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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O GRUPO POEMAS À FLOR DA PELE LANÇA DOIS NOVOS LIVROS





Poemas à Flor da Pele surgiu no mundo virtual no dia 29 de abril de 2006 e lança, na 57ª Feira do Livro de Porto Alegre, na Praça da Alfândega, mais duas publicações.

Os livros “Antologia Poemas à Flor da Pele”, volume 4, e “Contos e Crônicas”, volume 1, produzidos pela Editora Somar serão lançados no dia 29 de outubro (sábado), às 18h, no Memorial do Rio Grande do Sul, no Centro Histórico de Porto Alegre. Mais de 70 autores, de diversos estados brasileiros, de Portugal e da Suíça participam destas novas edições, o de poemas já em seu volume 4 (editado desde 2008) e, inovando, com o primeiro de contos e crônicas.

A coordenação dos livros estão sobre a responsabilidade das escritoras Márcia Fernanda Peçanha Martins e Soninha Porto, dirigentes do grupo Poemas à Flor da Pele, e responsáveis pela Editora Somar, criada em 2010. Itens específicos, como formatação, revisão e edição dos livros, são cuidadosamente trabalhados pelas escritoras. As capas foram especialmente criadas pelas escritoras Iara Pacini de Porto Alegre e Maria Goreti Rocha, de vila Velha/ES, membros do grupo. Nas edições de 2011, os poemas tratam de assuntos diversos, e os contos e as crônicas ganham temáticas do cotidiano. Assim, oferecem ao leitor mais de 300 páginas de beleza e modernidade nos textos dos livros que serão lançados.

Mais uma vez, escritores e poetas de todos os cantos do país reúnem-se, em Porto Alegre, para o lançamento dos livros no cenário literário da Praça de Alfândega. São esperados poetas do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, entre outros. Segundo a escritora Márcia Fernanda Peçanha Martins, o lançamento na Feira do Livro é muito importante para os poetas, porque abre espaços para todos. “É fundamental porque a feira é democrática, já que ali circulam autores consagrados e os novos, buscando a consolidação ou um novo lugar no mercado literário”, afirma.

A sessão de autógrafos terá um informal Sarau Poético, em parceria com o grupo da Associação dos Escritores Independentes, performances artísticas da coreógrafa e bailarina Beth Rodrigues (Maringá/PR) e do ator gaúcho Marcos Bahrone.

O evento de lançamento será realizado pelo grupo Poemas à Flor da Pele, com o apoio da Associação Gaúcha dos Escritores Independentes e pela Câmara do Livro de Porto Alegre.

Serviço:
Lançamento da Antologia Poemas à Flor da Pele, volume 4 e Contos e Crônicas, volume 1
No Memorial do Rio Grande do Sul – Centro Histórico de Porto Alegre (Rua Sete de Setembro, 1020), entrada lateral
Dia 29 de outubro, às 18h

Informações

Márcia Martins - marfermartins@hotmail.com (51) – 994-72771

Soninha Porto - heisoninha@gmail.com (51) -82230759

quinta-feira, 14 de abril de 2011

5 ANOS DA POEMAS NA CÂMARA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE


Evento da Poemas à Flor da Pele,
na Câmara Municipal de Porto Alegre,
dia 29 de abril, às 19h



Marca o aniversário de 5 anos da Poemas à Flor da Pele,
Grupo que faz sucesso em todas as redes sociais.


Inicialmente acontece uma Mesa Redonda com Marcelo Spalding, do Site Artistas Gaúchos e Jorge Duarte Barbosa, Mestre de Literatura, sobre o tema “A poesia no mundo virtual”. Os autores foram convidados por serem exemplos de respeito à cultura e prestigiar sempre as atividades do grupo.


Após o debate rola o Sarau com apresentações musicais de Marco Araujo (diretor de eventos da Poemas), Marcos Assumpção, carioca, que canta Florbela Spanca, as performances de Marcos Bahrone (coordenador de teatro do grupo) e das bailarinas Cigana (coordenadora de dança) e Pátia Mihr.

Estão previstas, presenças de amigos, de todo o Estado, colaboradores, escritores e poetas gaúchos, entre eles, Ana Luiza Conceição (diretora nacional), Benedito Saldanha, da ALA/POA e do Parthenon Literário, Ernesto Braga (conselheiro), Iára Pacini, Marcinha Martins (diretora geral), Maria Clara Segobia, do Instituto Cultural Nelson Fachineli, Oiára Bittencourt, Rogério Guaraldi (conselheiro), Rosa Mel, Sandra Antonioli (diretora de comunicação), Tania Platechek e Vany Campos.


A Poemas à Flor da Pele, criada em 2006, no Orkut, é um grupo aclamado no país e fora dele, pelas atividades artísticas e culturais que realiza. Já lançou 3 antologias em Bento Gonçalves, durante os congressos de poesia, na Livraria Cultura e Feiras do Livro, em Porto Alegre e, também, em eventos realizados em outros estados, com centenas de autores brasileiros, inclusive, que moram na Alemanha e Suiça, e com autores de Portugal.


Criou coletâneas infanto-juvenis com o grupo, e a cada aniversário lança um e-book de arte e poesia, verdadeiras preciosidades divulgadas na internet e concursos temáticos e livres na comunidade do Orkut.


Os representantes da Poemas, espalhados pelo Brasil afora, já fizeram saraus e lançamentos das antologias em Brasília, Belo Horizonte, Cotia – SP, Coroatá – MA, Paquetá - RJ e nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.


O sarau especial de aniversário tem o apoio da Câmara Municipal da cidade, Academia de Letras e Artes de Porto Alegre, Parthenon Literário e instituto Cultural Nelson Fachineli. No dia 14 de maio, realiza, ainda, um jantar comemorativo, no Clube Sindaf, às 20h, com entrega de troféus aos destaques culturais da arte, música e literatura, ligados à Poemas, do Estado do Rio Grande do Sul e, também, de Alagoas, Espírito Santo, Rio de janeiro e Santa Catarina.

Mais informações sobre os eventos:

heisoninha@gmail.com



Sarau de 5 anos da Poemas à Flor da Pele
Dia 29 de abril, às 19h
Sala Glênio Peres, Câmara Municipal
Av. Loureiro da Silva, 255 – Porto Alegre
Entrada Franca


Informações para a imprensa:


Soninha Porto
51-82230759
heisoninha@gmail.com

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

MEU COMPUTADOR

Por Soninha Porto*

 A tela plana, pequena, aliada às tantas teclas e a tantos momentos, modificaram e, ainda, influenciam diretamente o meu dia-a-dia. Passar um dia sequer, sem acessá-la, nem pensar. Comprei até um netbook, para estar por dentro do que recebo pelo mundinho virtual. O pequeno artefato  cabe na minha bolsa e carrego, por onde for, o prazer que o computador me traz.
Alço voo, viajo a terras longínquas do mundo e da minha imaginação, numa comunicação veloz, inimaginável em tempos de outrora, com tantas pessoas, de tantos lugares, num simples toques de dedos e teclas. Esse contato, matinal, vesperal e “noturníco” e, por vezes madrugada afora, preenchem meus vazios. Tornou-me produtiva. O tempo, dividido entre os afazeres da casa e com meu filho aborrecentenet, abre-se todos os dias a novos desafios, são surpresas e fatos, que me enchem de entusiasmo e nos quais aventuro-me, ouso, em versos e pela vida, sempre tendo em mente criar e compartilhar, onde uso e abuso de minha língua-mãe.
Dizer que estamos vivendo numa era de tecnologia avançada, é clichê, mas analisando o meu computador, tenho uma relação amorosa com ele, tornou-se indispensável e admiro o que provoca em mim e nas vidas de tantos, por ter algo de democrático, pois sem sombra de dúvidas, é  acessível a grande maioria de pessoas. Considero isso uma grande bênção.
Engraçado, que essa coisinha esperta, nem passava pela minha cabeça, até o final do século XX. Hoje é uma das ferramentas imprescindíveis em minha vida, e formou  um divisor perfeito entre o antes e o pós ponto com (.com).
Até 2002, meu amigos e meus amores, eram aqueles conquistados durante toda uma vida, os do colégio e trabalho, e ao contá-los, mal enchiam as duas mãos. No entanto, passados esses anos de experiências internáuticas, tenho centenas de amigos, de quase todos os lugares do mundo. Amores? Sim, alguns, mas esses continuam tão complicados, quanto (risos). Converso com meus amigos pelas redes sociais, por e-mails, pelos tópicos do orkut, em eventos que realizamos pelas cidades brasileiras, inclusive em Porto Alegre e vamos formando um grande batalhão, de pessoas que precisam umas das outras, que tem sede de embriagar-se em poesia e tem fome de quê? De serem ouvidas, de se saberem vivas, de ter nem que seja por instantes, a atenção para si e suas criações .
A comunidade Poemas à Flor da Pele, do Orkut, tem milhares de pessoas, que curtem o que curto, a poesia. Ganhei de presente de Nathália, uma amiga virtual, que ainda não tive o prazer de conhecer. É verdade. Ela é de Ribeirão preto, mas nem imagina o quanto a Poemas é tudo, Nat tornou-se eternamente responsável por essa felicidade toda que carrego.
Como não ser feliz se desconhecidos, mas amigos de fé de coração, te enchem de mimos? Como poderia imaginar que por criar simples versos, eu receberia de presente essa dádiva que é a Poemas? Nos tópicos criados para  amigos, já fizemos num final de semana 2 mil postagens,  só criando versos, é mole? Tudo virtual, mas tão real...
Atualmente, sou considerada poeta e escritora, por escrever e ter lançado meu primeiro livro, o doEU. Outro fato, que nem passava pela minha cabeça, quando eu ia imaginar que  escreveria  um livro?  
E ainda chamam-me de ativista cultural, pois com a Poemas lançei 3 volumes da Antologia Poemas à Flor da Pele, que virou uma coleção das mais respeitadas nos meios literários, onde centenas de pessoas, poetas e escritores, da Alemanha, Brasil, Portugal e Suíça estão nela, com versos e mais versos, tudo à flor da pele. E pasmem, todo o material foi trabalhado pela internet. Não é maravilhoso? 
Conquistamos um espaço maior com a internet, somos ouvidos ao longe, mas tudo fica muito, mas muito perto do coração. Ser poeta, escritora, ativista, colunista e o escambal, são nomes bonitos, são atividades que surgiram sem querer, mas o que importa mesmo é poder expressar-se de todas as formas, por versos, por crônicas, ou num simples oi, e compartilhar com pessoas de todas as raças, religiões e opções políticas, o que faço e o que penso sobre a vida.
E amigos virtuais, alguns já tão reais e tão necessários ao meu viver, conquistados pelas páginas da internet e em inúmeros eventos, onde nos encontramos, tornam  plena de emoções, beleza e poesia a minha vida. E tudo isso perpetua-se: rostos, momentos, poemas, abraços, beijos, livros, frutos colhidos diariamente pelo meu computador. 


imagem colhida no blog, mas ela é tão apropriada, que espero que  o autor não se zangue de  eu  usá-la.
http://rinnaldoalves.blogspot.com 

* Soninha Porto, escritora e poeta, gaúcha de Porto Alegre, 
administra a comunidade Poemas à Flor da Pele

segunda-feira, 24 de maio de 2010

TIQUE-TAQUE

 
 










Hoje escutei o barulho do tempo
O tique-taque implacável, sem fim
Que revela  meus fardos insuportáveis:
As inúmeras pedras do caminho.
Está tudo ali, num canto da memória,
O tempo com seus ponteiros imperceptíveis
Chuta pro esquecimento o imperdoável
As dores encostadas nas paredes da alma
descoram  e os sorrisos me acalmam
Meio que em paz, tento lembrar o suficiente
Pra me fazer tocar a vida
As sensações, o gozo, o delírio dos voos
O frio na barriga dos amores perfeitos
As janelas que abri inda agora
Rescenderam um breve perfume de jasmins.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

LANÇAMENTO DA ANTOLOGIA PAQUETÁ NO RIO DE JANEIRO






Photobucket



Livro Editado pela Editora Somar
Soninha Porto e Márcia Martins
smf.soninhaportoalegre@gmail.com
marfermartins@hotmail.com

sábado, 15 de maio de 2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

DIA LEGAL


Soninha Porto

Hoje entre meus afazeres, observo o dia de chuva fina a cair sobre telhados e de repente, num passe de mágica, um calor escaldante,  que faz brotar o suor em meu rosto, um dia confuso!
Ligo o computador, é o dia da mulher, o meu dia e de todas as mulheres, as que conheço e outras só pela telinha do pc, sinto meu coração palpitando, é necessário homenagear essas mulheres.
Olho pela minha janela, busco inspiração, ouço sons de buzina e sinto que o dia está mesmo com cara de segunda-feira, mas tenho que transformá-lo, fazer com que seja um dia importante, já que ele é tão reverenciado...
O que fazer para essas maravilhosas mulheres, que me acompanham há mais de 4 anos, na Poemas à Flor da Pele?
Basilina, Dora, Sirlei, Marcinha, Sandra e Goreti, mulheres que há muito tempo trocamos idéias, fazemos e acontecemos em eventos culturais e fortalecemos uma linda amizade.
A Comunidade que tá virando Associação Cultural, dá mais um passo nessa escalada vertiginosa, que só é possível porque essas mulheres acreditam no que acredito e me apóiam e me seguem e eu as apóio e as sigo também. Não posso deixar de dizer que os homens também.
É a Ana, a Telma, a Lena, a Rose, a Rosa, a Sandra, a Enise, a Leinecy, as Carmens, a Denise, a Fátima, as Claus, as Glórias, a Nádia, a Mary, a Lydiah, a Ligia, as Juçaras, a Cida, a Marineves, a B@by, a Zia, a Angela, a Roseane, a Gilda, a Luciana, a Andrea, as Soninhas, a Sara, a Arlete, a Uil, tantos e tantos nomes que são significativos em minha vida.
Recorro a comunidade de Lenise, moderadora de tempos da Poemas e que faz um trabalho de pesquisa de imagens inigualável, tudo ali é lindo e perfeito, por sinal usei as suas dicas para lhe homenagear pelo seu aniversário, agora dia 6 de março, não é brincadeira não, é verdade, depois da comunidade da Lenise, nada do que se faça tem graça. E lá na sua página encontrei o que precisava: uma moldura colorida, psicodélica até, para enfeitar os rostos que estão em meus arquivos, selecionei aqueles que estão mais presentes, rostos que fazem parte da minha vida, do meu dia-a-dia, tão conhecidos, tão íntimos, tão amigos!
E passei horas e horas buscando, selecionando, fentando imprimir a todos eles o meu sentimento de gratidão, de amizade, numa forma de dizer a essas maravilhosas mulheres que as amo, que seus rostos me encantam e me inspiram, porque circulam pela página da Poemas, onde escrevem poesias lindas, fazem artes digitais e formatações e deixam suas palavras e, principalmente: seus rostos que emocionam, não só a mim, mas a todos que passam por aqui.
Cada vez que os vejo alegres, com histórias lindas de amor, de felicidade, de luta, do viver bem, ou tristes, por doenças, fobias e perdas, e penso o quão pouco faço para retribuir-lhes a atenção e o cuidado para comigo.
O telefone toca, Chico, meu filho, interrompe meus pensamentos e o meu vertiginoso trabalho, chamando para almoçar. Fomos no bar do Alfredo, ali na esquina de casa, onde tem uma comidinha caseira bem boa. Ao sair, uns pingos de chuva começam a cair, eu e o Shin corremos com medo de a chuva aumentar, ao entrar no bar a dona logo dispara, como se não pudesse deixar de dizer: Feliz dia da Mulher!
Comi rapidamente, o trabalho me esperava, meus rostos me esperavam.
Será que eles irão sentir todo o carinho que tenho por eles, só com essa pequena homenagem? Será que eles sabem o quanto são importantes para mim? E se esqueci de alguém?
Assim nessa luta interior terminei o último quadro, fui do Sul ao Norte e até Portugal, tentei fazer o melhor. Ai, se não gostaram tenham piedade de quem vive só de rostos.
 

sábado, 20 de fevereiro de 2010

FESTA DE LANÇAMENTO DA ONG PAQUETÁ E DA POEMAS


Os dias 10 e 11 de abril de 2010 vão ficar na história.
Poetas e escritores do País inteiro estarão homenageando os criadores da ONG Paquetá, Ilha da Poesia e comemorando o aniversário da Poemas à Flor da Pele, comunidade que nasceu no Orkut e que hoje, com quase 4 anos de arte e cultura, é uma Associação Cultural das mais respeitadas no País.
O evento terá homenagens, poesias, performances, música e principalmente muita comemoração, pela alegria de confraternizar com pessoas que se preocupam com um dos pontos turísticos mais bonitos do País e convidam a gente da Poemas, para dar os primeiros passos por lá, será um momento de glória para todos nós.
O evento acontece dia 10 de abril, num sábado, no Iate Clube de Paquetá e dia 11 teremos a oportunida€de de visitar os pontos turísticos da mágica Paquetá.
Participe!

ONG – *PAQUETÁ – A ILHA DA POESIA*
QUARTO ANIVERSÁRIO DA COMUNIDADE CULTURAL
*POEMAS À FLOR DA PELE*
HOTEL PALACE ILHA DE PAQUETÁ
Já reservado

3 (três) chalés para 6 (seis) pessoas

2 (duas) suítes para 3 ou 4 pessoas

1 (uma) suíte para 2 (duas) pessoas (já reservada)

1 (uma) suíte para lua de mel (2 pessoas) (já reservada)

Preço: R$ 60,00 (sessenta reais) por pessoa.
Saiba mais com relação ao evento, hospedagem e alimentação, em nossas Comunidades no Orkut:
Paquetá a Ilha da Poesia -
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=98310435
Poemas à Flor da Pele - http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=12590356

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

SOBRE POEMAS E LEMBRANÇAS (pinheiro neto/nov/09)


 Soninha Porto e Pinheiro Neto na Feira do Livro em Porto Alegre 
Nov/2009




doEU demais deixar Porto Alegre no dia 06 de novembro passado. Embora trouxesse comigo os rostos, as lembranças, as conversas, os planos, as risadas e os muitos chopes, além das duas caixas da coletânea “Poemas à Flor da Pele”, a sensação de “quero mais” permanecia.


Foram dois dias intensos de convívio literário e artístico. Novos amigos, novos projetos, novas promessas. Amigos de outras Feiras e de outras épocas e o revisitar de novas perspectivas e parcerias.


Rever, conversar e novamente fazer planos com o meu amigo e emérito professor Francisco Camargo Neto. Conhecer pessoalmente Soninha Porto, coordenadora do movimento da “Poemas”, batalhadora cultural e autora do livro de poemas doEU; Raphael Pacheco, promessa de boa poesia; Claudete Silveira, com toda sua sensualidade poética, dentre outros e outras, além da performance maravilhosa de Maria Flor da Pele, personagem criada pelo ator Marcos Bahrone, com declamações de textos de vários poetas brasileiros.


Já havia participado da Feira do Livro de Porto Alegre em várias edições anteriores. Três dos meus sete livros, além de algumas coletâneas, tive o prazer de lançá-los através dela. Escritores gaúchos de renome tive o prazer de conhecer através dela: Moacir Scliar, Lia Luft, Antonio Hohlfeldt. O grande poeta gaúcho Mário Quintana tive o prazer conhecê-lo após passar boa parte de uma tarde conversando com ele num banco da praça da Alfândega na Feira do livro de 1988 ou 89, não lembro bem.


Esta 55ª edição da Feira, entretanto, teve outro sabor: um sabor anunciado pelo perfume que misturou poemas, flor, pele, amizade, confraternização, identificação e chope: o sabor de Poemas à Flor da Pele.

Crônica postada no site da Poemas à Flor da Pele pelo autor
http://poemasaflordapele.ning.com/group/minhascrnicas

domingo, 15 de novembro de 2009

MARIA FLOR DA PELE (*)



ator Marcos Bahrone, em performance no Memorial do RS, 
lançamento da Poemas à Flor da Pele/novembro/2009

(*)  Márcia Fernanda Peçanha Martins



        Maria é uma mulher como outra qualquer. Não foge à regra e tem suas rotinas femininas. Acordar, entrar no banho, tomar um café requentado e passar, rapidamente, margarina na fatia de pão dormido, vestir-se, espremer-se dentro de um ônibus lotado e ir trabalhar. Nos horários de intervalo, corre para aproveitar o tempo. Desvia os olhos das vitrines que liquidam sonhos.
        Apesar de cumprir com quase todos os afazeres femininos, Maria foge dos padrões estereotipados de mulher. Por isso, é diferente. Expõe os sentimentos. Não nega que vive equilibrando suas emoções. Fala abertamente de seus desencontros. E se precisar desafia, interroga, enfrenta, chora, berra ou sussurra.
        Seu sobrenome é Flor da Pele. Seu hobby é ler e o lazer é participar de saraus. O seu trabalho pode ser a medicina, advocacia, a educação. Seu prazer é fazer poesias. Não para ganhar dinheiro, porque sabe da falta de incentivo para a cultura, mas por paixão. É só ter tempo livre e está teclando com pressa ou escrevendo em um pedaço qualquer de papel versos e rimas.
        Essa Maria tem cabelos não muito curtos, ondulados, de cor clara, que prende com uma tiara combinando com a roupa. As suas vestes são um pouco escandalosas, ou melhor, autênticas. É que Maria aprendeu a diferença das palavras e autêntica é uma escandalosa que a gente gosta. Mostra unhas curtas, quase um pouco roídas. Mas sempre pintadas de esmaltes com cores vivas. E ao empinar bem os peitos firmes, afirma, provocando inveja nas outras: “são perfeitos, parecem duas bolas”.
        Essa mulher poderosa, charmosa e esbanjando alegria, não resiste a um palco, ainda que não seja exatamente o tradicional. Essa mulher exibida, espetaculosa e que distribui simpatia, sabe declamar muito bem poesias. Essa mulher talentosa e que arranca aplausos, gosta de recitar poesias. E sempre que pode, decora as poesias da comunidade do Orkut “Poemas à Flor da Pele”.
        Ela é especial. Poderia ser tantas Marias: Reginas, Helenas, Cristinas, Lúcias... Mas é Maria Flor da Pele, com orgulho. Tanto que anuncia bem alto a sua chegada. Ela é especial. Poderia ser tantas mulheres: indecisas, inseguras, audaciosas, tímidas... Mas é uma mulher que tem poema no seu olhar, no rebolar, no trajar, no perfumar. Com muita vaidade.
        Maria Flor da Pele já foi Fernando Pessoa e agradou. É, com frequência Shakespeare, e ouve pedido de bis. É qualquer poeta quando se faz de Estátua Viva nas praças e parques de Porto Alegre, nas ruas de Bento Gonçalves ou praias do Rio de Janeiro.
É Maria por ser um nome quase universal e expressar o sentimento de qualquer mulher. E é Flor da Pele porque é a nova personagem criada pelo ator Marcos Bahrone para se apresentar nos eventos da comunidade “Poemas à Flor da Pele”. Um presente do talentoso Bahrone para as mulheres à flor da pele.




(crônica recebida da Moderadora da Poemas, a jornalista Márcia Martins - marfermartins@hotmail.com)

      

sábado, 7 de novembro de 2009

PAPOS NA E DURANTE A FEIRA




BATE-PAPO BOM
Soninha Porto



Tem coisa melhor no mundo que uma cervejinha gelada e um bate-papo com amigos? 

Pois nesta sexta-feira, dia 6 de novembro, depois de muito tempo envolvida com a elaboração de livros, eventos, viagens e o escambal, tive o prazer de sentar num Restaurante, o do MARGS, em plena Feira do Livro de Porto Alegre e curtir a agradável companhia de meus amigos poetas, Claudete Silveira, de Cachoeira do Sul, a  erótica (risos, acha que pego no pé dela, mas é brincadeira, numa referência a seus belos poemas sensuais) e Pinheiro Neto, de Florianópolis, num papo super legal sobre tudo:  vida, prazeres, inclusive da boa mesa (ele se revelou um gran gourmet, já teve até Bistrô), amores, projetos, livros, eventos  e Poesia.

Vieram de longe, para participar de nosso lançamento da Antologia Poemas à Flor da Pele, volume 2, no Memorial do Rio Grande do Sul, que aconteceu um dia antes, 5 de novembro às 18h, com grande número de poetas presentes.

Fico toda prosa, não é vaidade não! As pessoas acreditam no que se acredita, isso dá a sensação de não se estar só na luta.

Ela veio da cidade a 180 km de Porto Alegre, região Central do Estado, no Vale do Jacuí, professora de português, poeta e escritora, é uma presença alegre e bonita nos eventos da Poemas, desde 2008.

Ele, Pinheiro Neto, conheci no virtual, indicado por Walnélia Pederneiras, escritora, poeta e amiga de Florianópolis, do grupo da Poemas, para convidá-lo a participar de nossa 2ª antologia.
Ao ler os seus "Poema(n)do" e sua biografia, pulei de alegria, um grande poeta e escritor chegava em nossas paragens.

(Por ato falho meu,  o nome dele quase sai errado no livro: Pinheiro Machado, demos boas risadas sobre isso, após receber dele um e-mail apreensivo,  em vermelho e letras garrafais, percebi o tamanho do mico).

Pinheiro Neto tem vários livros publicados, é presidente da Associação Catarinense de Escritores, Professor universitário, membro da Academia Catarinense de Letras, diretor da Cepec editora e coordenador do projeto comunitário Confraria da Leitura na Barra da Lagoa, em Florianópolis - recanto de suas criações, onde mora.

Ele havia manifestado interesse em ir a Bento Gonçalves, no Congresso Brasileiro de Poesia, mas não pôde, desta vez pensei que também não. No entanto, lá estava ele, entre nós, com seu sorriso largo, seu cabelo grisalho, desenhado por um rabo-de-cavalo, num estilo todo seu, e um dia após o lançamento, tomando uma cerva gelada, a compartilhar idéias e selando uma amizade  das boas, provocada pela Poesia, para sempre.

(Eu adoro essas coisas de para sempre, tem um lado meu, bastante sonhador, que quando escreve, puxa esses termos, talvez por acreditar que as coisas boas duram pra sempre mesmo).




BATE-BOCA BOM

Este título casou perfeitamente com os momentos que vivenciei  neste final de semana. Recebi a divulgação por e-mail, do Instituto Cultural Norte-Americano, de Porto Alegre, sobre o  Bate Boca Bom, que rolou, hoje,  dia 7 de novembro, na sede desse Instituto, no centro histórico de Porto Alegre. Não pude resistir à alegria de ir abraçar um amigo da Poesia, um dos grandes nomes da atualidade: Frederico Barbosa, Diretor da Casa das Rosas - Espaço Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura e Diretor Executivo da Poiesis - Organização Social de Cultura. 

Ele abre as portas da Casa para todas as manifestações culturais: Em 1º de julho deste ano, realizei com Dora Dimolitsas, o aniversário de três anos de nossa Associação Cultural: a Poemas à Flor da Pele, na avenida Paulista, na Casa das Rosas, só possível pela generosidade dessa figura.

O Bate Boca foi agradável, com intervenções dos poetas Armindo Trevisan e Maria do Carmo Campos falando sobre poesia e Léa Masina, doutora em Literatura, coordenando o bate-papo.

Fred, como é chamado pelos amigos, é extremamente simples, mas ao falar percebe-se o homem refinado e culto, qualidades que traz de berço, ele é filho de grandes personalidades, a  educadora Ana Mae Barbosa e João Alexandre Barbosa que foi crítico literário, diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), presidente da EDUSP e pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária, de São Paulo.

É um prazer rever e ouvir esse Poeta e Escritor Pernambucano, que também se considera um  paulistano, com uma prosa alegre, mas de grande profundidade sobre Poesia e os movimentos da atualidade. 

Ele falou sobre seus livros e me presenteou com Cantar de amor entre os escombros (Landy, 2002). É autor também de Rarefato (Ed. Iluminuras, 1990), Nada feito nada (ed. Perspectiva, 1993 Prêmio Jabuti), 5 Séculos de Poesia - Antologia da Poesia Clássica Brasileira (Landy Editora, 2000), Contracorrente (Iluminuras, 2000), Louco no Oco sem Beiras - Anatomia da Depressão (Atliê Ed, 2001) e Na Virada do Século - Poesia de Invenção no Brasil (Landy Ed, 2002). 
Apresentou-nos o Signicidade, projeto de Dulcinéia Catadora, numa coletãnea de escritores e artistas, catadores e filhos de catadores, que utilizam capas de papelão pintadas à mão.

PRAZER ENORME POETAS!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O TEMPO



http://salobrear.blogspot.com/

O tempo é implacável, não deixa esquecer que as coisas passam, quando se vê já se foi...
A gente tenta que durem pra sempre, mas quando se percebe passaram. Já era!
E vamos vivendo, muitas vezes do passado, amontoando na alma as coisas boas, que deixam aquela sensação de felicidade marcadas na pele, no rosto: o primeiro vestido de noite, todo especial, o primeiro beijo, a primeira transa, o primeiro filho e tantas viagens legais, uma grana insperada, amigos inesquecíveis, a descoberta da primeira poesia.
E aquelas coisas e sentimentos que não queremos nem lembrar, as notas ruins, traições, rejeições, erros, casamentos desfeitos, tristezas, choros, solidão, verbos passados, mas que ficam martelando o presente.
Estão lá nas nossas gavetas da alma, que se abrem sem a gente querer, basta uma breve sensação e pronto! Mostram o que ali está guardado. Essas gavetas são como uma caixa de pandora, dão a tônica do nosso viver, fazem-nos sorrir ou trazem seus lamentos. De minha parte eu tento pular essa parte. Quero viver o meu melhor, dar uma espanada no que foi ruim e trazer o colorido pra meu dia-a-dia do que foi bom.
Tudo por causa do tempo, que provoca esse vai-e-vem, num desenrolar louco e azar o seu se não souber viver, não souber curtir e capturar a beleza dos momentos, vai pro espaço, sem dó.
Mas o tempo, ele ajuda a suavizar as dores, porradas da vida que não tem como não levar: Pais, amigos, conhecidos, que partem pra outros lugares e até para o infinito. Coisas ou pedaços que vamos deixando pelo caminho, perdas, derrotas, que batem duro, e quando, sem querer, lembramos, mesmo voltando a vivê-los, são mais amenos. São do ontem.
O que me dá a sensação de estar vivendo um bom tempo é a Poesia. Nela posso viajar nos meus mundos internos usando uma lente que amplia o que vivi, e neste momento único, só meu, é quando passo a peneira e deixo de lado o que não incomoda e às vezes cutuco a dor. Assim, quando o poema se forma e as letras caem na tela do computador, deixo ali um pouco de mim, tento arrancar o que sangra nas fibras e veios do meu eu e vou virando e revirando as páginas das tristezas, ânsias e mistérios construídos com o tempo. A poesia me permite um olhar melhor sobre o caminho a seguir, dá uma certa paz ao meu presente, tornando a minha carga bem mais leve. Com o tempo a meu favor, que aliás desde que comecei a escrever, sinto que cada verso cura um pouco mais o meu espírito, que foi forjado nas garras do tempo. Sorrio mais, compreendo mais e sei exatamente o que me faz feliz, não perco tempo com bobagens. O mundo está acelerado demais pra isso, com as coisas legais que temos a nosso dispor, como os recursos tecológicos atuais impensáveis até 20 e 30 anos atrás, temos que nos apressar também, deixar pra trás o que não tem mais jeito e ser mais feliz hoje, aproveitando o tempo da melhor maneira possível. Ele passa, então deixemos rastros e pedaços de coisas boas. Eu tenho uma sugestão: faça Poesia!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

UM CONCURSO


(imagem google)

O concurso é desafio sobre a capacidade de pensar e de se fazer entendido por outros.

Soninha Porto

Participar de concursos é isso. Esta crônica coloquei num concurso da Comunidade Poemas à Flor da Pele e foi selecionado em 2º lugar. Este resultado é significativo, já que fui quase entendida, ou o que falei serviu pra alguma coisa. Pelo menos pro resultado do concurso. Lendo-a novamente, lógico que já alterei alguma coisa, mas no seu bojo continua a falar do encontro do meu íntimo comigo mesma. Redundância? Pode ser, mas quem escreve sabe do que falo, momento em que prestamos mais a atenção em nós mesmos. E fui em frente. Então, com vocês:

O POETA E O POEMA

O poema nasce do confinamento do poeta em si mesmo. Pois é, lendo Vinícius de Moraes e a sua prosa "Transfiguração pela poesia", esta frase brotou do fundo de mim. Maravilhosa essa força das palavras! Que provoca até fazer seus efeitos. A poesia só existe quando toca o outro, pensei. E pensando nisso, Vinícius renasceu ali, no exato momento em que me prendeu a seus pensamentos. Logo me arremeteu ao concurso de Machado de Assis, fiquei até em dúvida, de como o tema poderia se encaixar nas idéias Machadianas, ele que penetrou como ninguém nos meandros da alma humana.

Tentei me ocupar com outras coisas, fui até a cozinha, tomei um café, fumei um cigarro, mas em vão, conclui que o pensamento tinha me aprisionado, por mais que eu tentasse escapar, nada mais teria sentido, até que eu, confinada em mim, escrevesse sobre o poeta e o poema em sua nascente, sobre as idéias e imagens que chegavam pulverizadas...
Tentei me enxergar ao escrever e percebi a essência do pensamento do poeta, o que ele quer dizer, e é engraçado me observar, a entrega a um completo delírio, sem descanso, até que o ponto final chegue.
O meu lado poeta fala alto, imagens minhas e dos que padecem, ou aquelas doces e ternas, que escorrem dos vãos da minha alma cheias de fantasmas ou inspirações.Tenho a impressão de que os vultos se aproximam, sem nexos a procura da forma, e pouco a pouco vou construindo ou desconstruindo. Creio que Vinícius me fez desconstruir, a partir de seu pensamento busco o que me inspira e tento desfazer o quebra-cabeças, a língua ferina da dor, ou a que adula o viver.

Na tela, pinceladas de arco-íris e de sombras que persistem duras e frias. O poema parece planar e eu também, derramo sentimentos que pulsam, vivos de crueza, de cheiros, da sensibilidade que insiste em falar de amor. Porquê de amor? Se a vontade é de rasgar-se até a exaustão.
Mas o amor persiste, ele faz cair os véus do tédio, acalora o corpo e traz cor. Desse delírio de afeto ilusório transformo manhãs e as noites passam a ter luas, onde ilumino-as com versos.
Mas o lamento remexe, machuca, é um andar nas sombras à procura de luz.
Sensações poderosas, que a minha mente insana provoca, ao fazer culto ao amor, ao corpo e a alma, ou às perdas, que só eu sei, das tantas e tantas tristezas nas sinistras noites de solidão.

E de tanto pensar e criar, o desfecho de uma noite em mim é a embriaguez em versos do poeta pra fugir da indiferença que o cerca, ou para reter a beleza do que sente, onde junta tudo e joga nas palavras o manto das desventuras, ou encantos oriundos de seus sonhos. É uma viagem ao fundo, é a transcendência do ser, a sensação do prazer infinito, quando ele chega quase a lamber os versos e cospe a poesia. Quer atingir indiferentes, ou em chamas, os cheios de esperança e confiança na largueza da vida, o que seu transe proclama, ainda que viva em si um vazio.

Que significados terão estes pensamentos pra alguém? Este confinamento vai ajudar a renascer quem chora e sofre? Vai dizer algo a quem ama e canta?

Com essas idéias todas bailando em mim, olho pra noite, o céu tá escuro, lá fora está frio, tento me aquecer e enrolada numa manta, ainda me faço perguntas e depois de cansar de tanto olhar o lado de fora, volto-me pra dentro de novo, as palavras me chegam meio sem sentidos, fogem, relutam, até que num repente de inspiração o poema se entrega, pronto, inteiro, sem contestação. Satisfeita com o resultado dou pequenos retoques. É preciso rever, irá viajar pelo mundo à procura do outro, aquele que em sintonia com minhas idéias, retenham-nas em um novo confinamento. Pode ser que não provoque nada em alguns, mas esta liberdade é a que quero, a beleza do vôo livre do poema, em rumo incerto, ou a crítica certa.
Ao chegar, como chegou a prosa do genial Vinícius, completa-se o ciclo vital do poeta, do contrário a poesia nasceu morta.


segunda-feira, 27 de julho de 2009

SÍNDROME DE DOWN



Fiquei sabendo que a filha da Sandra deu à luz a Clara. Amanhã vou correr ao hospital pra levar fraldas e mais fraldas.
Sandra é uma amiga, daquelas que a gente pode chorar no ombro, que tá pronta pra uma cervejinha ou um café na esquina. Que vai em todos os eventos e até no Rio de Janeiro, quando fomos comemorar o aniversário da minha comunidade, lá estava ela, de mala e cuia com a gente. É uma das pessoas mais bonitas que conheço, trabalha pra caramba, cuida de uma mãe de mais de 80 anos, está sempre às voltas com os filhos (duas moças e um rapaz), sem deixar de atendê-los em nada, e está sempre sorridente, se não tem nada a dizer, a gente tem certeza de que ela está junto, pro que der e vier.

Pois Sandra agora é Vovó, assim com "V" maiúsculo, porque tenho certeza, de que vai criar essa menina com todo o amor e generosidade que ela tem dentro de si: a menina tem síndrome de Down. Ah, um detalhe, a filha de Sandra é mãe solteira. (fiz uma crônica em sua homenagem, aproveitando a deixa do dia da Mulher, no meu site Mulheres fortes, pobres mulheres - http://www.soninhaporto.com/).

E assim é a vida, a Naná, sua filha, loira, linda, 20 anos, numa família de bom poder aquisitivo, no entanto, por caminhos tortos está trazendo Clara, que vai transformar a vida, por ser especial e por colocar à prova os corações e mentes de todos os evolvidos.

Tenho certeza de que Deus, ao seu jeito de fazer as coisas, abençoou as duas, que tenham força e coragem para seguir em frente e que em todos os momentos reaprendam a viver e encontrem a felicidade.

É um tema que instiga, e procuro informações a respeito da síndrome e da gravidez na adolescência.

Questões econômicas, carência afetiva e a falta de um projeto de vida são os fatores que levam à gravidez precoce.

Comprovam as estatísticas brasileiras que 65% das adolescentes grávidas estão entre os que detém uma renda de até um salário mínimo. Junto com a desinformação e uma educação precária, mocinhas descambam para a sexualidade precoce, sem conhecer direito o próprio corpo. Carência afetiva e falta de um projeto de vida, muito normal em adolescentes, que associadas aos outros dois fatores, só podem levar a este estado degradante dessa camada da população.
Naná está nas estatísticas, mas tem uma família que lhe dá apoio, com melhores condições financeiras e seu projeto de vida, agora é outro: Ser feliz e cuidar de uma pessoa especial. Mas ela não está sozinha, sua família e principalmente Sandra está com ela.

Quanto à Síndrome de Down, houve nas últimas décadas uma mudança na maneira de ver e compreender as deficiências, a mídia abriu a caixinha preta, com reportagens, debates, participação em programas de TV e campanhas publicitárias. O preconceito ainda existe, histórias de discriminação também, mas com certeza quem tem um ser assim tão frágil e especial para cuidar, só pode ser um escolhido de Deus.E maiores informações, agora só numa próxima crônica.
Sandra conte comigo!



Crônica de Soninha Porto

Administradora da Poemas à Flor da Pele no Brasil
Divulgadora do Proyecto Cultural Sur Brasil - núcleo Porto Alegre

domingo, 5 de julho de 2009

SÃO, SÃO PAULO MEU AMOR...

Avenida Paulista.

O verso de Tom Zé saiu assim... sem querer da minha boca.
Essa música, lembro ainda, venceu o IV Festival da Record, da MPB, em 1968, e era muito cantada nas rádios e programas de televisão, um sucesso naquela época.
Na continuação dos versos o músico faz alusão a infelicidade, mas o sonoro refrão que furtivamente cantarolei, apareceu num repente, nestes primeiros dias de julho, ao me deparar instalada na Avenida Paulista, no coração de São Paulo.

Sem dúvida, é a maior cidade brasileira, com quase 11 milhões de habitantes, a maior das Américas e do Hemisfério Sul, não só em tamanho e população, mas na grandiosidade de sua economia, da sua política e do movimento cultural que ali é disseminado.
E eu vivendo alguns dos seus bons momentos, do seu dia-a-dia.

Pareceu-me que eu era apenas um pontinho no meio da multidão, no centro nervoso dessa grande capital. E no meu caso, da Cultura.
Não estava nervosa, mas sim feliz. Em poucas horas vai acontecer o evento da minha comunidade “Poemas à Flor da Pele”, oriunda do Site de Relacionamento Mundial - o Orkut-, na Casa das Rosas, na avenida Paulista gente!?

Lembro ainda a música de Tom Zé, de que “somos um povo infeliz, bombardeado de felicidade”, viajei na cena do sonho e em pleno paraíso, fui bombardeada de felicidade, aconchegada nos seus braços, fervilhada de calor, de versos e rimas à flor da pele. Que infelicidade que nada...

Avenida paulista

Parece uma lista

Não pára de crescer

Pro alto e gente pra todo lado

E apenas uma turista

Por onde tem andado

Tem sorrisos pra dar e vender...


Hospedada na casa de uma acreana, a Dora, que há muito mora em São Paulo e nessa bela avenida, me proporcionou momentos pra eu me sentir como se estivesse em casa.
Ela e Lúcia, gentilmente me aguardaram no aeroporto, em Guarulhos. Adorei o passeio de carro até a grande avenida, onde pude rever São Paulo, depois de mais de uma década, as cenas ampliaram-se, tem povo pra todo o canto, as ruas cresceram, as elevadas se multiplicaram e percebi que o lugar tomou proporções estratosféricas.
A sensação de pequenez de sempre, me acompanhou por todo trajeto.
Ao chegar acalorada, abri malas abarrotadas de livros e de roupas grossas, quando que lá fora respirava-se um ar de mais de 20°. Segurei, naquele dia quente, os impulsos de ganhar a rua e fazer parte daquela paisagem.
Ao cruzar suas calçadas, com passos firmes saudei-a e transpirei emoção seguida pelos movimentos dos carros, do povo que ia-e-vinha desfilando em suas alas, numa cadência bonita de vida.
Tudo isso encharcou de excitação meu corpo e alma de poeta. Os olhos seguiam e encontraram beleza em tudo que via.Tudo se completava.
Tomei essa rua como minha.
Os grandes prédios, as largas avenidas, as diferentes raças, tudo uma grande redescoberta, eu mais uma vez tão pequena!...Mas já fazendo parte das ondas de seus movimentos.



Casa das Rosas

E nesse séquito cheguei ao lugar mais conhecido do mundo, pelos caminhos da avenida mais famosa, no número 37.
Ela tem uma construção antiga, localizada próxima ao portão, cercada de belos jardins bem aparados, numa casa de altos e baixos, cheia de salões e escadarias - segundo o que li, segue estilos da arte renascença e francesa, de Luís XV, de uma influência greco-romana, ou seja neoclássica-.



Mas, nada disso tem tanto valor como saber do trabalho que é feito no espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, reinaugurado em 2004.
Sem preconceitos e totalmente democrático, abre portas para eventos culturais: lançamento de livros, saraus, recitais, peças de teatro entre outras apresentações.




Visitei suas salas, até senti o perfume de rosas brancas que delicadamente caíam sobre nossas cabeças...
Tomei um cafezinho no Café que fica ao lado do prédio, com amigos, que já se aglomeravam para o encontro, a Lucinha, Jorge, Viviane, Fátima, Kedma, Mell e Verluci.
Os bate-papos correram soltos, a energia era muita e entre muitos abraços respirei aqueles ares imponentes, desde que o sol brilhava sobre ela, até o momento em que suas luzes se acenderam: aí era ela quem brilhava.
Foi lindo!

Estava em estado de graça, pela importância de tantos fatores reunidos, num só momento, um lugar especial, celebrando com velhos amigos e conhecendo tantos outros pessoalmente, estes que não mais fazem parte do meu imaginário na internet, agora são reais.
Que dia especial!

Na verdade poderíamos estar até num barracão, mas só o fato de ser na Paulista, no lugar onde os seus responsáveis fazem tudo para promover a arte e a cultura, penso que já é o suficiente.
Graças a essa política nosso evento, tão bem coordenado por lindas mulheres, pessoas da melhor qualidade, Dora Dimolitsas e Lúcia Gönczy, abençoadas por Frederico Barbosa, Diretor da Casa, o inesquecível dia 1º de julho, de 2009, às 19 horas, ficará gravado pra sempre em suas paredes e nas nossas memórias.

Deixamos ecos de arte, de poesia, de música, aliados à alegria e amizade de todos que por ali passaram e que por momentos tivemos o privilégio de receber.
Tudo foi de uma beleza ímpar e se os donos da casa não informassem que já estava na hora de fechar, ninguém ia embora.
O encontro foi até 22h30min, uma hora além do previsto, prestigiado por poetas e escritores, músicos, performistas e artistas que emprestaram seus talentos a essa comemoração de 3 anos de criação da Poemas à Flor da Pele.
O sucesso, atribuo a dedicação dos que coordenaram e àqueles que participaram com o seu melhor, mesmo que por breves momentos, deixaram nos nossos corações a marca da beleza da poesia, nas mais diversas manifestações.
Sucesso mesmo, só por ter acontecido nessa mágica Casa das Rosas, no memorável espaço Haroldo de Campos, na Avenida Paulista, na cidade de São Paulo, no Brasil, no planeta terra.


São, São Paulo meu amor... Obrigada!