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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

UMA SOLUÇÃO PARA UM MUNDO MELHOR

Ivanaldo Xavier


Toda virada de ano é a mesma coisa: o que fazer para termos a garantia de um ano melhor? Pra começo de conversa, cheguei a pensar em fazer algumas simpatias populares. Pensei que seria interessante comer tantas uvas quantas fossem necessárias e guardar as sementes comigo durante todos os 365 dias deste novo ano, mesmo que para isso fosse necessário andar com um saco cheio nas costas, feito um papai Noel.


Seria meio ridículo, para não dizer ridículo e meio, eu, que sempre andei com sacos na frente, colocar um saco nas costas e ainda por cima, cheio. Desisti. Não seria melhor, então, pular ondas do mar? Seriam sete ondas, mas estaria disposto a pular tantas quantas fossem necessárias para que o mundo tivesse paz, as pessoas tivessem saúde e o país prosperidade, minha cidade conseguisse maior desenvolvimento preservando o meio ambiente, a sua memória e a segurança de uma cidade interiorana.


Pular ondas talvez, também, não funcionasse, pois atrás das sete ondas puladas viriam outras tantas e quem poderia afirmar que pulei as ondas certas. Naturalmente, pular ondas tem o significado místico de pular o azar, pular o mal, pular as coisas ruins que pudessem vir a acontecer em 2010. Mas quem poderia afirmar que eu não estaria pulando exatamente as boas ondas?


Acredita-se que a crendice popular pode mudar o nosso futuro com estes atos, bem simplórios, é claro! Talvez uma coisa mais exótica funcionasse melhor, como por exemplo: as sementes da romã. Chupar gomos de romã e guardar sete sementes poderia me trazer sorte e fazer melhor o ano de que está vindo. Sei não... talvez fosse melhor plantá-las por ser uma planta reconhecidamente medicinal.


Deve existir algo mais eficaz! O ser humano, com toda a sua sabedoria, deve ter encontrado algo mais inteligente do que estas simples simpatias que ridicularizam o próprio homem, fazendo-o crer em coisas banais. Uma semente qualquer pode mudar alguma coisa se for plantada, pois ela gera uma árvore que dá frutos e mata a fome.


Deve existir algo que realmente mude o mundo para melhor. Algo que tenha a força de um furacão, sem ser destrutivo. Algo que jogue fogo como um vulcão, mas sem queimar. Algo que seja maior que os oceanos, mas sem ocupar o espaço que eles ocupam. Deve existir esse algo especial e deve estar escondido dentro do próprio ser humano.


Algo muito mais forte me leva a acreditar que nós podemos nos apegar a outra crença, mais intensa, mais possível e passível de mudar o mundo. Algo que faz parte da natureza, até mesmo humana. Algo que evitaria o apertar dos botões que acionam as armas de destruição em massa. Algo capaz de nos fazer estender a mão até mesmo para os nossos supostos inimigos. Algo que faz com que os corações magoados tenham a capacidade de perdoar quem os magoou.


Acredito em uma força que todo ser humano traz no coração, algumas vezes adormecida, e não se trata de nenhuma crença religiosa! Algo superior que habita todo coração, mesmo aqueles mais duros e sofridos. Algo maior que os oceanos e que não ocupa espaço físico algum, mesmo tendo uma dimensão incomensurável. Um sentimento chamado amor e que pode mudar o mundo, tornando-o muito melhor, não apenas neste ano que já está próximo, mas em todos aqueles que virão.




sexta-feira, 6 de novembro de 2009

MOEDA CORRENTE: PERSPECTIVA

        A entrada de um novo ano sempre traz muitas esperanças para os brasileiros. Não é à toa que se diz que o brasileiro tem como profissão a esperança. Do mês de janeiro até meado do ano, o brasileiro vai vivendo, não apenas com o que o presente lhe dá, mas com o que o futuro poderá lhe trazer.


        Entretanto, como o hoje é sempre presente e o amanhã nunca deixará de ser o futuro, o brasileiro vai suportando a vida com o que o salário lhe permite comprar, mas não perde a esperança. Afinal, o ritual de passagem de ano alimenta sempre a sua alma, com esse, que é o seu alimento principal: a esperança.


        O salário não importa! Hoje ele corresponde a mais de cem dólares e no futuro pode valer 200. O que importa realmente é a nossa moeda corrente: perspectiva. A perspectiva de dias melhores, que certamente virão no futuro. Os noticiários da televisão trazem notícias ruins todos os dias, mas para o profissional da esperança os noticiários não têm nenhum valor, pois somente trazem notícias do passado e como diz o cancioneiro, amanhã, vai ser outro dia.


        O brasileiro sonha um dia poder entrar no supermercado, encher o carrinho de compras e chegar ao caixa, enfiar a mão num saco cheio de perspectivas e pagar. Qual foi o valor das compras? 20 perspectivas! ...E isso ele tem de sobra. Seria o dia mais feliz de sua vida, uma vez que a fartura da mesa traria um semblante diferente no rosto da mulher e dos filhos, já fartos de tanta miséria.


        Mas quando passa o meio do ano, começa uma nova fase da vida. Aquele ano que está para terminar não lhe oferece mais o combustível, matéria-prima da moeda corrente em seu mundo de miséria: a esperança. Então, ele começa a se virar como pode e passa a cunhar a sua moeda com a esperança de um novo ano que se aproxima.


        Assim, o brasileiro já começa o ano devendo. Devendo esperança para si mesmo. Mas vem a passagem de ano e todas as dívidas de esperanças são pagas, pois uma nova carga chega com todos os abraços e desejos dos parentes e amigos e novas moedas de perspectivas são cunhadas para serem usadas no ano novo que está começando.


        Triste será o dia que o brasileiro acordar e procurar no armário algum alimento para os filhos e não encontrar. Olhar para a mulher e ver que uma lágrima lhe escorre do rosto e feito uma tromba d’água vem arrastando todos os fios de esperança que ainda restavam naquele semblante e ao enfiar a mão no bolso não encontrar a sua moeda real, mas apenas a certeza de que lhe restam, praticamente, 25 dias para que um novo salário lhe seja pago.


        Esta é a triste realidade. Taí!... a realidade deveria ser o Real desse mundo de fantasias no qual o brasileiro vive cunhando as suas perspectivas com a esperança do dia-a-dia. A realidade corrói o valor da perspectiva e deixa a esperança mais escassa e por consequência, deixa também o brasileiro mais pobre a cada dia que passa. Mas o que passa é passado e o passado, nesse caso, não importa. O que importa é o futuro, e é lá que existe a esperança, o nosso precioso metal, com o qual cunhamos as nossas perspectivas que nos permitem viver a realidade do hoje.


Então, só nos resta desejar muitas esperanças para o ano novo que já se aproxima.


Ivanaldo Xavier  -  e-mail: jidx@hotmail.com



segunda-feira, 8 de junho de 2009

OS DOIS LADOS DA MOEDA


IVANALDO XAVIER


A vida as vezes nos reserva experiências que não estamos esperando e também nos coloca em situações vexatórias, inglórias e engraçadas. Existem situações permeadas por fatos lamentáveis, mas que vêm recheada de humor. É o típico humor negro ou a famosa tragicomédia. Tais situações nos revelam que, na realidade, a vida tem essa faceta, dois lados de uma mesma moeda: tristeza e alegria ou vice-versa.


Na verdade, ou seria puramente mentira, tudo na vida tem os dois lados. Depende agora de quem está lendo: se concorda ou discorda do que estou afirmando. É simplesmente a confirmação do que estou dizendo. Tudo tem dois lados. Existem duas verdades para um mesmo fato, mas somente uma corresponde fielmente ao fato. Contudo, nenhuma delas é mentira. Parece complicado, mas não é. Isso se chama “mito da objetividade” e está presente em todas as matérias jornalísticas.


Mas, fugindo um pouco do sério e voltando ao humor, na realidade das pessoas também existe a relatividade que nos coloca frente aos dois lados da vida, que às vezes chega a ser cruel e até preconceituoso. Senão vejamos: um pobre desprovido de beleza é feio, já um rico tem uma beleza exótica (rico nunca é feio); um pobre com estranhas manias é doido e um rico é excêntrico; um pobre que rouba é ladrão e um rico é cleptomaníaco. Existem mil exemplos que poderíamos citar aqui, somente para ilustrar os dois lados da vida. A riqueza e a pobreza são apenas mais dois lados da mesma moeda. Apenas, um é cruel.


Na verdade (mais uma verdade de dois lados?), se a vida é um jogo de cara ou coroa, alguma coisa nesse jogo está errado, pois quando a maioria da população nasce e a moeda é jogada, quase sempre cai com o lado da pobreza virada para cima, como se a moeda estivesse viciada pelo lado ruim da vida e sempre insistisse em cair do mesmo lado, quebrando um pouco essa coisa que nos diz que a vida tem sempre dois lados. Se isso é verdade, existem mesmo um lado viciado.


No trabalho, o pobre do operário, quando faz bem as tarefas que são de sua obrigação, recebe o rótulo de esforçado e o chefe, quando todos os seus subordinados ou a sua maioria são “esforçados”, recebe logo o rótulo de competente. Pobre correndo é ladrão e a polícia procura logo parar para averiguações e rico correndo é atleta praticando cooper. Pobre pedindo desconto é mesquinho e rico é comedido. São os dois lados de uma cruel moeda, que começo a suspeitar, tem na realidade um só lado e essa realidade é que pode ter dois lados, quem sabe? Na verdade, as moedas é que existem aos milhares, mas estão nas mãos de poucos.


No mundo em que a moeda de um lado indica a grande riqueza de poucos e do outro a miserável pobreza de muitos, alguma coisa está errada e precisa urgentemente de uma solução para que volte ao equilíbrio, pois uma demora maior pode provocar outras distorções mais graves e distúrbios sociais mais profundos do que os que já existem.


Na realidade, essa tragicomédia somente serve aos interesses de uns poucos abastados e demonstra a miserável situação de uma maioria: o lado podre da moeda nunca recebeu polimento e já está corroída pela abundante falta de caráter de homens (os dois gêneros) públicos que têm na mentira a sua verdadeira profissão e são, na verdade, uma moeda também de dois lados: o lado bonito que se apresenta para pedir voto e o lado sujo, que trabalha na surdina em busca de seus próprios interesses monetários. Vamos aprender a olhar sempre os dois lados da moeda.