domingo, 25 de outubro de 2009

Negociações


* além mar virgínia

Chronos, como pedir-te que amplies e dê-me, algumas horas a mais, Para que as quero ? Ora que pergunta implicante, creio não sou a única reclamante ... Ah! Diz-me que gasto-te levianamente . Estás certo, mas ouça meu argumento ; Sirvo a algumas atividades, entre estas à Poesia, o trabalho que me dá sustento, também sou filho, irmão, pai , jardineiro, amigo... Sabes, como não somos deuses, e vivemos entre humanos e para tanto tem-se que retribuir atenções, pescar outras, abrir o peito e, aí a coisa pega, ao abri-lo perdemos noção e tuas filhas horas, netos minutos, bisnetos segundos, nem todos eles dão conta do tanto que a mente e coração correm e, vão longe pois transforma-se em asas, nadadeiras, hélices e por aí afora, levando-nos à reminiscências e universos íntimos de proporções inimagináveis. Ah! Imaginas, então compreendes que para viver intensamente o sentido e decifrar o enigma de estar vivo, necessitamos de algum empréstimo. Estou com algum crédito, ou continuo em débito ? Devo recorrer a algum súdito ou representante ? Outro problema que exige algum adicional, porque apresentar-me diante a algum outro requer maquiagem, palavra concisa, correta, o que neste momento me falta...E por falar em momento esta conversa já engoliu alguns. Negociar, negociar...Estou bem cansada de fazê-lo e, com isso ocupo-me ante aos homens e exige, creia-me, bem mais delicadeza do ante a ti ...Empunharei alguma retórica que já esqueci onde guardei, em outra ocasião. Acontece frequentemente de esquecer onde coloco letra, papéis pouco utilizados. Desleixo, não meu senhor, cuidado ! Sim um equívoco, mas justifico; Sem viajar, no cofre não coloco, escondo entre livros, sob o tapete, numa gaveta e, como são tantos os esconderijos, como saber o que ia na mente num momento de estupidez e medo de que alguém revistasse os cômodos em busca das tais preciosidades...Desisto , o telefone já tocou quatro vezes, não atendi por estar contigo, o sol saiu, a campanhinha tocou, uma mensagem nova de E mail requer urgência e, ademais a música acabou...Não foi desta vez que surtiu bom resultado esta tentativa insólita de sensibilizar-te. Em futuro próximo encontro, prometo, virei mais bem preparada e, quem sabe com uma Poesia seduza-te, e me dês sem hesitar, um par de horas para ter com àqueles que me solicitam; deixei-os na sala de espera a algumas semanas , ou seriam meses...Decididamente, já era de meu conhecimento, que quando setembro chega, o ano engata a quinta marcha, os sinais de atenção desrespeita, ganha pista e decola feito supersônico ou algum jato ainda mais veloz ...

Nota- lembrando que a palavra crônica origina-se de Chronos
imagem Chronos -fonte internet - desconheço autoria da obra

2 comentários:

  1. Belíssimo texto, poetisa conterrânea! encantada! encantada, meu carinho e linda tarde!
    Elischa Dewes

    ResponderExcluir
  2. Que prazeroso é te ler Virgínia querida!
    É sensacional a liberdade com que escreve
    e a suavidade com que discorre em assuntos
    por vezes complicados!
    Que Chronos atenda seu pedido para que
    tenhamos mais arte poesia e encantamento
    em nossos dias
    Grata por este teu compartilhar Iluminado
    Virgínia muito querida

    Beijinhos carinhosos da Li que te admira de montão

    ResponderExcluir

"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
...
Grata pela visita! Você é convidado a interagir.
Abraço!

Para correio: discutindo_literatura@yahoo.com.br