sábado, 15 de agosto de 2009

A brisa, o frescor, a esperança

"Foi poeta - sonhou - e amou na vida."
(Álvares de Azevedo)

Apesar de curta, a vida deve ser repleta de sonhos e de sensibilidade para ganhar significado. Deve ter cantigas, risos, rumores, despertamentos. Também danças, fogueiras acesas, mesas postas, campo lavrado e casa limpa.
Cada dia deve cumprir as promessas da aurora. Há de ter algum caminho, como nos escreveu Mário de Andrade, para nos arrancar do peito as angústias e devolver a brisa, o frescor, a esperança.
Drummond, em seu poema O enterrado vivo, escreveu: "sempre dentro de mim meu inimigo". Em Confidência do itabirano também disse: "E o hábito de sofrer, que tanto me diverte é doce herança." Parece que nossos dramas são produzidos ou consentidos por nós mesmos.
Pôr o sonho no navio e deixá-lo naufragar, como pontuou Cecília Meireles, é entregar-se às contigências, fugir das responsabilidades, cruzar os braços, enevoar a visão.
Dante Milano em seu poema Sombra no ar, fala-nos a respeito da eterna procura humana. Visconde de Taunay vaticinou que "mil coisas imprevistas nos esperam nos muitos meandros da existência".
As nossas expectativas se avolumam. Reconhecemos a necessidade de sonhar e de mover o destino dos barcos e das velas. Que nosso mundo interior não se escureça, que o desânimo não se faça muralha ou fosso de víboras.
É preciso certas manobras para ganhar força e dar à vida sentido e gosto.

(Luciana Pessanha Pires)

8 comentários:

  1. lindas, belas e sábias palavras. Parabens!
    bju

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  2. Lindas palavras, Lu!
    Se viver é preciso, sonhar ainda mais...desde que façamos também um esforço ( mesmo que pequeno) no sentido da concretização.
    Parbéns e meu beijo!
    Maria Lucia

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  3. Luminosa como sempre Luciana , arregacemos as mangas e ajeitemos as velas!
    um brinde extra por nos oferecer tão nobre companhia, bjs agradecidos

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  4. Marcia, Maria Lucia, Virgínia! Minhas queridas, muito grata. Bom domingo! Beijos

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  5. Sua crônica ilumina a quem lê.Obrigada!
    Eloisa Helena

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  6. Belo texto, Lu! Confirma a tese da Vanessa da Mata, que eu adotei como mantra e fala sobre as "expectativas desleais", que não trazem paz e não levam a lugar algum. É preciso ter ambição, é preciso ser forte, mas também é fundamental ser flexível, saber jogar e com as armas certas. Continuamos na batalha, sempre. A vida está aí, vale desfrutar cada momento, cada "bela coisa simples" que surgir.

    Beijos e afeto

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  7. Que deliciosa Crônica Luciana!
    Repleta de estrelinhas...Adorei!
    Te ler é sempre um grande incentivo
    e um prazer enorme minha querida poeta

    beijinhos carinhosos
    da Eliana

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"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."

(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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