terça-feira, 6 de outubro de 2009

Pirenópolis, Meia-Ponte, outra vez...


Luiz de Aquino


Dia de recapitular a vida, ou, pelo menos, parte dela…

Para a publicação de hoje, escrevo ontem, é claro! Quero dizer que hoje é quarta-feira, dia 7 de outubro, data em que Pirenópolis foi fundada, em 1727. Então, ontem é o hoje da minha escrita, dia 6 de outubro de 2009, dia em que festejo 31 anos...

Calma, Leda(ê) Selma! Eu, pessoa, tenho 64 anos, desde aquelas vésperas de Primavera, em Caldas Novas, manhã de sábado “et cetera”, como já escrevi em várias versões. Meu aniversário de 31 anos não é virginiano, mas libriano. Foi no 6 de outubro, em 1978, que estreei em livro. Meu “primogênito”, que se chamou “O Cerco e Outros Casos”, veio a lume com revisão, prefácio e discurso inflamado e belíssimo na noite de autógrafos pelo talento do saudoso Professor Gomes Filho.

Quando escrevo aqui Professor em inicial maiúscula, faço-o em louvor a três dispositivos: o primeiro deles, porque a missão do professor reveste-se de um sacerdócio sagrado, daí o meu sentimento de sacralidade ante o termo; o segundo, em respeito ao que dispõe o acordo que tenta unificar a grafia nos países lusófonos, permitindo-nos enaltecer em maiúsculas algumas profissões e ofícios. Por fim, refiro-me a Gomes Filho, o Joaquim, em quem a palavra Professor entrou em lugar do prenome, com justiça e carinho.


Hoje, feriado e festa na vetusta Meia-Ponte do Rosário; ontem, dia 6, momento da minha escrita. E ao escrever, cumpro duplamente o silêncio destes minutos, com o segundo plano funcionando feito auto-homenagem. Se às pessoas comuns isso nada significa, os escribas me compreendem. Os leitores aficionados, estes entendem-me mais nitidamente. Sabem bem que parir um livro dói. É dor de concepção e gestação, alegria, emoção, surpresa, expectativa, encontro. Encontro do ego com o mundo externo. Um parto, mesmo. E quem são os pais e mães que se furtam de festejar os aniversários dos filhos?

Festejar “O Cerco” (que teve segunda edição em 2003, com o nome assim reduzido, para festejar o Jubileu de Prata) é festejar o desvirginamento. Não a quebra de um metafórico hímen, de fora para dentro, mas o rasgar da trava de dentro para fora. É uma imagem legítima, essa: o autor tira de dentro de si para expor ao mundo possível.

Em 1978, tive o amparo do prefeito Altamir Mendonça, que patrocinou parte do meu tímido livro de estreia; agora, tenho o apoio decisivo de Nivaldo Melo e Eli de Sá, prefeito e presidente da Câmara de Pirenópolis. Decisivo, também, foi a atuação do meu primo Luiz Antônio Godinho, eterno apaixonado por coisas de cultura (principalmente quando se trata de Pirenópolis) e do secretário de Cultura, Gedson de Oliveira.

A estes, o meu abraço de gratidão e a minha homenagem simples nestas linhas. Nossa terra, Pirenópolis, merece nosso empenho e nosso sacrifício. Na última segunda-feira, visitei o Centro de Dcomentação (CEDOC) do jornal “O Popular”, onde localizei alguns dos meus primeiros escritos. Lá, encontrei uma crônica louvando meu reencontro com meu pai, o “Véi Raé”, após cinco anos de ausência minha (esse reencontro, na véspera do Natal dos meus 15 anos). Achei também alguns contos meus e, particularmente, um dos meus primeiros textos sobre Pirenópolis: “Tem maromba, ronqueira e banda-de-couro”. Era agosto de 1974.

E foi também entre os colegas de “O Popular” que pincei o Jorge Braga para ilustrar “O Cerco”. Assim, e sem querer, meu livro debutante marcou outros estreantes. Foi o primeiro livro ilustrado por Jorge Braga. E na próxima sexta-feira, depois de amanhã, dia 9 de outubro, o cartunista mais festejado de Goiás receberá, junto comigo, o título de Cidadão Pirenopolino.

Mais um brinde, velho Jorge!



Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail.com) é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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