quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Singelo passeio


No caminho da vila a pequena casa abriu-se como flor, dela vertia o aroma de geléia fresca, e o rumor de crianças ao redor da mesa na tarde de quinta feira. Legumes e flores ladeavam a entrada desconsertando os sentidos. Charmosas borboletas davam ao pequeno jardim o movimento encantador. Na simplicidade, ainda desertas de folhas algumas trepadeiras exibiam alguma cor anunciando o final do rigoroso inverno.
Da estrada o olhar não se continha e deflorava a privacidade da doçura ímpar.
Alguns brinquedos dormiam esquecidos, entre os cascalhos, guardando um certo pudor,como o que habita o rosto do poeta ao ver-se diante da amada com seu poema no bolso, sem a coragem de faze-lo presente em todo ser ardor.

Um pouco anestesiada pelo espanto pensou ; hoje duvido um pouco das letras que não criam asas e não se dão a colorir jardins, não bordam almofadas, não enchem lares com aromas e esplendor .

Espectador de moradas de Bougainvilles na alameda, como o rapaz que contempla o por de sol e acredita que os sonhos são fibras dos olhos que se alongam e criam vida, a moça sorri e volta para casa contando estrelas e sementes de amor que encontrou.

Imagem créditos sharon maia wilson

13 comentários:

  1. Que lindo! Simples e suave. Adorei!

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  2. Singelo passeio, que texto delicado e aconchegante, ler este neste dia que vai tomando corpo ao Universo, foi o meu melhor sem reverso.
    Obrigada Virginia por dividir este evento Singelo passeio.
    Eu estou viajando, e quando retornar aviso,
    com afeto,
    Efigênia Coutinho

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  3. Virginia;
    Como habitualmente, e sempre surpreendentemente, tuas palavras me enchem de esperança o coração, me fazem sentir a presença de ausências, saudades, me trazem certeza de que estamos irremediavelmente ligadas, mesmo distantes do convívio diário...
    Linda cena, maravilhosa descrição, tão bem pintada quento com as tintas e cores...
    Grande abraço com afeto e amizade eterna,
    Juliana

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  4. Querida Virgínia,
    Em devaneio senti o aroma da geléia e dos legumes, teu texto me fêz sonhar....
    Abraços quase primaveris,
    Mariah de Olivieri

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  5. a vida renova-se à suas leituras amigas Escritoras e mestras tão queridas Efigênia, Julianinha e Mariah, muito obrigada por mais esta gentil oxigenação, abraços

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  6. Ah! Que delícia, amiga Virgínia! Prosa poética repleta de aromas. Um primor! Parabéns, querida! Beijos

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  7. Maria Lucia de Almeida22 de agosto de 2009 13:43

    Delicado o seu texto, Virgínia. Gostei muito!
    abraços poéticos
    da
    Maria Lucia

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  8. Luciana e Maria Lucia vcs. são muuito gentis e amigas , muito obrigada , abraços

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  9. Agradeço o belíssimo passeio que acabo de usufruir...Uma brandura, uma calma, uma alegria,cheiros,cores, abraços invadiram minha alma ,me enchendo de paz e aconchego!
    As palavras entraram dançando nessa imagem , ou a imagem entrou nas palavras , uma perfeita fusão que refletiu muito amor!Parabéns e muito obrigado por esse belo presente!!! rosane

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  10. Querida Virgínia, só hoje li. Estive contigo, ali, dividindo a paisagem. Delicadeza. Pura sinestesia. Chamam a isso impressionismo. Eu chamo comunhão. Beijos

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  11. Vi minha querida Amiga e poetinha feiticeira!
    Tens o dom de me fazer voar em tua arte
    É impossível segurar minha alma quando te leio
    Mas não me preocupo nem peço para que cuide dela
    Sei que está no lugar que ela mais se liberta em sorrisos
    que é no jardim da tua inspiração...
    Parabéns Vi! Ficou um deslumbre essa tua postagem
    E eu fico atrapalhada para dizer o tanto que gostei...risos
    Eternamente agradecida pelo delicioso passeio

    Beijinhos em revoadas de carinho da Li que te Adora e te Admira muito muito

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  12. MAGAMESTRA QUERIDA, SEMPRE SUAVES E CATIVANTES TEXTOS. PARABENS MINHA LINDA!
    ESPERO SUA VISITA.
    ABÇS TERNOS
    Marcia

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  13. Quanta suavidade e poesia em sua prosa, querida Virgínia. Obrigada pelo presente!
    Beijos,
    Chris

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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