
‘Vive l’amour’ é um filme especial e também uma obra prima visual. Quase desprovido de diálogos e misturando contrato de sagacidade, estranho erotismo e profunda tristeza, é um filme realista e, ao mesmo tempo, poético e sensível. Um filme para poucos, pois está muito além do mero entretenimento e acima da superficialidade do cotidiano jornalístico.
No enredo, Hsiao é um tímido vendedor de urnas funerárias, possui tendências suicidas e, como forma de redenção, busca coragem para por fim à própria vida. Mei-mei é uma corretora de imóveis que encontra no sexo uma forma de compensar seu intenso sentimento de abandono e infelicidade. Ah-rong vende roupas usadas e se ‘vira’, pelas ruas, para sobreviver. Três jovens solitários e fechados em seus próprios desesperos que acabam se encontrando em um apartamento vazio da cidade em busca da satisfação nos atos compartilhados. Vidas tristes e trocadas, caminhos densos, onde o viver ‘cada um por si’ e a incomunicabilidade são condições do mundo atual e a principal causa do sentimento de abandono e exclusão.
É o cinema contemporâneo que vem tratando da solidão urbana, da falta de amor e de comunicação entre as pessoas. De um mundo onde o materialismo e a alienação urbana ganham espaço e imperam sobre a civilidade e a razão da grande parte das sociedades. Onde o capitalismo com seu efeito globalizar produz uma realidade fria que não mais reflete o interior das pessoas, mas apenas o exterior. Vida de desencontros, vida de excluídos, sofrimento sem nenhum atenuante.
Geralmente , ouvimos, vemos e sentimos conforme nossas inclinações e evitamos, até mesmo excluindo, pessoas com a sensibilidade para enxergar determinadas facetas de nossa realidade. Uma dessas pessoas é o diretor Tsai Ming-Liang que através de seu excepcional “Vive l’amour” veio nos confirmar que muitas vezes mentimos mais alto quando mentimos para nós mesmos.
Maria Lúcia de Almeida
Parabens pelo texto, pelo belo e pertinente comentario.
ResponderExcluir"muitas vezes mentimos mais alto quando mentimos para nós mesmos."
Grande verdade !
abçs
Obrigada,Márcia, pelos parabéns e por concordar comigo.
ResponderExcluirBeijo!
querida Maria Lúcia, excelente crônica, o Filme merece por trazer questões tão pertinentes ao desconforto que vivemos apesar da opulência de alguns confortáveis em suas cegueiras!
ResponderExcluira ti minhas sinceros,elogiosas e fraternas sds.
Querida poetisa Virgínia,
ResponderExcluirSeus comentários fazem um bem enorme ao meu coração. Obrigada por seu carinho e, principalmente, por sua sinceridade.
Beijo com carinho e admiração,
Maria Lúcia