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sexta-feira, 3 de julho de 2009

A Traição das Metáforas


inquisição:

por sermos duas metáforas novas, frescas, gostosas, desoprimidas e sem qualquer pseudo complexo de fidelidade é que estamos aqui em brazilírica pereira, por sugestão da uilcona biúka diante desta outra inquisição. não, ainda não fomos apresentadas a lady federika bezerra mas, a conhecemos pela sua fama internacional de porta-bandeira. macabea não pode se sentir frustrada pela nossa decisão de estarmos aqui neste confessionário. pimeiro, porque não temos, nem nunca tivemos nenhum compromisso com ela. segundo, é que alinhamos em outra frente liberal, e desfrutamos de todo direito de ir e vir, ter e dar prazer, gozar da forma que melhor nos convir. sexo? é uma opção de gosto mesmo. até no palco, porque não? irônicas? sim nosso mestre serAfim nos ensinou que do sarcasmo nasce a grande arte, mas o importante é que nós como metáforas não precisamos estar somente em entre/linhas , estamos também nas entre/tuas, entre/minhas, e não se trata de traição, procuramos fazer algo diferente, por exemplo, do que já vimos em filmes de Godard, construídos em larga medida só com citações e referências. Apoiamo-nos nas coplagens como elementos básicos para ultrapassá-los e transcendê-los agimos como uma espécie de conspiradoras conscientes dos bens culturais e materiais que nos pertencem como patrimônios da humanidade.

Uma outra

Não deveria, portanto, macabea vociferar aqui sua ira, acusando-nos veladamente de traidoras, sem assumir de fato em atitude pública a destilação desse veneno como palavra que não entra em cena.
As belas letras, para nós, começaram através das letras belas, narcisas pelo próprio nomes: metáforas. E por fidelidade a federika não traímos macabea, apenas não fazemos parte de uma mesma concepção de que a palavra parte, e as letras que pretendemos belas não são simplesmente nossas, muito menos dela. Podemos constatar com gratidão que emergem das lendas, fábulas, crônicas e contos, poemas concretos de uma visão de mundo abstrato bem nítido e pessoal talvez, quiçá, quem sabe única reflexão de ruidurbanos, restos de gravuras, resíduos tipográficos. Ou seja: uma série de gestos amorosos, eróticos de novo, repletos de ironias sensuais, doce fervor, fogo de malícias explosão de gozo, por sinal, diga-se de passagem, que essas dimensões éticas, jurídico-morais, nunca nos interessaram. Nossas relações com a propriedade privada, em todas as suas formas e cristalizações históricas, sempre foram tranqüilas e sem remorsos.
Artur Gomes

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Mama Brega Apronta no Cronópios



mesmo se não fosse ontem agora o que eu faria com o poema mesmo se não fosse flor ou faca até mesmo fosse farta a festa e ficasse lambuzando os dedos com o mel das tuas pernas e as penugens como mar de purpurinas da canção que ouvi ontem mesmo do Carlos Gomes quando fala também de Gananga Rei e o multiculturalismo bantu desta nova nação áfrika e outra parte da banda kizomba e se não fosse sol lua e o teu espelho de conchas mar travessias negreiros e esse teu corpo de deusa musa do fogo e da farra fosse sexta feira ou sábado e hoje não fosse quinta entre currais e estéticas minas de montes claros na sagração das entranhas montanhas ou vales e o cinza tingindo a tarde se não fosse fios de nervos Adélia e outros poemas o rock and roll na agulha que hoje não temos mais a praia suja de ossos destroços dos aviões não fosse essa tarde de junho e outras de maio se foram desmaio da Úrsula maior folia de reis não vieram debaixo da tua janela e essa rosa na boca querendo querendo querendo não fosse flor fosse espinho encravo cravado no peito e o pulso que ainda pulsa revejo Titãs no vinil Viviane do espírito santo Mosé de carne de chão poemas de espermas e barro lavadas palavras sujas fratura exposta nas mãos não fosse o sangue na veia poemas que não calaram e o caldeirão a guerrilha jornais de poucas notícias mentiras que nos trouxeram as línguas falsas os fakes os ternos gravatas não sábios grafando palavras sem nexo no olho da rua de Vênus na corpo da mesa de marte como se fossem lunáticos seres de um outro planeta ou de cidades distantes como se a nossa não fosse campos dos goytacazes

Artur Gomes

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Drummundana Itabirina





fedra margarida a resolvida decidira desfilar pela última vez portando falo resolvera desnudar de vez a sua outra mulher brazílica amanheceu incrédula cartazes faixas manchetes vozes vozerios por todas as vias multmeios multvias voziferavam: Não ao Sim e margarida flor impávida lá se foi beira-mar contando estrelas no cruzeiro e césar que não é castro continuou a pigmentar seu mastro no outro lado da tela e um dia fedra sorrindo com o pênis/baton da louca foi ao boca de luar da fedra e voltou com o luar na boca

artur gomes
in Brazilírica Pereira: A Traição das Metáforas

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O Reggae eu como por Dentro O Chá eu Bebo por Flora



























Wermmer Além da Alma - César Castro transpirações gráficas


Desde fevereiro de 1996 por indicação médium/espiritual frequento o Santo Daime para tentar acrescentar alguns mistérios a vida que anda tão careta e quase sem nenhum mistério. tudo muito previsível nos planos nos planaltos na planícies dentro e fora dos panos tudo é o mesmo de antes nem o bispo o padre o político o abrantes até mesmo quem sempre esteve ou quem nunca foi marido e sempre foi amante eu rogo ao Daime de hoje e rego o Daime de ontem o reggae eu como por mim e o chá eu bebo por flora. não sei ainda quantos chás eu já tomei mas isto também não me interessa o que importa? Se nada mesmo importa: contar as contas ou os contos de clarice de machado se macabéa nem cresceu problema dela se lady gumes agora manda no pedaço e agora faz um tempo que não ouço bob dylan e nem voto tal a pobreza que se escuta quando perto as eleições minha vaca fez o parto na esquina do meu pasto e se a Mocidade Independente de Padre Olivácio ganhou o carnaval e ninguém viu porque ela é oculta no inconsciente coletivo e tanta coisa que acontece também e ninguém sabe ou não sabia e se não foi acaba sendo como naquele poema em que eu não disse que escrevi só por metáfora que passeavam entrelinhas quando queria as entre minhas ou se macabéa agora faz teatro faz de conta e não é filha de clarice nem nunca viu que a estrela sobe nem sabe que nos Retalhos Imortais do SerAfim - Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim.
Artur Gomes

terça-feira, 9 de junho de 2009

Mamãe É Brega Mas É Xique

Wermer Além da Alma - transPiração Gráfica - César Castro



Decididamente mamãe não ouve e nem gosta do Rei Roberto Carlos porque não tem medo de lobisomem e desde os tempos em que lia José Cândido de Carvalho sabe muito bem quem são os Coronéis mamãe tem 78 Anos mas não perde tempo diante da TV com o Encravo e a Rosa, prefere assistir no TNT O Nome da Rosa, filme e fuma um baseado quando lê Umberto Eco e passa a contar o que sobrou. Mamãe é foda cultiva no jardim flores e trombetas e as vezes sai pelos campos catando cogumelos e ervas cidreiras dizendo que o chá é bom para o fígado, pois tem comido muitas flores que lhe dão indigestão. Mamãe ouve Raul Seixas e saber décor toda letra de Ouro de Tolo, e acha que não está com “a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar”. Ela vai pra rua e solta os bichos 4 gatos recém paridos que amamenta com carinho como se outros filhos fossem mamãe usa um crucifixo de madeira no pescoço põe alho no bolso e diz que é para espantar as cobras e lagartos que vez em quando aparecem no seu quintal pedindo votos. Assim que a noite chega ela reza pra são Jorge Ogum Oxossi e todos os caboclos da mata e da cidade porque acha que na cidade é que estão todos os bandidos de colarinho branco mamãe não dá sopa nem merenda muito menos bolsa escola cheque cidadão e outros baratos e diz não acreditar em esmola já leu até Bertold Brecht e tem pena dos analfabetos políticos pois acredita que é aí que se encontra a grande miséria humana com que os aproveitadores continuam a se alimentar nos períodos eleitorais para enriquecer suas contas bancárias cada qual com seus laranjas. Esperta que só ela mamãe aperta contra o peito uma estampa de Jesus Cristo e fala: “esse é o cara” não enganou o povo com passagem a 1 real taxa de luz bolsa família bolsa emprego ou bolsa escola, deu passagem de graça, e não precisou se disfarçar com outros nomes deu a cara a forca e não nasceu pra ser otário como jogador de futebol.

Arthur Gomes