quinta-feira, 11 de novembro de 2010

MEU COMPUTADOR

Por Soninha Porto*

 A tela plana, pequena, aliada às tantas teclas e a tantos momentos, modificaram e, ainda, influenciam diretamente o meu dia-a-dia. Passar um dia sequer, sem acessá-la, nem pensar. Comprei até um netbook, para estar por dentro do que recebo pelo mundinho virtual. O pequeno artefato  cabe na minha bolsa e carrego, por onde for, o prazer que o computador me traz.
Alço voo, viajo a terras longínquas do mundo e da minha imaginação, numa comunicação veloz, inimaginável em tempos de outrora, com tantas pessoas, de tantos lugares, num simples toques de dedos e teclas. Esse contato, matinal, vesperal e “noturníco” e, por vezes madrugada afora, preenchem meus vazios. Tornou-me produtiva. O tempo, dividido entre os afazeres da casa e com meu filho aborrecentenet, abre-se todos os dias a novos desafios, são surpresas e fatos, que me enchem de entusiasmo e nos quais aventuro-me, ouso, em versos e pela vida, sempre tendo em mente criar e compartilhar, onde uso e abuso de minha língua-mãe.
Dizer que estamos vivendo numa era de tecnologia avançada, é clichê, mas analisando o meu computador, tenho uma relação amorosa com ele, tornou-se indispensável e admiro o que provoca em mim e nas vidas de tantos, por ter algo de democrático, pois sem sombra de dúvidas, é  acessível a grande maioria de pessoas. Considero isso uma grande bênção.
Engraçado, que essa coisinha esperta, nem passava pela minha cabeça, até o final do século XX. Hoje é uma das ferramentas imprescindíveis em minha vida, e formou  um divisor perfeito entre o antes e o pós ponto com (.com).
Até 2002, meu amigos e meus amores, eram aqueles conquistados durante toda uma vida, os do colégio e trabalho, e ao contá-los, mal enchiam as duas mãos. No entanto, passados esses anos de experiências internáuticas, tenho centenas de amigos, de quase todos os lugares do mundo. Amores? Sim, alguns, mas esses continuam tão complicados, quanto (risos). Converso com meus amigos pelas redes sociais, por e-mails, pelos tópicos do orkut, em eventos que realizamos pelas cidades brasileiras, inclusive em Porto Alegre e vamos formando um grande batalhão, de pessoas que precisam umas das outras, que tem sede de embriagar-se em poesia e tem fome de quê? De serem ouvidas, de se saberem vivas, de ter nem que seja por instantes, a atenção para si e suas criações .
A comunidade Poemas à Flor da Pele, do Orkut, tem milhares de pessoas, que curtem o que curto, a poesia. Ganhei de presente de Nathália, uma amiga virtual, que ainda não tive o prazer de conhecer. É verdade. Ela é de Ribeirão preto, mas nem imagina o quanto a Poemas é tudo, Nat tornou-se eternamente responsável por essa felicidade toda que carrego.
Como não ser feliz se desconhecidos, mas amigos de fé de coração, te enchem de mimos? Como poderia imaginar que por criar simples versos, eu receberia de presente essa dádiva que é a Poemas? Nos tópicos criados para  amigos, já fizemos num final de semana 2 mil postagens,  só criando versos, é mole? Tudo virtual, mas tão real...
Atualmente, sou considerada poeta e escritora, por escrever e ter lançado meu primeiro livro, o doEU. Outro fato, que nem passava pela minha cabeça, quando eu ia imaginar que  escreveria  um livro?  
E ainda chamam-me de ativista cultural, pois com a Poemas lançei 3 volumes da Antologia Poemas à Flor da Pele, que virou uma coleção das mais respeitadas nos meios literários, onde centenas de pessoas, poetas e escritores, da Alemanha, Brasil, Portugal e Suíça estão nela, com versos e mais versos, tudo à flor da pele. E pasmem, todo o material foi trabalhado pela internet. Não é maravilhoso? 
Conquistamos um espaço maior com a internet, somos ouvidos ao longe, mas tudo fica muito, mas muito perto do coração. Ser poeta, escritora, ativista, colunista e o escambal, são nomes bonitos, são atividades que surgiram sem querer, mas o que importa mesmo é poder expressar-se de todas as formas, por versos, por crônicas, ou num simples oi, e compartilhar com pessoas de todas as raças, religiões e opções políticas, o que faço e o que penso sobre a vida.
E amigos virtuais, alguns já tão reais e tão necessários ao meu viver, conquistados pelas páginas da internet e em inúmeros eventos, onde nos encontramos, tornam  plena de emoções, beleza e poesia a minha vida. E tudo isso perpetua-se: rostos, momentos, poemas, abraços, beijos, livros, frutos colhidos diariamente pelo meu computador. 


imagem colhida no blog, mas ela é tão apropriada, que espero que  o autor não se zangue de  eu  usá-la.
http://rinnaldoalves.blogspot.com 

* Soninha Porto, escritora e poeta, gaúcha de Porto Alegre, 
administra a comunidade Poemas à Flor da Pele

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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