sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O Poeta e Artista Visual Leo Lobos

Chris Herrmann




(foto por Maria Eugenia Lagunas)

Além de um grande amigo, um artista sem igual. Leonardo Andrés Lobos Lagos (Santiago do Chile, 1966) poeta, ensaísta, tradutor e artista visual. Possui as seguintes publicações: Cartas de más abajo (1992) editado pela Faculdade de Artes da Universidade do Chile e Arrayán editores, + poesía (1995) súper yo editores, ángeles eléctricos (1997) Luis Saldias editorial, Camino a Copa de Oro (1998) edições Pazific Zunami, Perdidos en La Habana y otros poemas (1999), Cielos (2000), Nueva York en un poeta (2001), a seleção antológica Turbosílabas (2003) pela editora gato de papel que reúne seus poemas de 1986 a 2003, Devagar (2004), Un sin nombre (2005), Nieve (2006), Vía regia (2007) e No permitas que el paisaje este triste (2007).

Como co-editor, junto com o artista visual Rafael Insunza, publicou o livro em homenagem ao poeta chileno Pablo Neruda: Diez máskaras y un kapitán el año 1998, uma homenagem ao poeta universal dos artistas visuais Rafael Insunza, Jorge Cerezo, Rafael Gumucio, Sergio Amira y Claudio Correa com o patrocínio da Fundação Pablo Neruda e da Universidade do Chile, editora Pazific Zunami.

Participa com seus poemas, ensaios, ilustrações, fotografías e traduções dos meios culturais no Chile e em outros países, tem sido traduzido ao inglês, português, holandês, francês e alemão.

Vem realizando inúmeras exposições individuais e coletivas; suas pinturas, ilustrações, poemas visuais e desenhos fazem parte de coleções privadas na França, Brasil, México, Estados Unidos e Chile.

Leo Lobos foi agraciado com a bolsa UNESCO-Aschberg de literatura em 2002 e fez residência criativa no Centre de Arte de Marnay Art Center CAMAC na cidade de Marnay-sur-Seine, França entre 2002-2003.

Blog: http://leolobos.blogspot.com



Seleção de 5 Poemas de Leo Lobos (no original em espanhol)



"Soy sirio. ¿Qué te asombra, extranjero, si el

mundo es la patria en que vivimos todos, paridos por el caos?"


Meleagro de Gádara, 100 antes de Cristo.



Jazz on the park


Leemos el diario en el Jazz on the Park ( Jazz on the Park es el hotel donde nos hemos mudado), me siento encerrado.

Nos han invitado al concierto de Peter Salett, y es sin duda una buena idea para salir de aquí al paso del estado en el que nos encontramos. Un taxi móvil nos lleva al Club que está prácticamente copado, entramos sin dificultad con la ayuda de los ángeles custodios en medio de luces fotográficas cegadoras, tomamos bebidas blancas, escuchamos con atención mientras hermosas mujeres rubias son

mecidas por la música.


New York, Estados Unidos, 1999.



Tres mujeres, un piano, un gato y una tormenta


A Alexandra Keim


Es difícil ser un pájaro

y volar contra la tormenta sobre la cicatriz de la Tierra que deja el camino de asfalto

mejor es como un gato estar

siempre atento a las brasas

cerca de la chimenea

y escuchar

siempre atento escuchar

a tres lenguas diferentes hablar

un idioma a la vez fascinante

a la vez misterioso y conocido

oír e ir en su música

en sus luces y propias

y universales sombras

fotografiar

por tan solo un segundo

fotografiar con la mirada sus perfiles

de ser posible

flotar

dentro

de la sala

como

un pájaro

en

la

tormenta


Marnay-sur-Seine, Francia, 2002.



Silencioso dentro de la noche


“Ser como o rio que deflui

silencioso dentro da noite”


Manuel Bandeira



Fluir, leve andar

descalzo inflar lentamente los pulmones

pesar cada paso sentir

cada instante entrar

silencioso dentro

de la noche

como sí ella

fueras


Marnay-sur-Seine, Francia, 2002.



Una secreta forma


"las palabras como el río en la arena

se entierran en la arena"


Roberto Matta



el automóvil esta poseído por la fuerza

de los animales que le habitan

como un carruaje tirado por caballos

sobre piedras húmedas de un pasado verano

Río de Janeiro aparece de repente como

la secreta forma que el Atlántico

deja entrever desde sus colinas de azúcar:

ballenas a la distancia algo

comunican a nuestra humanidad sorda

y cegadas por el sol preparan su próximo vuelo

caen ellas entonces una vez más como

lo han hecho desde hace siglos

caen ellas en las profundidades entonces

caen ellas y crecen en su liquido amniótico.


São Paulo, Brasil, 2004.



Perdidos en La Habana


Se puede ver a lo largo de Cuba verdes

o rojos o amarillos descascarándose con el

agua y el sol, verdaderos paisajes de estos

tiempos de guerra


Después de tres botellas de ron

ella lloraba en el lobby

del Hotel Capri, mientras le leía poemas que no eran míos,


Hablaba de las playas a las que llegó

en motocicleta, cuando aún el sol brillaba

los cubanos son niños que lo miran todo decía


Otro él, aparece desde el centro del salón y necesito

más de un segundo para

reconocerle

me acerco y me cuenta de mujeres, palacios de salsa,

de bailes mágicos

no hay, pienso

no existe una isla

sin orillas...

No quiero habanos

no tengo dólares

mejor será

desaparecer antes que la noche


El Vedado, La Habana, Cuba, 1995.



domingo, 15 de novembro de 2009

MARIA FLOR DA PELE (*)



ator Marcos Bahrone, em performance no Memorial do RS, 
lançamento da Poemas à Flor da Pele/novembro/2009

(*)  Márcia Fernanda Peçanha Martins



        Maria é uma mulher como outra qualquer. Não foge à regra e tem suas rotinas femininas. Acordar, entrar no banho, tomar um café requentado e passar, rapidamente, margarina na fatia de pão dormido, vestir-se, espremer-se dentro de um ônibus lotado e ir trabalhar. Nos horários de intervalo, corre para aproveitar o tempo. Desvia os olhos das vitrines que liquidam sonhos.
        Apesar de cumprir com quase todos os afazeres femininos, Maria foge dos padrões estereotipados de mulher. Por isso, é diferente. Expõe os sentimentos. Não nega que vive equilibrando suas emoções. Fala abertamente de seus desencontros. E se precisar desafia, interroga, enfrenta, chora, berra ou sussurra.
        Seu sobrenome é Flor da Pele. Seu hobby é ler e o lazer é participar de saraus. O seu trabalho pode ser a medicina, advocacia, a educação. Seu prazer é fazer poesias. Não para ganhar dinheiro, porque sabe da falta de incentivo para a cultura, mas por paixão. É só ter tempo livre e está teclando com pressa ou escrevendo em um pedaço qualquer de papel versos e rimas.
        Essa Maria tem cabelos não muito curtos, ondulados, de cor clara, que prende com uma tiara combinando com a roupa. As suas vestes são um pouco escandalosas, ou melhor, autênticas. É que Maria aprendeu a diferença das palavras e autêntica é uma escandalosa que a gente gosta. Mostra unhas curtas, quase um pouco roídas. Mas sempre pintadas de esmaltes com cores vivas. E ao empinar bem os peitos firmes, afirma, provocando inveja nas outras: “são perfeitos, parecem duas bolas”.
        Essa mulher poderosa, charmosa e esbanjando alegria, não resiste a um palco, ainda que não seja exatamente o tradicional. Essa mulher exibida, espetaculosa e que distribui simpatia, sabe declamar muito bem poesias. Essa mulher talentosa e que arranca aplausos, gosta de recitar poesias. E sempre que pode, decora as poesias da comunidade do Orkut “Poemas à Flor da Pele”.
        Ela é especial. Poderia ser tantas Marias: Reginas, Helenas, Cristinas, Lúcias... Mas é Maria Flor da Pele, com orgulho. Tanto que anuncia bem alto a sua chegada. Ela é especial. Poderia ser tantas mulheres: indecisas, inseguras, audaciosas, tímidas... Mas é uma mulher que tem poema no seu olhar, no rebolar, no trajar, no perfumar. Com muita vaidade.
        Maria Flor da Pele já foi Fernando Pessoa e agradou. É, com frequência Shakespeare, e ouve pedido de bis. É qualquer poeta quando se faz de Estátua Viva nas praças e parques de Porto Alegre, nas ruas de Bento Gonçalves ou praias do Rio de Janeiro.
É Maria por ser um nome quase universal e expressar o sentimento de qualquer mulher. E é Flor da Pele porque é a nova personagem criada pelo ator Marcos Bahrone para se apresentar nos eventos da comunidade “Poemas à Flor da Pele”. Um presente do talentoso Bahrone para as mulheres à flor da pele.




(crônica recebida da Moderadora da Poemas, a jornalista Márcia Martins - marfermartins@hotmail.com)

      

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Choque de gerações




Luiz de Aquino




Não bastassem os locutores com problemas de pronúncia, esses que dizem “Petobrás” e “Eletobrás”, nem os mais crassos erros de regência (time que “perde do” e “o clube que eu torço”) e de concordância (“houveram falhas na arbitragem”), agora é a vez da ignorância vocabular. Um radialista, enaltecendo a façanha do Atlético Goianiense ante o Ceará (4x1), disse que perder de 5x1 para o Duque de Caxias “mexeu com o brilho do clube goiano”. Engraçado... Vai ver, esse moço chama tralha de traia, mas corrige brio por brilho. Na mesma emissora, minutos antes, repórter político dizia que “ações em conjuntas devem ser tomadas” (além da sofrível construção com gerúndio, o moço inventou a fórmula “em conjuntas”, híbrido de “em conjunto” com “conjuntas”, certamente).

Como todo mundo, sou sujeito a errar. Mas tento acertar. E costumo agradecer, pois gosto que mostrem meus erros. Consulto pessoas como Leda Selma, Nilson Gomes e (agora, um tanto menos) minha sempre professora Ecléa Campos Ferreira. Mas há algo de inusitado entre os novos profissionais: um descaso sistemático para com o conhecimento. Pergunto-me: o que se ensina, o que se aprende, o que se faz nas universidades além de desfilar as formas plásticas (como Geisy Arruda), de agir ao modo talibã (como os colegas dela na Uniban) e de “fritar” o cérebro com drogas lícitas e ilícitas, como a tevê nos mostra com freqüência?

Felizmente, existe uma expressiva maioria de adolescentes e jovens que não se deixam levar pela propaganda nefasta nem pelos “ensinamentos” das letras de músicas de consumo fácil, as que induzem ao álcool e aos “baratos” de outras práticas. Sem dúvida alguma, o primeiro copo e a primeira tragada são portas para a “boiada”que vem depois. É preferível embriagar-se de poesia e música.

Em meio a isso, tirei duas ou três horas da semana, fui a Anápolis visitar amigos a quem devia uma prosa direta. Guiado por Luciene Silva, estive com Mozart Soares e José Cunha. Conversamos sobre vida e vivências, visitamos as pedras e argamassa com que, décadas atrás, construímos nosso hoje para os risos e a felicidade do reencontro. Mozart contou-me de ter presenteado Cunha com aquele DVD de Toquinho (uma peça inestimável!), e este me homenageou com dois cedês montados por ele próprio: duas antologias, uma sobre a saudade, outra do que ele considera o melhor da música do Século XX. Excelentes seleções que eu, chato, restrinjo apenas no tocante a uns poucos cantores. Questão de preferência pessoal. Mas nenhuma restrição às músicas escolhidas.

Ouvindo essas pérolas do cancioneiro universal (com nítido privilégio para a produção brasileira, que reporto dos mais justos), viajo novamente pela Língua Portuguesa. As boas melodias recheiam-se de boas letras, que muitas vezes nos chegam como poemas perfeitos. Confiro, nos meus amigos, as cãs (para os menos informados, cãs são cabelos brancos, e não o feminino de cão) e as rugas, em meio às boas lembranças. Somos remanescentes de um tempo em que arte era algo que precisava ter qualidade, e não um borderô de bilheteria ou venda. Era o tempo em que o artista cuidava da boa finalização de seu produto, em lugar de correr atrás do saldo bancário.

Curiosamente, associo esse passeio ao livro que leio estes dias, “Leila Diniz”, de Joaquim Ferreira dos Santos. A famosa atriz que revolucionou o comportamento brasileiro nas décadas 1960/70 (faleceu em acidente aéreo em 1972, aos 27 anos), veio de um lar ateu, criado por várias mães, distante da mãe biológica, acometida de doença mental. Aos quinze anos, exercia o ensino em pré-escola, calcando sua prática docente nos ensinamentos de A. S. Neil, o revolucionário pedagogo de Summerhill.

Em plenos “anos de chumbo” do reinado de Médici, na dinastia das estrelas generais, Leila praticava a liberdade até onde lhe era possível. E ela foi muito além do que se imaginava. Escapou da cadeia e do ridículo, mas morreu muito jovem.

Os estudantes da Uniban neste final de ano 2009 agiriam de modo diferente se conhecessem algo daquela moça de ideias e práticas libertárias.










Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail.com) é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras. Escreve aos domingos neste espaço.

domingo, 8 de novembro de 2009

Chega de Hipocrisia!

Participe da Passeata quem for do Rio e tiver chance, pois é por uma causa muito importante. As drogas destróem famílias e já está na hora das autoridades brasileiras abrirem os olhos de vez para o problema e ter os pés no chão, realmente agir. Não é possível que ainda tenha que haver tanto sofrimento para se fazer algo.

Qualquer movimento contra as drogas e a favor de regras de prevenção e saúde, não é algo pessoal, é legítimo porque envolve toda a sociedade que quer se livrar do fantasma da devastação que as drogas podem causar.

Este movimento conta com apoios diversos e divulgações que incluem:
Movimento Poetas del Mundo, Blog do Poeta Affonso Romano de Sant’anna, Amiga FM 105,9, CadaMinuto.com.br, Blog do Coronel de Polícia Paulo Ricardo Paúl, Revista Zap, Grupo Gaia Brasil, Comissão de Direitos Humanos da OAB, Portal Chris Herrmann, Blog "O Ícaro e a Borboleta", Comunidade "Café Filosófico das Quatro", Jornal do CF4, O Rebate (Coluna da Soninha Porto), Grupo Pró-Prôa, Pró-Vida: Não às Drogas Lícitas e Ilícitas (criado no Ning por Soninha Porto), etc..


Chris Herrmann





Domingo

Dia 8 de novembro
Caminhada em direção ao Leme
Concentração a partir das 14 horas
No Posto 6, em Copacabana
Em frente ao posto de salva-vidas

- Pela internação compulsória dos usuários de drogas pesadas, legais ou ilegais, que já perderam todos os limites. Criação de unidades terapêuticas humanas e modernas para recebê-los, com acompanhamento especializado que realmente os reabilite. E seguindo critérios de análise, caso a caso, para que não haja abuso deste poder;


- Pelo fim de toda propaganda de bebidas alcoólicas, em qualquer meio. Colocação de advertências educativas nos rótulos dessas bebidas, sobre os prejuízos que podem causar à saúde, como se faz nos maços de cigarros. Abertura de discussão sobre o aumento da idade permitida para o consumo destas bebidas para 21 anos, como já acontece em outros países, e com fiscalização eficiente.


- Pela alteração das normas que regulam os planos de saúde, para que os doentes mentais e viciados em drogas pesadas possam se tratar, sem limite de tempo.


- Por um amplo debate nacional sobre a política de drogas em nosso país, sem hipocrisia e com os pés no chão, para que se equacione esta questão e vítimas diárias deixem de ser produzidas, enlutando famílias por todo Brasil.


Ou a sociedade avança e discute seriamente seus problemas ou não seremos uma sociedade, mas sim milhões de individualidades, uma nação egoísta.
Chega de Hipocrisia!
Este é Nosso Grito!


peço que Divulguem por favor!


Obrigado!
Luiz Fernando Prôa

sábado, 7 de novembro de 2009

PAPOS NA E DURANTE A FEIRA




BATE-PAPO BOM
Soninha Porto



Tem coisa melhor no mundo que uma cervejinha gelada e um bate-papo com amigos? 

Pois nesta sexta-feira, dia 6 de novembro, depois de muito tempo envolvida com a elaboração de livros, eventos, viagens e o escambal, tive o prazer de sentar num Restaurante, o do MARGS, em plena Feira do Livro de Porto Alegre e curtir a agradável companhia de meus amigos poetas, Claudete Silveira, de Cachoeira do Sul, a  erótica (risos, acha que pego no pé dela, mas é brincadeira, numa referência a seus belos poemas sensuais) e Pinheiro Neto, de Florianópolis, num papo super legal sobre tudo:  vida, prazeres, inclusive da boa mesa (ele se revelou um gran gourmet, já teve até Bistrô), amores, projetos, livros, eventos  e Poesia.

Vieram de longe, para participar de nosso lançamento da Antologia Poemas à Flor da Pele, volume 2, no Memorial do Rio Grande do Sul, que aconteceu um dia antes, 5 de novembro às 18h, com grande número de poetas presentes.

Fico toda prosa, não é vaidade não! As pessoas acreditam no que se acredita, isso dá a sensação de não se estar só na luta.

Ela veio da cidade a 180 km de Porto Alegre, região Central do Estado, no Vale do Jacuí, professora de português, poeta e escritora, é uma presença alegre e bonita nos eventos da Poemas, desde 2008.

Ele, Pinheiro Neto, conheci no virtual, indicado por Walnélia Pederneiras, escritora, poeta e amiga de Florianópolis, do grupo da Poemas, para convidá-lo a participar de nossa 2ª antologia.
Ao ler os seus "Poema(n)do" e sua biografia, pulei de alegria, um grande poeta e escritor chegava em nossas paragens.

(Por ato falho meu,  o nome dele quase sai errado no livro: Pinheiro Machado, demos boas risadas sobre isso, após receber dele um e-mail apreensivo,  em vermelho e letras garrafais, percebi o tamanho do mico).

Pinheiro Neto tem vários livros publicados, é presidente da Associação Catarinense de Escritores, Professor universitário, membro da Academia Catarinense de Letras, diretor da Cepec editora e coordenador do projeto comunitário Confraria da Leitura na Barra da Lagoa, em Florianópolis - recanto de suas criações, onde mora.

Ele havia manifestado interesse em ir a Bento Gonçalves, no Congresso Brasileiro de Poesia, mas não pôde, desta vez pensei que também não. No entanto, lá estava ele, entre nós, com seu sorriso largo, seu cabelo grisalho, desenhado por um rabo-de-cavalo, num estilo todo seu, e um dia após o lançamento, tomando uma cerva gelada, a compartilhar idéias e selando uma amizade  das boas, provocada pela Poesia, para sempre.

(Eu adoro essas coisas de para sempre, tem um lado meu, bastante sonhador, que quando escreve, puxa esses termos, talvez por acreditar que as coisas boas duram pra sempre mesmo).




BATE-BOCA BOM

Este título casou perfeitamente com os momentos que vivenciei  neste final de semana. Recebi a divulgação por e-mail, do Instituto Cultural Norte-Americano, de Porto Alegre, sobre o  Bate Boca Bom, que rolou, hoje,  dia 7 de novembro, na sede desse Instituto, no centro histórico de Porto Alegre. Não pude resistir à alegria de ir abraçar um amigo da Poesia, um dos grandes nomes da atualidade: Frederico Barbosa, Diretor da Casa das Rosas - Espaço Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura e Diretor Executivo da Poiesis - Organização Social de Cultura. 

Ele abre as portas da Casa para todas as manifestações culturais: Em 1º de julho deste ano, realizei com Dora Dimolitsas, o aniversário de três anos de nossa Associação Cultural: a Poemas à Flor da Pele, na avenida Paulista, na Casa das Rosas, só possível pela generosidade dessa figura.

O Bate Boca foi agradável, com intervenções dos poetas Armindo Trevisan e Maria do Carmo Campos falando sobre poesia e Léa Masina, doutora em Literatura, coordenando o bate-papo.

Fred, como é chamado pelos amigos, é extremamente simples, mas ao falar percebe-se o homem refinado e culto, qualidades que traz de berço, ele é filho de grandes personalidades, a  educadora Ana Mae Barbosa e João Alexandre Barbosa que foi crítico literário, diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), presidente da EDUSP e pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária, de São Paulo.

É um prazer rever e ouvir esse Poeta e Escritor Pernambucano, que também se considera um  paulistano, com uma prosa alegre, mas de grande profundidade sobre Poesia e os movimentos da atualidade. 

Ele falou sobre seus livros e me presenteou com Cantar de amor entre os escombros (Landy, 2002). É autor também de Rarefato (Ed. Iluminuras, 1990), Nada feito nada (ed. Perspectiva, 1993 Prêmio Jabuti), 5 Séculos de Poesia - Antologia da Poesia Clássica Brasileira (Landy Editora, 2000), Contracorrente (Iluminuras, 2000), Louco no Oco sem Beiras - Anatomia da Depressão (Atliê Ed, 2001) e Na Virada do Século - Poesia de Invenção no Brasil (Landy Ed, 2002). 
Apresentou-nos o Signicidade, projeto de Dulcinéia Catadora, numa coletãnea de escritores e artistas, catadores e filhos de catadores, que utilizam capas de papelão pintadas à mão.

PRAZER ENORME POETAS!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A visita do Pastinha




Luiz de Aquino




Os anos correm, céleres. Renovam a natureza, transformam a paisagem, marcam-nos a pele e os pelos, adormecem lembranças. Mas são os anos passantes que depuram-nos os sentidos e os sentimentos, permitindo-nos a maturidade seletiva a que os contemporâneos mais moços chamam de terceira-idade e eu teimo em repetir velhice.

Gosto de ser velho. Os mais velhos que eu censuram-me, dizem que me antecipo ao tempo. Mas já transpus o “cabo das tormentas” dos sessent’anos, ou seja, o IBGE qualifica-me velho, ainda que eu continue a sonhar como se vivesse uma eterna adolescência.

Um amigo da geração anterior, Isócrates de Oliveira, filósofo e diplomata, nativo de Pirenópolis, dizia, a mim e tantos outros, que “não é necessário envelhecer”. Gostei disso. E acrescento que, de fato, não é necessário envelhecer, ainda que os dias se acumulem em anos que se somam e nos roubam a melanina dos cabelos.

Entendo bem o saudoso Isócrates. De fato, é desnecessário envelhecer-se, porque os sonhos não envelhecem. E viver é sonhar, sempre. Quando moços, sonhamos com o futuro; na casa dos “genários”, sonhamos até mesmo com o que já vivemos. Foi assim que, retornando ao lar quando a tarde ia quase a meio, deparei-me com uma notícia e dois documentos: Mauro Jaime, meu velho amigo Pastinha, esteve aqui. Mary Anne tentou me chamar, mas o celular cumpriu o que se espera dele, ou seja, falhou.

Embeveci-me com os caprichos do irmão das noites. Mauro Jaime, que, feito eu, tem os pés na vetusta Meia-Ponte do Rosário (nossa amada Pirenópolis), sabe tanto quanto eu que boêmios não se fazem nem se tornam: nascem. E ambos nascemos boêmios (amantes da noite que jamais faltam ao trabalho quotidiano, ainda que a jornada de ofício comece nas primeiras horas matutinas). Boêmios são pessoas responsáveis e zelosas, apenas gostam da noite.

Mauro Pastinha deixou-me um mimo valiosíssimo: um cartaz de 1987, dando conta de que Anete Teixeira, que me foi companheira e amada naqueles anos em que nos fazíamos realmente adultos, homenageava Elis Regina no quinto ano do passamento da melhor cantora brasileira de todos os tempos. À minha mulher, ele disse, bem ao seu modo faceiro, que receava causar um constrangimento conjugal, trazendo-me lembrança da ex-companheira. Mary Anne disse-lhe que o passado é vida que não se apaga.

Mauro trouxe-me, ainda, outro presente: um DVD com que me agrada um novo amigo, ainda não visto por mim, mas com quem já permutei notícias e informações, o radialista e jornalista José Cunha. O disco, que vou ver já-já, contém um especial de ninguém menos que Toquinho, instrumentista e compositor da fina flor do nosso cancioneiro.

Eu, que vinha de palestras a estudantes da rede municipal de ensino, feliz por intercambiar com as crianças, sou, nesta quinta-feira (5 de novembro) em que escrevo para o domingo, privilegiado com tantos agrados. Lamentei não ter me encontrado com Mauro, mas já me comprometo com ele: vamos renovar o bate-papo, regando-o com goles gelados de boa cerveja.

Como antes. Como sempre. Como gostamos de conversar.











Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail.com) é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras, e escreve aos domingos neste espaço.

MOEDA CORRENTE: PERSPECTIVA

        A entrada de um novo ano sempre traz muitas esperanças para os brasileiros. Não é à toa que se diz que o brasileiro tem como profissão a esperança. Do mês de janeiro até meado do ano, o brasileiro vai vivendo, não apenas com o que o presente lhe dá, mas com o que o futuro poderá lhe trazer.


        Entretanto, como o hoje é sempre presente e o amanhã nunca deixará de ser o futuro, o brasileiro vai suportando a vida com o que o salário lhe permite comprar, mas não perde a esperança. Afinal, o ritual de passagem de ano alimenta sempre a sua alma, com esse, que é o seu alimento principal: a esperança.


        O salário não importa! Hoje ele corresponde a mais de cem dólares e no futuro pode valer 200. O que importa realmente é a nossa moeda corrente: perspectiva. A perspectiva de dias melhores, que certamente virão no futuro. Os noticiários da televisão trazem notícias ruins todos os dias, mas para o profissional da esperança os noticiários não têm nenhum valor, pois somente trazem notícias do passado e como diz o cancioneiro, amanhã, vai ser outro dia.


        O brasileiro sonha um dia poder entrar no supermercado, encher o carrinho de compras e chegar ao caixa, enfiar a mão num saco cheio de perspectivas e pagar. Qual foi o valor das compras? 20 perspectivas! ...E isso ele tem de sobra. Seria o dia mais feliz de sua vida, uma vez que a fartura da mesa traria um semblante diferente no rosto da mulher e dos filhos, já fartos de tanta miséria.


        Mas quando passa o meio do ano, começa uma nova fase da vida. Aquele ano que está para terminar não lhe oferece mais o combustível, matéria-prima da moeda corrente em seu mundo de miséria: a esperança. Então, ele começa a se virar como pode e passa a cunhar a sua moeda com a esperança de um novo ano que se aproxima.


        Assim, o brasileiro já começa o ano devendo. Devendo esperança para si mesmo. Mas vem a passagem de ano e todas as dívidas de esperanças são pagas, pois uma nova carga chega com todos os abraços e desejos dos parentes e amigos e novas moedas de perspectivas são cunhadas para serem usadas no ano novo que está começando.


        Triste será o dia que o brasileiro acordar e procurar no armário algum alimento para os filhos e não encontrar. Olhar para a mulher e ver que uma lágrima lhe escorre do rosto e feito uma tromba d’água vem arrastando todos os fios de esperança que ainda restavam naquele semblante e ao enfiar a mão no bolso não encontrar a sua moeda real, mas apenas a certeza de que lhe restam, praticamente, 25 dias para que um novo salário lhe seja pago.


        Esta é a triste realidade. Taí!... a realidade deveria ser o Real desse mundo de fantasias no qual o brasileiro vive cunhando as suas perspectivas com a esperança do dia-a-dia. A realidade corrói o valor da perspectiva e deixa a esperança mais escassa e por consequência, deixa também o brasileiro mais pobre a cada dia que passa. Mas o que passa é passado e o passado, nesse caso, não importa. O que importa é o futuro, e é lá que existe a esperança, o nosso precioso metal, com o qual cunhamos as nossas perspectivas que nos permitem viver a realidade do hoje.


Então, só nos resta desejar muitas esperanças para o ano novo que já se aproxima.


Ivanaldo Xavier  -  e-mail: jidx@hotmail.com