sábado, 23 de janeiro de 2010

Fundamentais...

Ouvi dizer que falar não basta e que agir é fundamental, como o resto isto também é muito relativo, penso... Sabemos que basta erguer um dedo para que haja interferência. Por vezes calar e não agir é essencial. Em algumas circunstâncias é preciso distanciar, abster-se de ação dando espaço-tempo ao evento que está em andamento. Mas a ansiedade e nossa crença em atitudes fortes, decisivas muitas vezes impedem que a natureza se encarregue, ou melhor que a vida flua e que a sabedoria intrínseca seja atuante.
Bastante difícil é para mente ocidental entender a ação na não ação e, talvez até ao oriente esta sabedoria venha se perdendo. Restrinjo-me a estas poucas linhas hoje, guardando desta forma minhas palavras que julgo dispensáveis diante ao que tem sido construído de forma inteligente e bastante eficaz.
Resguardo um sopro de Poesia e como se sábia fosse capaz de portar-me, ainda deixo-os ao sabor do perfume do jardim, este que a meu perceber possui tons, ensinamentos sobre tempo e ação fundamentais ...Ainda assim creio...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

5 anos do CAFÉ FILOSÓFICO ´DAS QUATRO´


Há 5 anos lancei a idéia da criação de uma comunidade no Orkut.com onde pudéssemos discutir assuntos diversos, com ênfase em filosofia e cultura, dirigida por 4 amigas. Com o tempo, contamos com o apoio de membros da comunidade para a administração e moderação. Criamos concursos, fizemos diversas entrevistas, lançamos livros impressos, criamos a Homepage da comunidade, o blog Jornal do CF4, editamos vídeos. E nasceram comunidades coligadas, como a Orkultural (ligada à coluna homônima) e a Sociedade dos Pássaros-Poetas. Trovadores Noturnos também se juntou a nós, assim como a Discutindo Literatura, O Ícaro e Borboleta, e outras queridas.

Recentemente, o professor Pedro Lyra (poeta, ensaísta e crítico literário, que já foi um de nossos entrevistados), convidou o CF4 e a comunidade Discutindo Literatura (da Luciana Pessanha) para que fizéssemos um apanhado de nossas entrevistas e também um ensaio sobre a nossa experiência na moderação de comunidades virtuais para uma publicação impressa. Este trabalho já está pronto e sendo editado. Em breve será lançado com exclusividade na revista Tempo Brasileiro.

Hoje, estamos colhendo os frutos de um ambiente propício à liberdade de expressão com respeito às divergências de opinião, como sempre foi a marca da comunidade.

Eu, assim como as outras 3 ´das Quatro´, o corpo de moderadores que nos apóiam e também com a administração, estamos muito satisfeitos com os resultados. Recebemos também um ótimo ´feedback´ dos membros através de e-mails dirigidos à administração da comunidade.

Manifesto aqui meu agradecimento profundo às três amigas Soraya Vieira, Edith Janete Schaefer, Katia Ceregato, bem como à Andrea Lucia, Marcia Uchôa, Maristela e Sonia Salim pelo carinho e apoio de sempre. Incluo também todos os membros que sempre apoiaram nossa comunidade ao longo desses 5 anos, seja na moderação, nas entrevistas ou na administração: Durval Castro, Teresa Mavignier, Marcia Beraldo, Claudete Shinohara, Rita Blue, Marcelo Mourão.

São muitas as pessoas que ajudaram a apurar o sabor do nosso cafezinho de cada dia.
Aproveito a oportunidade para agradecer, também, a:

Denise Moraes, moderadora que contribui massivamente com nossas entrevistas culturais;

Silvia Vitória e Sonia Ortega, duas moderadoras também muito queridas que tivemos;

Fabio Vale, que durante um bom tempo ajudou a administrar nossa comunidade;

Rosana Buarque, que contribuiu muito com vídeos dedicados ao CF4 e seus entrevistados;

Todos os entrevistados que já tivemos desde a criação do Café e a todos os membros que participam ativamente contribuindo para o enriquecimento dos debates (seria uma infindável lista de nomes, mas todos eles sabem que são muito queridos por nós).

A todos vocês meu agradecimento especial.

Um grande abraço.


Chris Herrmann
Fundadora do CF4

[o avatar do CF4 foi gentilmente decorado para o aniversário pela Katia Ceregatto, uma ´das quatro´ do Café.]


sábado, 9 de janeiro de 2010

De césares e de aviões

De césares e de aviões


Luiz de Aquino

Tem dias que a gente se sente / como quem partiu ou morreu...

Era 1967, o histórico Festival da Record. Chico escreveu e compôs, e o MPB-4 cantou para o enleio de quem pôde ouvir. Eram os primeiros meses do marechal Costa e Silva na cadeira de presidente da República, num período interrompido por uma suposta doença... A truculência de Costa e Silva ensejou (eta! Essa é antiga...) uma revisão dos conceitos sobre o primeiro marechal, Castello Branco. Chegou-se a tê-lo em conta de “um democrata”, no contraponto aos empurrões e trombadas de Costa e Silva. O terceiro, general Médici, fez de Costa e Silva um ingênuo... o regime endureceu pra valer.

Pois bem, os versos do pós adolescente Chico, naquele festival de 1967 (o irmão de Miúcha tinha 23 anos) davam bem a pista. O moço poeta escreveria muitas canções de síndrome romântica e conteúdo político, na linha da resistência ao arbítrio. Ele e mais um punhado de bons compositores, quase todos nascidos na década de 1940. Claro, havia exceções; alguns preferiam o suingue à ginga e bem-conviver com os quartéis; outros faziam a linha bom-mocinho, simpáticos às mamães e vovós, a decantar “uma jóia pendurada num cordão”.

Felizmente havia Chico e Sidney Muller, Vandré e Gonzaguinha e Henfil e Millor e um montão de pensantes conscientes. Aos que cantavam sem ser molestados, restou a alegria do enriquecimento, mas a História sabe bem em que estante arquivá-los.

“Acorda, amor / eu tive um pesadelo agora / sonhei que tinha gente lá fora...” – era Chico outra vez, noutro libelo denunciador. Outros cantavam uma “velha calça desbotada ou coisa assim”. A ditadura seguia seu destino, atingia o ápice, perseguindo e prendendo, arrebentando e matando. Logicamente, a resistência também deixou seu rastro de violência. Afinal, ninguém respondia a tiros recitando um pai-nosso (certa vez, um grupo de estudantes cantou o Hino Nacional enquanto a tropa fardada e montada partia para o ataque; o Hino foi silenciado a porradas e, a partir daí, surgiram as bolas de gude para desequilibrar os cavalos).

Lembro isso enquanto ouço no automóvel a notícia, Zé Ramalho... O presidente Lula, decidiu ignorar o parecer do pessoal da Aeronáutica sobre os aviões de caça a serem comprados para modernizar a frota de defesa aérea, prefere agir politicamente e fazer sorrir o companheiro Sarcozy. O ministro civil da Defesa, Jobim, faz coro. Estranhamente, o mesmo Jobim, uma semana antes, afrontou o Presidente da República que pretendia, de modo inédito, investigar a tortura no tempo do regime militar.

Claro: ele mordeu, agora sopra.

Mas Lula precisa mostrar que tem juízo e acatar o parecer dos oficiais da FAB. Não se faz agrado numa situação dessas. Quem somos nós, leigos, para contestar laudos técnicos?

Mas o ministro Jobim, ao alinhar-se com os comandantes militares, pisou no tomate. Poxa! E com esse nome!... Vemos que há Jobim genial e o chupim... Será que o escrivão errou ao registrar o ministro, hem? O governo precisa mesmo revisar a tortura. E revisar também as pensões a anistiados. Nem todo herói da resistência faz jus ao nome. Nem todo oficial militar com 60 a 100 anos foi torturador. Muitos foram os militares vitimados pela perseguição dos quartéis. E são muitos os civis que deram um jeitinho de se listar como perseguido político para ganhar indenização ou pensão.

A César o que é de César; e a Santos-Dumont o que lhe é de ofício. Quando a Jobim... Prefiro esse nome no cancioneiro nacional (aí, é gênio!).


Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail.com) é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.