânsias e mistérios construídos com o tempo. A poesia me permite um olhar melhor sobre o caminho a seguir, dá uma certa paz ao meu presente, tornando a minha carga bem mais leve. Com o tempo a meu favor, que aliás desde que comecei a escrever, sinto que cada verso cura um pouco mais o meu espírito, que foi forjado nas garras do tempo. Sorrio mais, compreendo mais e sei exatamente o que me faz feliz, não perco tempo com bobagens. O mundo está acelerado demais pra isso, com as coisas legais que temos a nosso dispor, como os recursos tecológicos atuais impensáveis até 20 e 30 anos atrás, temos que nos apressar também, deixar pra trás o que não tem mais jeito e ser mais feliz hoje, aproveitando o tempo da melhor maneira possível. Ele passa, então deixemos rastros e pedaços de coisas boas. Eu tenho uma sugestão: faça Poesia!

7 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Obrigado pelo elogio, Soninha. O trabalho que estou fazendo começou há pouco tempo (dezembro/2008) e aos poucos estou colocando tudo que eu tenho na minha coleção de HQs (gibis), filmes e livros. Também coloco várias matérias da cultura pop. Sobre o livro do Harry Potter, terminei o primeiro na semana passada. Fazia tempo que estava tomando coragem pra ler essa coleção, afinal, depois que li a trilogia do Senhor dos Anéis e assisti aos filmes, é complicado ler algo no estilo "bruxo de ser" do Harry. rsrs. Ah! Parabéns pelo seu trabalho e obrigado pela sua visita. Abraços.

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  3. perdamos la fe en el tiempo y abramos la fe en la libertad

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  4. Que texto maravilhoso! Como ja me peguei refletindo sobre o tempo...
    Parabéns!
    abçs

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  5. querida Poetamiga e Escritora Soninha,
    mais uma vez nos brinda com deliciosa Crônica, muito obrigada, abraço de afeto e admiração sinceros

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  6. Obrigada pelas mensagens, bom conhecer outras pessoas e sentir o carinho dos amigos de sempre, beijus.

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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