terça-feira, 28 de agosto de 2012

À Galope...



À Galope... 

* virgínia vicamf Publicado em WEB ARTIGOS 

Agosto é um potro selvagem, em suas crinas levou meu pai para percorrer as coxilhas do céu, este filho de Emílio Fulber e Carolina Momberger, neto de Guilherme e Catharina Fulber e de Jacob e Margarida Momberger. Foi em agosto também que nasceu aquele que veio a ser o pai de meu filho, por sua vez livre como os bravos Ulisses que ouvem sereias, enfrentam a fúria de Posêidon e custam a retornar à terra natal apesar da proteção de Atena e avisos do próprio Hermes ... 

Fato é que os cavalos sempre estiveram presentes em minha história de vida. Meu avô materno, Theobaldo Schossler, nascido em uma região de colonização açoriana, era um gaúcho convicto, estancieiro, andava sempre de bombachas, lenço de seda no pescoço inverno e verão, jamais o vi com roupa convencional. Tocava seu Acordeon , instrumento musical aerofone de origem alemã, jogava cartas com os amigos, amava e criava cavalos, as corridas e portanto possuía uma cancha reta** em sua propriedade. 

Acordava cedo , fazia o fogo junto ao qual sentava-se e fumava seu cigarro de palha, segurava-me no colo e com carinho imenso cantava “ menina bonita, perninha grossa, vestido curto, papai não gosta...”, batia na ponta de meus chinelinhos para que estes não caíssem de meus pés, enquanto ele balançava-me imitando o cavalgar de um potrilho domesticado. Era em início de agosto, final das férias de inverno, que com ele passava tempos memoráveis e com meus primos que tinham uma banda musical. Minha estadia entre eles era uma festa de peraltices, fuçava em seus instrumentos musicais, em suas bicicletas, motocicletas, nos cavalos, sem autorização, bagunçando, desafinando o que causava muitas risadas, pois denunciava-me e minha curiosidade e irreverência os encantava. Sim há muito gosto de agosto nas brisas que melam meus dias...

Nelas inexistem melancolias mas são plenas de magia como o corpo das éguas prenhas tão bem tratadas por meu avô. Há o sabor das noites de jogos em família na casa grande, adoçadas com as broas de minha avó materna Florentina Vier Sehn, filha de um proprietário de padaria, o que a tornou excelente comerciante, doceira e simpática com toda gente. 

Agosto também é musical como o vento minuano entre eucaliptos, canaviais e como os córregos e temporais na estância. Galopa, galopa ligeiro para longe oitavo mês gregoriano, continua tua jornada e leva contigo meu abraço a todos que estão além de minha vista, além céu e mar... 

Notas -*Carolina Momberger Fulber minha avó paterna não conheci visto ter falecido prematuramente aos trinta e poucos anos de idade quando meu pai tinha catorze anos. 

 ** cancha reta- Penca, é um termo regional que ,em turfe, define a competição de corrida de cavalos em cancha reta, em geral com trilhos individuais para cada animal. A prova desenrola-se em geralmente em dois dias seguidos: no primeiro disputam-se as eliminatórias - também chamadas ternos, e no segundo, a final - também chamada desempate - entre os vencedores do dia anterior. As distâncias do percurso são curtas, em geral abaixo de 700 metros. É a modalidade de corrida de cavalos mais popular no interior do Brasil. As corridas podem estar vinculadas a entidades turfísticas oficiais ou não. Os animais que competem, dependendo da entidade que organiza podem ser Thoroughbreds, Quarto de Milha ou mestiços, inclusive de Crioulos. As apostas costumam ser feitas pela modalidade de remate (onde é leiloado o direito de apostar em determinado animal). - 

Avalie o texto Publicado em WEB ARTIGOS http://www.webartigos.com/artigos/a-galope/94695
 
Ilustração Obra do Artista Vasko Taškovski, was born on 31 August 1937 in the village of Nižopole, Bitola-





Um comentário:

  1. Olá! Passando para agradecer e retribuir sua visita ao Saiba História. Parabéns pelo blog!
    Abraços,

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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