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sábado, 26 de dezembro de 2009

A visita do Anjo de Natal


Antes que me pudesse dar conta
O anjo adentrou a sala
Esvoaçando suas asas
E perguntou-me, num sorriso divertido,
De quem já sabe a resposta:
-Você está esperando?
Foi quando percebi
Que não estava apenas
Deixando-me ficar,
E cansada de repisar
Palavras e idéias,
Respondi:
-Sim, estou esperando.
Então, o anjo levou-me consigo.
Ao acordar pela manhã,
Na bagunça do meu quarto,
Entre cacos da velhíssima história,
E sentimentos carcomidos de todo dia,
Senti ainda presentes,
Ressoando em meus sentidos,
Os acontecimentos daquela
Incrível noite de sonhos.
E num vislumbre,
Por entre as frestas da cortina do dia,
Algo novo se insinuava,
De um angelical brilho
- O mais lindo sorriso -
Enquanto sussurrava em meus ouvidos:
- Estou contigo.
Maria Lúcia de Almeida

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A Partida

‘Departures’ ou ‘A Partida’ – título em português – é um filme belo, sensível, e também muito interessante por se tratar da milenar cultura japonesa em lidar com a morte. A peculiar tradição de um país que ao entrar em choques existenciais contemporâneos, leva-nos a refletir sobre uma questão que, para nós ocidentais, é por demais esmagadora: o medo da morte.
Para a maioria das pessoas, esse é um assunto empurrado para o subconsciente e negado na vida cotidiana. No entanto, o filme, com muita sutileza, nos mostra uma outra face da morte que não somente a do apego, da dor e do desespero. Enquanto o personagem Kobayashi age como guardião entre a vida e a morte, aos poucos, vai compreendendo que mesmo em tempos obscuros de pranto e de dor, a beleza pode habitar. E nos momentos que antecedem ‘a partida’, trabalha para que ninguém pense em preto, ninguém pense em luto, ninguém veja o morto como diferente, estranho ou intruso. O morto é apenas o vivo que conclui o trabalho de viver e, com toda dignidade, é primorosamente preparado para sua nova jornada.
Uma nova jornada: é esse o sutil toque de ‘A Partida’. Assim como os filhos seguem seus caminhos quando crescem, os primeiros professores, os grandes amores e até os amigos quando escolhem rumos diferentes. O nosso grande mal é traçar essa barreira de pavor entre mortos e vivos, como se a separação efetiva houvesse realmente entre vida e morte.
A vida emana da vida, o botão se transforma em flor, a criança se torna adulto...a vida não é outra coisa senão a preparação para as tantas partidas.
E no final ficamos menos tristes, menos confusos e menos vulneráveis ao sentirmos que nada precisa morrer no instante da morte. É apenas o deixar fluir da natureza, certos de que em meio às cinzas está a semente do novo que vai nascer.
Maria Lúcia de Almeida

terça-feira, 15 de setembro de 2009

"Vive l'amour"


‘Vive l’amour’ é um filme especial e também uma obra prima visual. Quase desprovido de diálogos e misturando contrato de sagacidade, estranho erotismo e profunda tristeza, é um filme realista e, ao mesmo tempo, poético e sensível. Um filme para poucos, pois está muito além do mero entretenimento e acima da superficialidade do cotidiano jornalístico.
No enredo, Hsiao é um tímido vendedor de urnas funerárias, possui tendências suicidas e, como forma de redenção, busca coragem para por fim à própria vida. Mei-mei é uma corretora de imóveis que encontra no sexo uma forma de compensar seu intenso sentimento de abandono e infelicidade. Ah-rong vende roupas usadas e se ‘vira’, pelas ruas, para sobreviver. Três jovens solitários e fechados em seus próprios desesperos que acabam se encontrando em um apartamento vazio da cidade em busca da satisfação nos atos compartilhados. Vidas tristes e trocadas, caminhos densos, onde o viver ‘cada um por si’ e a incomunicabilidade são condições do mundo atual e a principal causa do sentimento de abandono e exclusão.
É o cinema contemporâneo que vem tratando da solidão urbana, da falta de amor e de comunicação entre as pessoas. De um mundo onde o materialismo e a alienação urbana ganham espaço e imperam sobre a civilidade e a razão da grande parte das sociedades. Onde o capitalismo com seu efeito globalizar produz uma realidade fria que não mais reflete o interior das pessoas, mas apenas o exterior. Vida de desencontros, vida de excluídos, sofrimento sem nenhum atenuante.
Geralmente , ouvimos, vemos e sentimos conforme nossas inclinações e evitamos, até mesmo excluindo, pessoas com a sensibilidade para enxergar determinadas facetas de nossa realidade. Uma dessas pessoas é o diretor Tsai Ming-Liang que através de seu excepcional “Vive l’amour” veio nos confirmar que muitas vezes mentimos mais alto quando mentimos para nós mesmos.

Maria Lúcia de Almeida

sábado, 29 de agosto de 2009

Divino espetáculo


Por que será que precisamos de tantos significados, explicações, rótulos, conclusões e detalhamentos? Qual a grande necessidade de estarmos sempre nos explicando, batizando todas as coisas, concluindo se é assim ou assado. Criando atalhos e justificativas, buscando lógica e razão, queremos segurar o mundo através de nossas cabeças, acumulando informações e conceitos. Entender, em certo sentido, é também fragmentar, dividir, analisar. Em nossa ansiedade por entendimento acabamos por reduzir a vida às dimensões já conhecidas, para em seguida cairmos no tédio e no desinteresse. Quando crianças, o mundo é sempre mágico e somos a pura expressividade. À medida que amadurecemos e aprendemos que a vida é assunto muito sério, esquecemos de brincar, de sentir e de apenas emocionarmos.
Tudo isso me ocorre a propósito de certa viagem de férias que fiz a um lugar paradisíaco chamado Dunas de Itaunas. Um pequeno vilarejo que fica ao norte do Espírito Santo e que nos anos 50, devido ao lençol arenoso soprado pelos ventos nordeste, foi totalmente soterrado. A vila, como que brotando das cinzas, renasceu nos anos 70 ao lado do rio Itaunas e do outro lado, próximo ao mar de um azul profundo, edificaram maravilhosas dunas de até 30 m de altura de areia finíssima e dourada onde o sol celebra sua existência espalhando seus lindos raios.
Do alto das dunas é possível ver a praia de um lado e o rio de outro e o lugar atrai turistas de todos os cantos do mundo que, ao chegarem em Itaúnas, ficam fascinados pela manifestação do sol na hora do crepúsculo. Por alguns minutos o céu é banhado de luz multicolorida e alí, por sobre as dunas, ficamos com a alma embriagada, encobertos e encantados por um imenso arco-íris. A vila refletindo as cores do céu dá a impressão do paraíso.
Foi durante esse divino espetáculo, raro momento em que me permito ir além dos limites do conhecido em busca dos mistérios do Sagrado, acreditando que nada existe que não tenha forma antes inventada pela natureza, que escuto, por acaso, a expressão de um pequeno coadjuvante da mãe-natureza. Uma criança de mãos dadas com sua mãe que, naquele instante, tornou-se símbolo do reencontro com a minha própria emoção:
- Que beleza, mamãe! Quem pintou?

Maria Lucia de Almeida

domingo, 9 de agosto de 2009

Olhos de Gude

Tardes de céu muito azul, dias de inverno na minha cidade. Durante um café na Livraria e enquanto conversava com uma amiga, apareceu de súbito - por um instante quase surreal - aquela criaturinha:
-Compra bala na minha mão, moça!
O que mais me emocionou não foi somente o fato de mais uma menina de rua estar ali, circulando entre os clientes, vendendo balas baratas para sobreviver. Foi também a beleza angelical de no máximo sete anos de idade, corpinho moreno e franzino, cabelos cacheados e olhos bem escuros, redondinhos, que mais pareciam duas bolinhas de gude. Não fosse pelos humildes trajes, eu diria que ali, bem na minha frente, estava uma das meninas retratadas pelo artista Renoir. Refreando o instinto maternal que ditava a minha vontade de puxá-la para o colo e fazer-lhe muito carinho, fiz a malfadada pergunta:
- Por onde anda sua mãe?
O que estava por trás da minha pergunta não era tão somente a vontade de saber por onde andava a mãe biológica, a madrasta talvez, que jogava no desamparo sua prenda mais linda, uma miniatura de anjo de pés descalços e mãozinhas em flor a mendigar por uns trocados. Sem pensar em razões ideológicas, eu me perguntava também pela mãe pátria e por seus filhos: os filhos da rua, os filhos do medo, filhos da fome e do sofrimento. Milhares que estão por todos os lugares, debaixo de marquises e pontes, dependurados em ônibus e a dizer mentiras, pois são mentiras o que a mãe lhes ensina mesmo antes de compreenderem o que é o mal. O único calor que conhecem é o que vem do asfalto. Acolhe-os a marquise dos grandes edifícios num grande abraço de frio concreto. Meninos de rua que não têm vida de criança, precoces soldados que roubam pra guerra da sobrevivência.
E de que adianta praguejar contra uma realidade que admitindo ou não sou prescrita seguidora? Fico no meu canto encolhida, no peito a raiva e o desgosto, outra vez o desespero e o desânimo, mas quem sabe ainda acreditando num país que um dia poderá renascer da esperança. E não faço nada, a não ser chorar um pouco, ao me despedir da menina de 'olhos de gude' que ao ser indagada de sua mãe, fugiu feito foguete numa curva lá diante.

Maria Lucia de Almeida

domingo, 19 de julho de 2009

Da crítica ao elogio

Nuvens carregadas, vento frio, sinal de muita chuva...
Pela janela do meu quarto observo o quão cinza é a cor da tarde de domingo.
Numa tarde assim o espírito torna-se receptivo a tudo e, um pouco mais, aos tristes sentimentos de mágoa.
Por que será que há sempre alguém magoando alguém? Por que se tornou tão fácil apontar defeitos, discriminar afetos, criar ressentimentos?
Nunca tantas pessoas têm evitado a ansiedade e a angustia, inerentes ao autoconhecimento, preferindo mudar as regras do jogo. Ao invés do elogio que humaniza e dá sentido à vida, preferem a crítica ou, ainda pior, o deboche.
Para que serve a crítica? Basicamente, para que não se corra o risco de sentir-se de forma diferente. Tão somente espelho a refletir, pois a vaidade, a arrogância e a soberba nascem precisamente da falta de amor por si mesmo e esconde uma ferida narcísica de impotência e humilhação. Exaltar o mortal veneno e dizer que busca a verdade jamais será solução de sobrevivência. Entretanto, seguir o caminho inverso ao da crítica é uma maneira de fortificar a solidariedade, incentivando o melhor que existe em cada ser humano. Dar um elogio é uma forma de afago e carinho, tem como objetivo sentirmos queridos e amados, e não implica em dívida nem tão pouco em crédito. Ir da crítica ao elogio é ousar a possibilidade do amor. Em realidade, necessitamos de humildade para adquirirmos o verdadeiro orgulho de sermos quem somos. Fazer brotar a centelha divina que dá ânimo para seguir adiante, enfrentar as durezas da vida e, quem sabe, até arriscar um simples bater de asa no céu, uma cantiga de ave, um atrevimento de vôo...
De súbito, a chuva cai forte acordando-me do devaneio, do balançar entre a inquietação e a paz que só existe nos corações sensíveis. Da lembrança surgem as brigas do tempo de criança quando uma dizia a outra: ‘o que vem de baixo não me atinge’ e em seguida: ‘ah, então senta em cima de um formigueiro’. Duas frases ingênuas, mas que têm um certo um fundamento. Já pensando em fugir de alguns ‘formigueiros’, busco pelo poder miraculoso de transformação do elogio nas palavras adequadas que os mestres sussurram aos meus ouvidos. A eles credito os meus acertos. E de volta à tarde de vento e chuva, busco pelo aconchego, na certeza de que em breve, quando menos esperar, um novo raio de sol vai despontar.

Maria Lucia de Almeida

domingo, 5 de julho de 2009

Ultima Despedida


Ninguém soube jamais se foi por saudade ou apenas solidão que fez com que ela voltasse àquela casa. O fato é que depois da separação, o inquieto coração começou a vacilar entre recordações de felicidade e tristeza. Mas foi pelos mandos do coração que, ao invés de seguir caminho reto, parou diante da casa vazia. Queria ver de perto como é que se portam as coisas sem os seus donos, ou quem sabe encontrar algum sinal das presenças que dali se foram. Seguindo o eco das vozes ressoando como dantes, iniciou sua trajetória pela porta dos fundos e chegou até ao quintal. A goiabeira e o limoeiro ainda brilhavam na calmaria de um por do sol, mesmo sem os olhares que antes lhes davam vida. Os frutos que eventualmente caiam com alarde, naquele instante desprendiam-se com certa elegância numa solene despedida. Os pássaros, barulhentos ao se aninharem, fizeram silêncio para não incomodar especial momento de recordações. E ela, envolta na memória e nas lembranças que o tempo embalou, ainda podia ver e ouvir o cachorro latindo e fazendo festa.
Depois, feito sonâmbula, percorreu salas e quartos, selando os espaços, confundindo ausências e saudades. Buscando preencher lacunas, banalidades do cotidiano que fotografias não captaram, algo que aparentemente não teve importância, mas que deixou rastros pelo ar. Um além do espelho onde a intimidade, feito dona da casa, instalou. Um restrito mundo de palavras ditas, de sonhos misturados, de sentimentos falsos e demais verdadeiros, de carências bem e mal resolvidas. Com inquietante indagação foi abrindo portas como quem descobre cenas, recuando o tempo, indo e voltando ao sabor de suas recordações. O coração aberto em ferida, parecia decidido morrer aos poucos com a ação de tantas lembranças.
No entanto, a casa que não é gente e nem sente emoção, continuou majestosa e clara, vazia e indiferente ao passado e aos conturbados fantasmas da mulher. Junto ao vento varreu para sempre palavras e sentimentos daqueles que partiram em revoada. Numa total irreverência, deu a ela a real dimensão de sua fragilidade, revelando, através de um fúnebre silêncio, que o caminho que um dia ela percorrera, ali mesmo, se esgotara. E que os ecos, imagens e lembranças não expressaram senão a ela mesma, dando vazão a seus sentimentos mais secretos de mágoa, tristeza e solidão.
Os homens com seus revezes passam e as coisas permanecem, foi essa a derradeira mensagem da casa, lembrando que da vida nada se leva. E pela porta da frente, finalmente, ela também passou, decidida a transformar todas as suas dores, prantos e saudades em motivos de canto e de poesia, pois o sabor da vida é encontrado na possibilidade de sua reinvenção.
E tudo o que era parede, muro e sigilo, tudo o que era branco e silencioso, para sempre também se calou.

Maria Lúcia de Almeida

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Dona Laura

De todas as inúmeras tardes, talvez se sentisse como na primeira. Sentada à mesa do conhecido bar, Laura relembrava sua própria história.Na boca guardava o sabor do café enquanto baforava a fumaça do velho cigarro. Trazia nos olhos um pouco de nostalgia que embaçava com furtivas lágrimas. As mãos, mesmo que as unhas estivessem primorosamente pintadas, já não eram as mesmas; inchadas e pouco trêmulas, deixavam a caligrafia incerta. Já não se olhava mais no espelho, guardava seu reflexo de outrora. No braço o brilho de uma falsa pulseira, e nos pés uma sandália de salto alto, na moda. O perfume adocicado lembrava certa sedução há muito paralisada no tempo. Resgates de uma juventude que a ninguém mais enganava, a não ser a si própria.Estava ali, em todas as tardes, e era quase invisível para as demais pessoas. Apenas a garçonete a observava na expectativa de lhe servir um último café.
Ainda assim, a senhora Laura insistia; buscava um olhar, qualquer um que se mantivesse no seu, apenas por poucos minutos, um pouco de admiração talvez, quem sabe até por cortesia. Mas os olhares a sua volta eram de devaneios, sem desejo e sem impulso. Olhares ausentes, corações frios, atitudes indiferentes. Lembrou-se de certa frase que dizia: “O tormento dos jovens é o tédio do possuído”. E logo ali estavam eles, a beber, como quem sacia uma alma ressequida. Pensou nos jovens de seu passado; jovens que declamavam poesias, que cantavam cantigas de protestos, tramavam revoluções, choravam mágoas e brindavam à vida. Para estes, sentar à mesa de um bar e dividir confidências com amigos representava uma deliciosa aventura.A presença dos jovens e as lembranças de outras épocas fez com que a velha senhora retirasse seus sentimentos das sombras do passado. Compreendeu que muita coisa terminara em sua vida, mas que as infinitas lembranças eram a verdadeira essência de sua paz; o contato humanizador do sentimento que a ensinara a aceitar a si mesma e aos outros, da mesma forma que Deus ama a todos os seus filhos imperfeitos. Compreendeu que a mais elevada virtude é aceitar a fluidez e as transformações do tempo, com resignação e até humildade. Por meio desta conscientização é que Laura foi capaz de continuar expressando sua amável e amorosa beleza, todas as tardes, naquele mesmo café. Concedendo seu perdão aos outros e esperando tão pouco em troca, apenas um olhar.

domingo, 31 de maio de 2009

Amor real ou Enigma virtual

Conheço algumas pessoas que encontraram seu par ideal em sites de relacionamento via internet. Uma raridade, pois a maioria de meus amigos e conhecidos se deu muito mal nessa busca frenética pelo tão sonhado 'par romântico' através do virtual.
Os casos de procura por um relacionamento, ainda que a opção seja feita por lúcidas razões, sempre geram, adiante, a frustração. É o príncipe que se transforma em sapo ou a princesa que de beleza (externa ou interna) só em retoques de photoshop.
Relacionar-se virtualmente cria quase sempre falsas expectativas. Tudo fica divino e maravilhoso quando envolto numa névoa amorosa de poemas, troca de sonhos afetivos, lindas mensagens e declarações. Numa busca intensa e radical que proporciona felicidade quando se sonha o amor verdadeiro.
No entanto, a difícil tarefa de viver e amar aceitando os enganos, as limitações, as divisões e sofrimentos que conduzem as nossas verdades mais profundas, só acontece mesmo no dia a dia, na intimidade de uma existência real.
Idealizar e ser idealizado, endeusar e ser endeusado, viver uma fantasia apaixonante é gostoso, faz bem ao ego, mas implica a possibilidade de viver o que se quer numa certeza antecipada de que o amor dessa forma pode gerar arrependimento ou frustração.
É aceitar a desafiante tarefa de enfrentar o amor como a maior das maravilhas, mas que se apresentará sempre sob a forma de um enigma.