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quarta-feira, 25 de março de 2020

PECCATUM - novo Romance lançado por Chris Herrmann

Peccatum - Ed. Arribaçã, 2020


Release oficial do Romance PECCATUM
- Editora Arribaçã, 2020


CHRIS HERRMANN LANÇA ROMANCE  “PECCATUM“
VIRTUALMENTE POR CAUSA DO CORONAVÍRUS

​A escritora Chris Herrmann está lançando, virtualmente, o livro “Peccatum”, seu novo romance. O lançamento nacional da obra seria no mês de julho, em João Pessoa, mas Chris, que está radicada na Alemanha, preferiu cancelar o evento em função dos cuidados recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) por conta da disseminação do coronavírus. O lançamento virtual acontece em página do Facebook com o título “Peccatum” e a obra está sendo vendida no site da Arribaçã Editora:

​De que trata “Peccatum”? O que significa o pecado? Carolina passa sua vida às voltas com esta pergunta. Aquela mulher católica, com uma fé inabalável e engajada nos projetos sociais promovidos pela igreja era admirada por uns e invejada por outros no município de Coleirinhos, interior da Bahia. Casada com um militar em plena época da ditadura, ela se apaixona secretamente por uma mulher no ano de 1973. A partir daí, seu mundo de valores começa a desabar. Mas ela não pode dar a perceber.

​“Trata-se de um romance realista, escrito em linguagem quase coloquial, fluida, em alguns momentos poética, como não poderia deixar de ser levando-se em conta o currículo da autora, sobre a paixão entre duas mulheres, uma delas casada com um militar e extremamente religiosa, com princípios rígidos e uma noção muito estreita de pecado”, define Rosângela Vieira Rocha no prefácio de “Peccatum”.


​Com selo da Arribaçã Editora, a obra, com 110 páginas, tem prefácio da escritora Rosângela Vieira da Rocha, capa de Leonardo Guedes, programação visual de Aristóteles Alves e impressão da gráfica Ideal.

CHRIS HERRMANN é escritora/poeta carioca, musicista e musicoterapeuta. Residente na Alemanha desde 1996, possui hoje dupla nacionalidade. Estudou Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Teoria Musical e Piano no Conservatório Brasileiro de Música e a Pós-Graduação Musikgeragogik (Educação Musical e Musicoterapia para 3ª Idade) na Universidade de Münster, Alemanha. Publicou os livros de poemas “Voos de Borboleta” (1ª edição, Protexto, 2009 – 2ª edição, Tubap/Clube de Autores, 2015), “Na Rota do Hai y Kai” (Tubap, 2015), “Gota a Gota”(Scenarium, 2016), “Cara de Lua” (Sangre Editorial/Mulheres Emergentes, 2019); e o romance “Borboleta – a menina que lia poesia”(Patuá, 2018). Em Junho de 2019 teve sua prosa-protesto “Dizem que não podemos falar”publicada na edição especial do Zine Bellzebuuusob o tema Censura, lançado em Belo Horizonte. Editora de blogues, organizou e participou de diversas antologias de poesia no Brasil em parceria com o Congresso Brasileiro de Poesia (2006 e 2007). Idealizou a capa e foi uma das organizadoras da antologia “Sobre Lagartas e Borboletas”, juntamente com Adriana Aneli, Adriane Garcia e Maria Balé (Tubap/Scenarium, 2015). Participou também de antologias nos EUA e Espanha. Foi colunista do portal literário Blocos Online e nos últimos anos tem colaborado com prosa e poemas publicados nas revistas eletrônicas como Mallarmargens, Zona da Palavra, Scenarium Plural, Algo a Dizer, Germina, Literatura & Fechadura, entre outras. Criadora e editora da Revista Ser MulherArte - www.sermulherarte.com

SOBRE A ARRIBAÇÃ EDITORA

​Criada pelos jornalistas e poetas Lenilson Oliveira e Linaldo Guedes, a Arribaçã Editora tem suas raízes fincadas no Alto Sertão da Paraíba, mais especificamente em Cajazeiras. A editora trabalha com obras literárias, acadêmicas, biografias, entre outras. Criada no segundo semestre de 2018, já tem diversos livros publicados. Contatos podem ser feitos na página da editora no Facebook, Twitter e Instagram ou pelo email: arribacaeditora@gmail.com - A editora também tem canal no youtube. Endereço do site:

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Oktoberfest em Munique - a festa da alegria

Publicado na revista VOCÊ EMPRESARIAL - Estado do Pará/Brasil - Set-Out/2010






OKTOBERFEST EM MUNIQUE
A FESTA DA ALEGRIA
Chris Herrmann

Chris Herrmann (Düsseldorf – Alemanha)
CORRESPONDENTE INTERNACIONAL
Brasileira, escritora e tradutora.


Todos os anos em Munique, a capital da Baviera na Alemanha, no parque Theresienwiese (nome dado em homenagem à Princesa Therese), popularmente conhecido como “Wies´n“, acontece a maior festa popular do mundo: a Oktoberfest. Com 17 dias de duração, a festa este ano será de 18 de setembro a 4 de outubro e movimentará um contingente de cerca de 6 milhões de pessoas que virão de todas as partes do mundo para desfrutar deste desfile de cores e muito alto astral.

Neste ano de 2010 as festividades contarão com um jubileu muito especial, que são os 200 anos de sua existência. É a 177ª vez que a cidade se transforma num palco de muita alegria, bebida, comida e atrações para uma multidão sedenta de diversão, já que por 24 vezes a Oktoberfest teve que ser cancelada por conta de guerras ou epidemias.

Além da gastronomia e atrações diversas que movimentam a montagem de um sem-número de barracas e brinquedos, como carrosséis e rodas-gigantes. A vestimenta é parte importantíssima para os preparativos da festa. Para festejar como um ´bávaro´ é preciso cuidar do visual típico. Os homens vestem a Lederhose (calça curta de couro) e as mulheres o Dirndl (vestido folclórico com um decote acentuado).

Mas como e quando começou tudo isto? E por que tem início em meados de setembro? A resposta está na história da Baviera. Tudo começou no dia 12 de outubro de 1810, durante as comemorações do casamento do Príncipe Herdeiro Ludwig (mais tarde, Rei Ludwig I da Baviera) com a Princesa Therese da Saxônia- Hildburghausen. Com a idéia de estimular a participação da população nos festejos, foram organizadas muitas atrações durante vários dias seguidos. E repetiu-se a festa no ano seguinte e no outro... pronto, nascera ali a Oktoberfest que começa no mês de setembro (que tem um clima mais ameno) e que tem sua última semana em outubro e que hoje fascina multidões!

Além da Oktoberfest e das famosas cervejarias e ´biergarten´ espalhados por todo canto, Munique é também a cidade da arte, dos belíssimos parques públicos, jardins, palácios, museus, brasões de armas e de Bandas Oompah banda típica bávara). O Olympiapark, local das Olimpíadas de 1972, é visita obrigatória. Pode-se até patinar no ringue de gelo olímpico e nadar na piscina olímpica. Crianças e adultos encantam-se com o museu de bonecos, a coleção de brinquedos históricos e o teatro de marionetes que apresenta óperas de Mozart.

A Estado da Baviera (ou Bavária, em Latim) possui muitos lugares de grande beleza, como a região dos Alpes, onde está o pico Zugspitze (2,962m), o mais alto da Alemanha, e o Parque Nacional Bayerischer Wald. As montanhas da Baviera são um paraíso para amantes de caminhada e trilha e seus lagos e represas possibilitam a prática de uma grande variedade de esportes aquáticos. A Baviera é também famosa por seus jardins e parques, como o jardim Inglês de Munique, e por seus castelos e palácios: Linderhof, Neuschwanstein e Herrenchiemsee, entre outros. O passeio de barco pelo Rio Danúbio é também um dos pontos altos do turismo da região, assim como a visita às várias pequeninas e românticas cidades, como Monheim.

Apesar da base da economia ser a indústria, a Baviera possui um setor agrícola poderoso, em que se destaca a plantação de lúpulo, para o processo da famosa cerveja (claro!); e dos vinhedos. Munique possui o Museu Alemão, o maior acervo relacionado à história mundial de ciências naturais; a Galeria de Quadros Antigos e a Biblioteca do Estado, que tem mais de seis milhões de livros. Por outro lado, a cidade de Nuremberg conserva, entre outros monumentos, os monastérios de Banz e Ettal e Museu Nacional Germânico.

A Oktoberfest é comemorada em diversas cidades de todo o mundo. E vocês sabem onde é a segunda maior? Sim, em Blumenau, no Brasil, e teve sua primeira edição em 1984. Um belo exemplo de confraternização de quem mora e visita a cidade. Milhares de brasileiros também participam da Oktoberfest em Munique, fazendo turismo e acrescentando sorrisos ao evento. Munique é uma cidade moderna, linda, assim como toda a Baviera, e é muito receptiva aos visitantes, esbanjando encantos que fazem seus visitantes jurarem voltar lá...
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

"Humanidades Extemporâneas"

“Humanidades Extemporâneas“ – Um olhar e mil artes

por Chris Herrmann *

Conhecer a pessoa de Tchello d’Barros foi uma das melhores surpresas que tive nos últimos tempos. Sim, porque não é sempre que temos a oportunidade de interagir com alguém tão inteligente, sensível, amável, estudioso, multitalentoso e antenado com o mundo.

Como se não bastasse tudo isso, a cada exposição ou publicação de seus trabalhos, conhecemos novos “Tchellos”: o pesquisador, o observador, o questionador, o preocupado com o mundo, o que alerta para as pequenas grandes coisas da vida, o que vibra, que ama, que chora, que cala e o poeta que sinaliza não conseguir rimar dor com amor.

O retrato deste artista multifacetado nos mostra que é possível reunir e vivenciar diversos talentos numa só pessoa. Sua impressionante coleção fotográfica é mais um ´tijolinho´ que compõe a obra do artista visual/designer, editor/escritor e viajante Tchello d’Barros.

A série fotográfica em P&B Humanidades Extemporâneas dialoga e traz elementos e indícios de outras modalidades de expressão artística, nas quais o artista também se dedica, tais como o desenho, a pintura, a poesia visual, o haicai (poema curto de origem japonesa) etc. E, indo mais além, por que não a música, a dança, a filosofia e a sociologia? São temas presentes nesta série, provando que não precisa haver barreiras para a sensibilidade dos amantes da fotografia.

As imagens fazem parte do acervo do artista e são clicadas em suas viagens por diversas cidades do Brasil e do mundo. São temas variados onde o centro é o ser humano e a dimensão poética de seu cotidiano, suas inquietações, seu silêncio.

Pode-se comparar cada fotografia desta série a um poema curto e intenso como o haicai, que traz na sua essência o olhar único e, neste caso, de um poeta genial. A sequência nos vai tirando a fala, mas não a emoção. Reunidas, as cenas parecem contar uma história que só nós podemos continuar ou concluir, mas dificilmente esquecer.

* Christina Magalhães Herrmann é escritora, editora digital, carioca radicada em Düsseldorf/ Alemanha.




RELEASE

Aliança Francesa (Vitória-ES) apresenta a exposição fotográfica “Humanidades Extemporâneas”, de Tchello d’Barros, com curadoria de Denise Moraes.



A Aliança Francesa, de Vitória-ES, abre nova exposição, desta vez trata-se da série de fotografias em P&B Humanidades Extemporâneas, 23ª exposição individual do artista visual brasileiro Tchello d’Barros. A cidade de Vitória foi escolhida pelo artista por lhe ser uma cidade afetiva, sua família já viveu na capital capixaba e o espaço da exposição da AF foi escolhido pela curadora Denise Moraes por ser uma entidade ligada à cultura francesa. Também porquê a França é um país fortemente associado à fotografia, sendo inclusive visitado eventualmente pelo autor, que tem como principais referenciais os fotógrafos franceses Henry Cartier-Bresson, Pierre Verger e Robert Doisneau.

A curadora acompanha há alguns anos a produção do multifacetado Tchello d’Barros e escolheu essa série de imagens por contrastar e ao mesmo tempo dialogar com outros trabalhos do artista já apresentados na região, como uma série de haicais e a mostra individual de poesia visual Convergências, exibida na faculdade Estácio de Sá.

A coleção de clics é resultante do olhar de viajante que o autor exercita em suas viagens pelo Brasil e Exterior, onde o ser humano – sempre presente nas imagens - é apresentado algumas vezes de forma implícita ou inusitada, em seus aspectos poéticos, dramáticos, culturais, sociopolíticos etc, onde o cotidiano retratado constitui-se numa crônica da contemporaneidade.

Para a escritora carioca, Chris Herrmann, que da Alemanha onde está radicada, acompanha as exposições e publicações de Tchello, “pode-se comparar cada fotografia desta série a um poema curto e intenso como o haicai... reunidas, as cenas parecem contar uma história que só nós podemos continuar ou concluir, mas dificilmente esquecer.”

Segundo o autor, “Humanidades Extemporâneas é um trabalho que diferencia-se de minhas criações em pintura, gravura e literatura, não só na linguagem mas também nas escolhas temáticas e respectivas abordagens. Vivemos um tempo de hiperinformação midiática, poluição visual e afetividades mediadas pelas recentes tecnologias virtuais. A produção dessa série de imagens não pretende negar nada disso, mas perpassa um conceito de extemporaneidade, fora de nosso tempo presente e lugar em que vivemos, com cenas que poderiam ser vivenciadas numa geração anterior ou quem sabe, de uma que ainda está por vir”.


SERVIÇO

Visitação: 23 de setembro a 23 de outubro de 2010
Horários: 2ª a 6ª das 8 às 20h Sábados das 8 às 12h
Endereço: Aliança Francesa | Vitória-ES
Rua Alaor Queiroz de Araújo, 200
Enseada do Suá - Vitória-ES
Curadoria: Denise Moraes
Texto de apresentação: Chris Herrmann
Contatos:
Aliança Francesa - (27) 3345.1498
aliancafrancesavitoria@hotmail.com
Denise Moraes - (27) 3228.1997
denisemoraes53@yahoo.com.br
Tchello d’Barros - (91) 8288.9103
tchello@tchello.art.br


domingo, 8 de agosto de 2010

Grupo "Go-Brazil" - Munique - 21.Julho.2010

Chris Herrmann

Apresentação do grupo de batuque brasileiro "Go-Brazil" (www.go-brazil.de) na festa da polícia - Munique - 21.Julho.2010

Lothar Kuhn e eu fizemos pequenos filmes e depois a edição final. Quem nos convidou para a festa foi uma integrante do grupo, nossa amiga Susie.




Susie e Lothar

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

5 anos do CAFÉ FILOSÓFICO ´DAS QUATRO´


Há 5 anos lancei a idéia da criação de uma comunidade no Orkut.com onde pudéssemos discutir assuntos diversos, com ênfase em filosofia e cultura, dirigida por 4 amigas. Com o tempo, contamos com o apoio de membros da comunidade para a administração e moderação. Criamos concursos, fizemos diversas entrevistas, lançamos livros impressos, criamos a Homepage da comunidade, o blog Jornal do CF4, editamos vídeos. E nasceram comunidades coligadas, como a Orkultural (ligada à coluna homônima) e a Sociedade dos Pássaros-Poetas. Trovadores Noturnos também se juntou a nós, assim como a Discutindo Literatura, O Ícaro e Borboleta, e outras queridas.

Recentemente, o professor Pedro Lyra (poeta, ensaísta e crítico literário, que já foi um de nossos entrevistados), convidou o CF4 e a comunidade Discutindo Literatura (da Luciana Pessanha) para que fizéssemos um apanhado de nossas entrevistas e também um ensaio sobre a nossa experiência na moderação de comunidades virtuais para uma publicação impressa. Este trabalho já está pronto e sendo editado. Em breve será lançado com exclusividade na revista Tempo Brasileiro.

Hoje, estamos colhendo os frutos de um ambiente propício à liberdade de expressão com respeito às divergências de opinião, como sempre foi a marca da comunidade.

Eu, assim como as outras 3 ´das Quatro´, o corpo de moderadores que nos apóiam e também com a administração, estamos muito satisfeitos com os resultados. Recebemos também um ótimo ´feedback´ dos membros através de e-mails dirigidos à administração da comunidade.

Manifesto aqui meu agradecimento profundo às três amigas Soraya Vieira, Edith Janete Schaefer, Katia Ceregato, bem como à Andrea Lucia, Marcia Uchôa, Maristela e Sonia Salim pelo carinho e apoio de sempre. Incluo também todos os membros que sempre apoiaram nossa comunidade ao longo desses 5 anos, seja na moderação, nas entrevistas ou na administração: Durval Castro, Teresa Mavignier, Marcia Beraldo, Claudete Shinohara, Rita Blue, Marcelo Mourão.

São muitas as pessoas que ajudaram a apurar o sabor do nosso cafezinho de cada dia.
Aproveito a oportunidade para agradecer, também, a:

Denise Moraes, moderadora que contribui massivamente com nossas entrevistas culturais;

Silvia Vitória e Sonia Ortega, duas moderadoras também muito queridas que tivemos;

Fabio Vale, que durante um bom tempo ajudou a administrar nossa comunidade;

Rosana Buarque, que contribuiu muito com vídeos dedicados ao CF4 e seus entrevistados;

Todos os entrevistados que já tivemos desde a criação do Café e a todos os membros que participam ativamente contribuindo para o enriquecimento dos debates (seria uma infindável lista de nomes, mas todos eles sabem que são muito queridos por nós).

A todos vocês meu agradecimento especial.

Um grande abraço.


Chris Herrmann
Fundadora do CF4

[o avatar do CF4 foi gentilmente decorado para o aniversário pela Katia Ceregatto, uma ´das quatro´ do Café.]


terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Frase

"Somos o produto de nossas ações e a raiz da nossa consciência."

Chris Herrmann

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sábado, 19 de dezembro de 2009

Entrevista com o Artista Visual Tchello d´Barros

Chris Herrmann (Dusseldorf/Alemanha) entrevista o poeta e artista visual Tchello d’Barros (Maceió/Brasil) via e-mail. Dezembro 2009.


1) Chris Herrmann: "Nós precisamos da arte para não morrer de verdade." (Nietzsche) Você concorda com esta máxima filosófica? O quão necessária é a Arte para você, além do retorno financeiro?


Tchello d’Barros: Sempre é bom relembrar Nietzsche, até porque muito do que escreveu, continua atual, é como se tratasse de temas de hoje, sobretudo nas questões da arte. Talvez essa sentença dialogue com o pensamento de Artaud, que dizia que “é preciso mergulhar na morte, para começar a viver”, seria preciso ‘morrer’ para o sistema, dedicar-se exclusivamente à sua missão cultural. O fato é que somos seres criativos por natureza, criar está em nossa essência. No entanto, na atual sociedade competitiva e consumista, há que se priorizar tanta coisa, para sobreviver, que muita gente não tem tempo para o lado lúdico da vida, para se dedicar a algum dom, alguma vocação artística. Aquele talento, geralmente revelado na adolescência, fica adormecido, sublimado pelas lides do cotidiano e metas de conquistas profissionais. Na arte, o retorno financeiro é importante, afinal os artistas são pessoas que pagam contas, igual a todo mundo. Mas não é a principal questão, é apenas uma desejável conseqüência. Em meu caso, posso resumir que a arte não é apenas um combustível para seguir adiante, mas uma instância que dá sentido a minha vida.


2) CH: A situação das Artes no Brasil tem mudado para melhor na(s) última(s) década(s)? Ainda há o que melhorar, e o quê?


T. d’B.: As Artes em geral, tem se desenvolvido muito aqui nos ‘tristes trópicos’, especialmente depois que saímos da ditadura. Houve muitos avanços em termos de legislação, direitos, e mesmo qualificação profissional por parte de gestores culturais e na dinâmica das instituições, sem falar da visibilidade que a arte brasileira em geral vem alcançando em âmbito internacional. Ainda assim estamos longe do ‘melhor dos mundos’. Há que se desatar o quiproquó da equivocada e atravancante Lei Rouanet; há que se implantar e consolidar o SNC Sistema Nacional de Cultura, com seus Fundos de Cultura, renúncia fiscal das empresas, e as cidades e estados devem nomear seus Conselhos de Cultura c/ representantes da sociedade civil organizada e não apenas os cupinchas de prefeitos alienados e governadores megalomaníacos. Há que se mudar a mentalidade do empresariado em geral, que precisa entender o quanto sua marca terá uma visibilidade positiva se associada a projetos culturais. E sobretudo, há que se desenvolver uma conscientização por parte da população em geral, de que a Cultura é seu patrimônio, que lhe confere identidade, que é um direito seu, que é justo cobrar políticas públicas de fomento e manutenção das artes em geral. O povo brasileiro é dono de uma das maiores diversidades culturais do planeta, uma riqueza sem paralelo, é até uma questão de se desenvolver a auto-estima desse povo tão híbrido e multifacetado, que já está mostrando ao mundo o potencial de suas manifestações artísticas.


3) CH: Na sua opinião, o que um artista de hoje precisa ter em mente para aumentar suas chances de uma carreira bem-sucedida?


T. d’B.: Bem, já que não existe fórmula para isso, posso apenas comentar o que o senso comum já sabe. Parece que é necessário antes de tudo desejar isso, ter uma vontade ferrenha de que seu trabalho aconteça. Os obstáculos são enormes, é preciso colocar muito, mas muito amor mesmo naquilo que se faz, para que as idéias e sonhos se concretizem, é necessária uma dedicação e disciplina fora do comum para materializar um projeto artístico, é isso que noto nos colegas bem sucedidos. Mas pessoalmente vejo ainda que as coisas vão além disso. É preciso se profissionalizar, permanecer ético em terrenos movediços, saber dizer não, estar conectado c/ os avanços tecnológicos de nosso tempo, dominar ferramentas para se comunicar com seu público. E creio que seja fundamental garantir a qualidade de seu trabalho, seja em qual linguagem artística for, e para além disso ainda, ter algum diferencial, ser original em questões formais ou conceituais. Possivelmente a combinações desses itens, devidamente adequados a cada caso, podem fazer a diferença para alguém que queira deixar sua marca no âmbito cultural.


4) CH: Como você recebe as críticas? Já aconteceu de você fazer alterações em algum trabalho (literário ou não) por conta de uma crítica recebida?


T. d’B.: Antes de responder, não custa mencionar que a palavra ‘crítica’ aqui no Brasil é carregada semanticamente de uma atmosfera desnecessariamente negativa. Há quem diga que a tradução ideal seria ‘análise’, ou ‘exame’ de uma obra. Trata-se na verdade de fazer uma mediação entre a intenção de um autor com as possíveis interpretações por parte do público. Em meu caso particular, confesso que recebo as críticas sempre com curiosidade, pois interessa-me saber o que pessoas inteligentes pensam de minha produção. Naturalmente que observo se tais pessoas têm autoridade, formação e em qual base conceitual fundamentam seus argumentos. E talvez caiba emncionar que, assim como os tradicionais veículos de comunicação reduziram drasticamente o espaço p/ a crítica, na revolução digital cresceu exponencialmente a picaretagem, o favorecimento, as panelinhas, e espaços onde lixo de todo naipe é apresentado como arte e assim as pessoas ficam um tanto receosas quanto aos conteúdos de valor duvidoso. Daí a cada vez mais importante atuação dos críticos, dos que tem sólida formação, para dar legitimidade e qualificar as propostas dos artistas. Sobre minha produção, não modifico trabalhos, independente de como são criticados, mas geralmente percebo aí um termômetro para as coisas que estão dando certo.


5) CH: Literatura, artes visuais e cênicas, moda... enfim, como diz o vídeo em sua homenagem, você é uma ´explosão de arte´! Em qual momento você percebeu que o ´pavio começou a queimar´? Você planejou percorrer por diferentes vertentes artísticas ou elas foram traçando o seu caminho?


T. d’B.: O vídeo Explosão de Arte, no Youtube, mostra algumas das facetas do que andei produzindo nos últimos quinze anos. Admiro artistas que se dedicam à apenas uma modalidade de expressão (cerâmica, trovas, marchinhas, por exemplo), mas este nunca será meu caso, tenho interesses múltiplos e acredito que seguirei assim. Para mim, o ‘pavio começar a queimar’ muito cedo, sempre me imaginei escrevendo e/ou lidando c/ artes visuais. Passei alguns anos no meio teatral, tive curtíssimas passagens por música, dança e vídeo, mas chegou uma hora em que tive que me decidir por atividades que dependem exclusivamente de mim. Optei sim por me exprimir em diversas linguagens, mas as pessoas que escrevem sobre meu tralho tem notado que em tudo há um fio condutor, elementos de aproximação temática, formal ou conceitual. Depois de meia dúzia de livros solo publicados e participações em mais de sessenta exposições, entre individuais e coletivas, creio ter achado um caminho, embora eu intuo que o melhor ainda está por vir. O pavio segue queimando. Nesse percurso, creio ter produzido um currículo razoável e um portfólio honesto. Na próxima década penso em aprofundamento e aprimoramento, num conjunto de ações para consolidar esse trabalho. Quem vir ver, verá.


6) CH: Fale dos ´ismos´. Eles são imprescindíveis ou apenas servem como um ´guia prático do passado das artes´? Se você tivesse que usar um ´ismo´ para definir seu momento artístico atual, qual seria?


T. d’B.: Os ‘ismos’ da arte foram imprescindíveis em seu tempo, pois norteavam o pensamento, as idéias e principalmente as escolas estilísticas de seu tempo, aglutinando alguns dos talentos mais expressivos. Além disso, influenciavam a cultura em outros países e contaminavam, no bom sentido, muito da produção industrial em design, moda, arquitetura e diversos outros segmentos. Muito disso se deu principalmente na esfera das artes visuais, embora o Surrealismo, só pra citar um desses movimentos, teve desdobramentos na literatura, na pintura, no cinema e estimulou o desenvolvimento de áreas como a psicologia e a psicanálise. Hoje a chamada arte contemporânea aglutina incontáveis estilos, técnicas, suportes, conceitos e propostas, onde os tradicionais ‘ismos’ com suas cartilhas e manifestos já não tem mais espaço, temos no máximo os chamados Coletivos de artistas. Mesmo assim, os tais ‘ismos’ permanecem como um rico referencial da História da Arte, onde eventualmente alguns artistas fazem releituras ou atualizações desses movimentos. Recentemente produzi uma série de retratos, no estilo da Pop Art de Andy Warhol, como uma forma de homenagear esse revolucionário e polêmico artista, que ainda influencia muita gente, principalmente na atitude diante da arte. Já meu trabalho, nunca pretendeu se enquadrar em rótulos, em ‘ismos’, escolas, pós-isso ou pós-aquilo, apenas sigo em frente, produzindo. Deixo essa tarefa para futuros pesquisadores, jornalistas especializados, formadores de opinião, ou teóricos acadêmicos, caso meu trabalho mereça alguma atenção nesse sentido.


7) CH: Onde se encontra o poema visual na cena artística brasileira atual? Você já vivenciou algum tipo de barreira, por exemplo, preconceito ou rejeição do que não seja bastante popular e de fácil assimilação?


T. d’B.: O poema visual na cena artística brasileira atual se encontra... bem escondido, eu diria! Isso porque não é uma modalidade de expressão muito conhecida, não tem apelo popular nem alcança as mídias com divulgação de massa, digamos assim. Só muito recentemente é que vem sendo aceito por parcelas bem restritas do meio acadêmico e muito timidamente já aparece aqui e acolá no currículo de ensino de alguns educandários onde a Literatura é levada a sério. Minha humílima contribuição tem sido dar palestras e oficinas sobre o tema, e também tenho uma exposição de poesia visual, que se chama ‘Convergências’, onde apresento uma seleção de meus principais poemas visuais. Por enquanto a mostra já itinerou por meia dúzia de Estados, mas pretende andar um bocado ainda, antes de se transformar num livro. O que percebo é que essas ações pontuais ajudam a divulgar a Poesia Visual. A boa notícia é que a própria Internet tem sido o meio onde novos poetas visuais (semi-novos também!) têm apresentado sua produção, ainda embrionária, mas já permitindo muita troca e intercâmbio. O que me parece é que a Poesia Visual nunca será exatamente popular, mas isso mesmo também a torna especial, rara, quase um segredo entre iniciados, um código entre poetas, um trigo raro na literatura de nosso tempo. Quanto à questão da assimilação, meu trabalho nunca sofreu preconceito ou rejeição, apenas uma vez cancelaram uma exposição já em plena montagem, só porque havia alguns desenhos de mulheres nuas, nada demais. Mas a produção em geral é bem aceita, mesmo as criações mais conceituais, embora evidentemente haja um certo distanciamento entre as camadas de público com menor formação cultural, pois estamos num país ‘em desenvolvimento’, onde as estatísticas apontam que menos de 10 % de nossa população já entrou num museu ou galeria de arte.


8) CH: A concisão sempre o acompanhou? Muitos de seus poemas mínimos dão a impressão de que histórias máximas (reais) sobre o autor estão sendo sutilmente reveladas. É isto mesmo?


T. d’B.: Por razões que a (minha) própria razão desconhece, sempre produzi obras em que a concisão, o rigor, o emprego de recursos mínimos, dessem conta de comunicar a proposta daquele trabalho, seja nos poemínimos, nos ideogramas ocidentais, nos labirintogramas e por aí vai. Nada contra obras que trafegam em outras vertentes, mas para mim, determinados excessos, tagarelices, verborragias e barroquismos apenas não são minha praia, simples assim. Já vivo num país exuberante, com um povo exuberante, plural, onde tudo é superdimensionado e no superlativo. Meus trabalhos nunca pretenderam negar essa realidade, mas gosto de escrever poemas breves, contos curtos, crônicas precisas. Um desenho, uma gravura, ou uma de minhas pinturas comunicam com poucas cores ou poucos elementos visuais. Não que seja uma regra rígida, mas um tipo de ecomomia conceitual. No fundo persigo uma coisa difícil de se fazer na arte, o simples fato de se comunicar com clareza. O desafio está em fazer isso com poucos recursos, com poucas informações, sejam plásticas ou semânticas. E não trato de temas biográficos, pessoais, qualquer vocábulo “eu” que apareça em meus escritos será sempre um narrador fictício. Mas há quem não acredite muito nisso...


9) CH: Conte sua trajetória com o haicai e o que essa experiência o acrescentou como artista e pessoa.


T. d’B.: Meu contato com o haicai e suas variações começou lá por 1.993, quando comecei a publicar meus primeiros poemas e expor meus primeiros quadros, ainda na germânica cidade catarinense de Blumenau, onde eu vivia nessa época. Lia haicaístas locais, de outros lugares e também de outras épocas, mas apenas pelo prazer de ler e conhecer cada vez mais dessa poesia de origem nipônica. Até que comecei a escrever também, quase sem querer, de brincadeirinha... Mas essa coisa pega a gente por dentro e na primeira noite escrevi logo uns 50, depois fui vendo que não é só técnica, há que se pesquisar com seriedade e praticar muito também. Como quase tudo, é a prática aliada ao estudo que leva ao aprimoramento, à evolução. Na virada do milênio, publiquei o livro Olho Zen, minha coletânea de haicais. Nessa modalidade literária sou adepto do haicai tradicional, com kigô falando da natureza, métrica tradicional etc, embora aprecie muito ler os adeptos do haicai urbano, tropical, erótico e até os mais experimentais. Atualmente tenho escrito haicais em guardanapos, sem assinar, e deixo sempre sobre alguma mesa... Acredito que nenhum poeta sai incólume após passar pela experiência do haicai. É um aprendizado que permanece e amplia nossa visão de mundo, nosso jeito de estar nesse mundo, sobretudo diante da transitoriedade da vida e da inexorabilidade do tempo. Talvez por isso o haicai é muitas vezes associado à uma fotografia, constituída de palavras, mas que congela o tempo, ou registra um ato, um fato, presenciado pelo autor. Em meu caso, até meu trabalho em fotografia foi influenciado. Não fotografo como um fotógrafo convencional, mas como um haicaísta... Sou também autor de um haicai visual, o Haicai Para Os Sem-terra, onde se vê três fios de arame farpado, com 17 farpas, claro...


10) CH: Kerouac e Leminski foram duas grandes revelações do haikai ocidental. Sem dúvidas que eles estimularam o gosto de novos poetas por este tipo de poesia tradicional japonesa. Quais os ´haijins´ brasileiros de hoje que você recomendaria a leitura?


T. d’B.: Não há dúvidas de que Jack Kerouac e Paulo Leminski foram pessoas que captaram o ‘zeitgeist’ de seu tempo e lugar, o espírito de sua época, influenciaram muita gente e continuam fazendo escola. O haicai, enquanto novidade, já foi considerado um mero poema exótico, no entanto, na atualidade é inegável sua difusão cada vez maior, especialmente no ocidente. No Brasil, terra de todos e dos japoneses também, foi inevitável sua introdução, expansão e até mesmo as polêmicas inovações de estilo. Hoje, crescem nas universidades os TCCs, monografias e teses sobre essa arte onde Bashô segue sendo uma figura emblemática. Em nosso país, o que não faltam são haicaístas de qualidade. Recomendar é um exagero que não ouso, mas cito alguns que já me deram prazer na leitura e muito ensinamento, como Helena Kolodi, Masuda Goga, Teruko Oda, Alice Ruiz, Leila Miccolis, Nempuku Sato, Paulo Franchetti é também uma referência, e ainda o extraordinário haicaísta catarinense Martinho Bruning (em memória), com mais de 10 livros publicados, mas injustamente esquecido. Dos haijins brazucas recentes é impossível citar tanta gente, menciono apenas os que tem me surpreendido mais recentemente, como Benedita Azevedo, Chris Herrmann e os epifânicos haicais de Jiddu Saldanha. Mas prestem atenção nas dedicadas Isnelda Weise e Margit Didjurgeit, que em breve estarão lançando seus livros de haicais.


11) CH: Sartre defendia a tese de que a liberdade dá ao homem o poder de escolha, mas está sujeita às limitações do próprio homem. No caso da internet, como conviver com a ´avalanche artística´ onde a qualidade duvidosa e o plágio disfarçado (ou não) também são empurrados ao público como obra artística genuína? Há o que fazer?


T. d’B.: Eu não sou livre para fazer o quero fazer, apenas para o que posso fazer e ainda devo escolher entre o que é necessário fazer. Sartre era um sujeito que sabia das coisas, e escrevia com propriedade sobre o existencialismo, embora muitos ainda hoje considerem uma sandice ele recusar o prêmio Nobel. Nessa questão aí da liberdade, parece nos lembrar do quanto somos limitados, e que toda liberdade é relativa. Não sei se O Ser e o Nada, sua principal obra, faria tanto sentido nesse mundo meio caótico do novo milênio, mas é inegável que essa questão da liberdade traz uma série de prós e contras, principalmente se o assunto for a qualidade do que é considerado arte e é despejada diariamente na internet, sem crivo, sem crítica, sem critério, sem crime, sem nada. Cada um posta o que quiser e sempre haverá a turminha que aplaude. Quando o conteúdo é bom, os plágios acontecem, é outra praga nefanda. Mas o artista profissional é aquele que registra sua obra antes de publicar por aí, assim resguarda seus direitos autorais. O que fazer com tudo isso? Ser seletivo. Sobre o que ler/ver/ouvir. E para quem é artista, ser seletivo onde publicar. Na internet, o menos é mais, e sendo assim, pode ser muito mais.


12) CH: Você tem um público bem definido para cada tipo de manifestação artística ou se surpreende com frequência? Há algum caso curioso que queira contar ocorrido em alguma de suas exposições?


T. d’B.: Existem sim os públicos específicos, é até natural isso, mas as categorias e modalidades de expressão em que participo, vão meio que somando esses públicos. Já aconteceu de pessoas que curtem meu trabalho em gravura começarem a ler meus haicais. Ou o pessoal que lê minha prosa começar a curtir meu trabalho experimental em fotografia. Frequentemente ocorrem relatos assim, entram pela via do cordel, logo se deparam com a produção em desenho... Já a turma da moda é mais eclética, meio que gostam de tudo... Quanto às exposições, nunca aconteceu nada de tão extraordinário, até porque gosto das coisas muito bem organizadas, mas na década passada eu sempre dava um jeito de colocar atores para realizar alguma performance, geralmente com meus poemas, antes ou depois da abertura. Numa dessas, colocamos um ator nu todo coberto de lama, recitando poemas. Noutra um ator foi todo pintado de tinta metálica e ficou o tempo todo na posição de O Pensador, de Rodin, e muitos pensaram que era uma escultura. Outra vez, um ator entrou pela janela da exposição, como um invasão, dizendo poemas a plenos pulmões. Certa vez uma atriz dizia poemas meus enquanto jogava pétalas de rosas no público. Eu mesmo, nos tempos de teatro, participei de diversas performances e intervenções, essas ações enriquecem um evento cultural, dão um ar de happening e geram interatividade entre diversas linguagens artísticas. Isso nos dá a deixa para concluir dizendo que apesar dos meios digitais de divulgação de uma produção artística, seguirei fazendo exposições físicas, e lançamentos de meus livros, pois acima de tudo, essas ações culturais promovem a coisa mais difícil nesses tempos cibernéticos: a antiga e insubstituível arte do encontro entre as pessoas.


13) CH: Como você vê a situação hoje, no Brasil principalmente, de se publicar livros impressos? Quais os prós e os contras?


T. d’B.: Vejo a situação com muito otimismo. Tenho frequentado bienais e eventos literários de porte e o que noto é um desenvolvimento do setor, começando pelas estatísticas que apontam que o brasileiro está lendo cada vez mais. Naturalmente que estamos longe da média de leitura de países desenvolvidos, mas é um fato que o povo aqui quer ler mais e publicar mais. Outro item é o desenvolvimento do que se chama de parque gráfico nacional, hoje algumas das melhores gráficas do planeta estão aqui, atendendo editores de todo o mundo. E o papel já é certificado com selo de origem ambiental. Pode ser que não se deva comprar um livro pela capa, como se diz, mas os brasileiros produzem os livros mais bonitos, em termos de capa, projeto gráfico e matéria prima. Aqui, um livro é também um objeto estético. Mesmo agora com a invenção do Kindle (livro eletrônico) nosso fetiche por livros só vai crescer. Há também todo um esforço de políticas públicas no sentido de multiplicar bibliotecas, tornar o livro mais acessível, e fomentar a produção por parte de autores brasileiros. A Câmara do Livro e Leitura, coordenada pela Biblioteca Nacional é uma dessas ações. O Proler tem se consolidado. E, pululam pelas cidades do interior as chamadas academias municipais de letras, que estão aí imortalizando um monte de gente... A nota dissonante talvez seja a facilidade em se publicar um livro por aqui, basta chegar numa gráfica com uma graninha no bolso, e plim!... vira escritor da noite para o dia. Sem conselho editorial, sem estudo, sem critério, sem qualidade, muita gente apenas movida pela vaidade, publica seu livrinho para impressionar os amigos, os parentes e algum colunista social. Chique, né! Fora isso, viva a literatura brasileira contemporânea!


14) CH: O que é o belo para você?


T. d’B.: O fator beleza na arte sempre foi definido por um conjunto de conceitos complementares, como a harmonia visual, o equilíbrio cromático, composição da cena, aplicação da perspectiva e ponto-de-fuga, domínio do claro-escuro, perícia da representação da anatomia, abordagem do tema, etc. Até o início das vanguardas históricas do Séc. XX havia uma pergunta tácita que se poderia fazer diante de uma pintura: _Isto é belo? De certa forma a beleza é o que se poderia procurar em uma pintura, gravura, escultura, desenho, ou seja, nas formas tradicionais de expressão plástica. Com o advento das vanguardas, dos já citados ‘ismos’ e de toda a revolução de comportamentos que o século passado presenciou, é natural que as artes visuais não apenas se desenvolvessem, evoluíssem, mas que mudasse também a postura do observador diante de uma obra. A própria beleza passou a ser relativizada e em muitos casos o que se busca hoje em uma obra é uma emoção estética e até mesmo uma reflexão filosófica. A pergunta hoje seria: _ Isto é Arte? Esses estados de espírito podem ser encontrados, por exemplo, em obras cuja proposta seja de forte teor de protesto, um trabalho que, sem ser panfletário, seja altamente engajado. O trabalho em si não é “bonito”, mas desperta sentimentos de crítica ao assunto tratado e atitudes de mudança da realidade. Ou consideremos uma obra que desperte questionamentos quanto ao status quo vigente. Ou obras apresentadas em recursos tecnológicos sofisticados, mas conferindo forte significação em termos de identidade regional. Na contemporaneidade, talvez o belo seja apenas aquele tipo de objeto estético que enfeita paredes da burguesia alienada, combinando com a decoração. Mas arte mesmo, é aquela que transforma nossa visão do mundo, nossa relação com o homem e o modo como encaramos a vida. Evoé!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O Poeta e Artista Visual Leo Lobos

Chris Herrmann




(foto por Maria Eugenia Lagunas)

Além de um grande amigo, um artista sem igual. Leonardo Andrés Lobos Lagos (Santiago do Chile, 1966) poeta, ensaísta, tradutor e artista visual. Possui as seguintes publicações: Cartas de más abajo (1992) editado pela Faculdade de Artes da Universidade do Chile e Arrayán editores, + poesía (1995) súper yo editores, ángeles eléctricos (1997) Luis Saldias editorial, Camino a Copa de Oro (1998) edições Pazific Zunami, Perdidos en La Habana y otros poemas (1999), Cielos (2000), Nueva York en un poeta (2001), a seleção antológica Turbosílabas (2003) pela editora gato de papel que reúne seus poemas de 1986 a 2003, Devagar (2004), Un sin nombre (2005), Nieve (2006), Vía regia (2007) e No permitas que el paisaje este triste (2007).

Como co-editor, junto com o artista visual Rafael Insunza, publicou o livro em homenagem ao poeta chileno Pablo Neruda: Diez máskaras y un kapitán el año 1998, uma homenagem ao poeta universal dos artistas visuais Rafael Insunza, Jorge Cerezo, Rafael Gumucio, Sergio Amira y Claudio Correa com o patrocínio da Fundação Pablo Neruda e da Universidade do Chile, editora Pazific Zunami.

Participa com seus poemas, ensaios, ilustrações, fotografías e traduções dos meios culturais no Chile e em outros países, tem sido traduzido ao inglês, português, holandês, francês e alemão.

Vem realizando inúmeras exposições individuais e coletivas; suas pinturas, ilustrações, poemas visuais e desenhos fazem parte de coleções privadas na França, Brasil, México, Estados Unidos e Chile.

Leo Lobos foi agraciado com a bolsa UNESCO-Aschberg de literatura em 2002 e fez residência criativa no Centre de Arte de Marnay Art Center CAMAC na cidade de Marnay-sur-Seine, França entre 2002-2003.

Blog: http://leolobos.blogspot.com



Seleção de 5 Poemas de Leo Lobos (no original em espanhol)



"Soy sirio. ¿Qué te asombra, extranjero, si el

mundo es la patria en que vivimos todos, paridos por el caos?"


Meleagro de Gádara, 100 antes de Cristo.



Jazz on the park


Leemos el diario en el Jazz on the Park ( Jazz on the Park es el hotel donde nos hemos mudado), me siento encerrado.

Nos han invitado al concierto de Peter Salett, y es sin duda una buena idea para salir de aquí al paso del estado en el que nos encontramos. Un taxi móvil nos lleva al Club que está prácticamente copado, entramos sin dificultad con la ayuda de los ángeles custodios en medio de luces fotográficas cegadoras, tomamos bebidas blancas, escuchamos con atención mientras hermosas mujeres rubias son

mecidas por la música.


New York, Estados Unidos, 1999.



Tres mujeres, un piano, un gato y una tormenta


A Alexandra Keim


Es difícil ser un pájaro

y volar contra la tormenta sobre la cicatriz de la Tierra que deja el camino de asfalto

mejor es como un gato estar

siempre atento a las brasas

cerca de la chimenea

y escuchar

siempre atento escuchar

a tres lenguas diferentes hablar

un idioma a la vez fascinante

a la vez misterioso y conocido

oír e ir en su música

en sus luces y propias

y universales sombras

fotografiar

por tan solo un segundo

fotografiar con la mirada sus perfiles

de ser posible

flotar

dentro

de la sala

como

un pájaro

en

la

tormenta


Marnay-sur-Seine, Francia, 2002.



Silencioso dentro de la noche


“Ser como o rio que deflui

silencioso dentro da noite”


Manuel Bandeira



Fluir, leve andar

descalzo inflar lentamente los pulmones

pesar cada paso sentir

cada instante entrar

silencioso dentro

de la noche

como sí ella

fueras


Marnay-sur-Seine, Francia, 2002.



Una secreta forma


"las palabras como el río en la arena

se entierran en la arena"


Roberto Matta



el automóvil esta poseído por la fuerza

de los animales que le habitan

como un carruaje tirado por caballos

sobre piedras húmedas de un pasado verano

Río de Janeiro aparece de repente como

la secreta forma que el Atlántico

deja entrever desde sus colinas de azúcar:

ballenas a la distancia algo

comunican a nuestra humanidad sorda

y cegadas por el sol preparan su próximo vuelo

caen ellas entonces una vez más como

lo han hecho desde hace siglos

caen ellas en las profundidades entonces

caen ellas y crecen en su liquido amniótico.


São Paulo, Brasil, 2004.



Perdidos en La Habana


Se puede ver a lo largo de Cuba verdes

o rojos o amarillos descascarándose con el

agua y el sol, verdaderos paisajes de estos

tiempos de guerra


Después de tres botellas de ron

ella lloraba en el lobby

del Hotel Capri, mientras le leía poemas que no eran míos,


Hablaba de las playas a las que llegó

en motocicleta, cuando aún el sol brillaba

los cubanos son niños que lo miran todo decía


Otro él, aparece desde el centro del salón y necesito

más de un segundo para

reconocerle

me acerco y me cuenta de mujeres, palacios de salsa,

de bailes mágicos

no hay, pienso

no existe una isla

sin orillas...

No quiero habanos

no tengo dólares

mejor será

desaparecer antes que la noche


El Vedado, La Habana, Cuba, 1995.