domingo, 6 de março de 2011

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

CLARICE, QUEM TE DISSE?
                                                        Regina Makarem

Você de repente não estranha de ser você?
- Clarice Lispector

        
         Para além da leitura, a pergunta de Clarice é soprada no meu rosto, janela aberta de chofre, a ventaria de cada palavra vai penetrando até o desconforto dos lençóis amarfanhados e, mais adiante, da louça empilhada suja na pia de torneira que pinga, que pinga e espera... seria preciso que se passasse muito, todo o tempo do mundo doméstico pra que esses pingos inundassem a pia e limpassem tudo, derramando-se pelos meus olhos secos que nunca choram...
         O vento de cada palavra esparge a poeira das minhas capas-personas tão usadas, e o sol mansinho desta manhã que não raia em mim, pinta e ilumina o pó que era apenas mofo de sepultura, aberta e vazia, à espera... e rodopiam as palavras claras e zombeteiras. Palavras exatas. Clarice, quem te disse de mim?... das vidas passadas compondo vestes sobrepostas, caprichosa pintura e brilho falso, até não alcançar mais a pequenina essência que um dia se nomeou “Regina”.
         Quantas vezes percebi, às ocultas de mim, que não estava ali onde me exibia, a falar coisas em que nem pensara, a surpreender-me: eu? O choque. Um susto.Poucas vezes me diverti, embora ridícula em ser sem ali estar, num inútil exercício de humanidade. Ninguém se importa com a bondade que se machuca para não ferir. Quem saberia da dor por trás do sorriso de batom?...
Como foi que Clarice descobriu antes que eu fosse Eu? Com que olhos entrou pelo sumidouro da fechadura e fez esse rombo no chão que julguei pisar?... “O chão que ela pisa” não será o mesmo chão, que os pés já reconhecem o caminho seguro para ir a nenhum lugar, e tocam, sem hoje nem jamais, o esplendoroso espaço do Não Ser. Porque ser muitas é o resumo da minha almejada verdade: sou ninguém.
É a glória e reconhecimento. Prêmio. Posso me desvencilhar de todas que desejei vir a ser, em tantas falhas do viver. Não preciso mais. Não sou. Não quero. Calo-me. Despojo-me de meus restos para regurgitar os pedacinhos e desbabujo-me. Oca e nova.
Clarice concedeu-me uma licença de mim para, quem sabe, num dia que me amanheça, olhar no espelho quebrado e reconstituir as mil faces de um ser tão verdadeiro que cause em si mesmo o espanto de existir.
Em 03.01.2006

domingo, 12 de dezembro de 2010

O Fio de Seda


O que seria um pontinho branco num livro negro?
Talvez um desvio de conduta

O que seria um pontinho negro num livro branco?
O ponto final da escrita

O que seria um ponto final para quem gosta da escrita?
Seria uma frase:
É fim; porém não acabou ainda.

Sonhei com o Stev numa noite destas; agradeci a ele pela preservação das árvores, mas fiz uma ressalva aos tablets; que ele nos inventasse uns óculos que lê-se diretamente nas lentes. E o Stev me recomendou um oculista.

Caso ele aceitasse, trocaria as fontes dos livros por belas imagens, que substituiriam automaticamente qualquer imagem desagradável que tentasse chegar aos meus queridos olhinhos...

Em caso de chuva, raios inconsequentes e simultâneos, para fotografar tão belo episodio.
Em caso de exasperações sociais, fotos e mais fotos de muitas crianças sorrindo.

Em momentos de guerras e crises, imagens da terra vista dos céus de um negro universo, como um ponto branco manchado de azul, de onde não se enxergam as fronteiras, não se distinguem as línguas e os pontos e as virgulas ilusionistas de qualquer texto.

Caso ele aceitasse, e a invenção fizesse sucesso, pediria então uma nova versão:
O sintetizador de ouvidos:
Ao pronúncio de qualquer impropério, ouviria somente:

...

-Cale-se; Toca Mozart ao fundo...


domingo, 5 de dezembro de 2010

TRANSFORMAÇÕES

TRANSFOMAÇÕES

Dezembro chegou avassalador. As limpezas viram de ponta cabeça as residências. Reformas são iniciadas em caráter emergencial. Pocotes de tralhas vão para o lixo dando espaço as novas decoração natalinas e aos utencilios mais sofisticados. Carros novos são adquiridos, parece que há uma urgência em transformar a vida e valores espirituais confundem-se com os materiais. Não querido leitor, não estou fazendo julgamentos, apenas relatando o que vejo, bastante óbvio ? Nem tanto, somos demasiadamente influenciáveis; pelo sol, pela nova estação e pelo apelo da mídia.

Toda transformação é excelente, ainda mais quando vem embutida nesta e naquela a consciência do que se está a fazer.

Dezembro é tempo de correrias, de férias à vista, de colocar tudo em dia, tudo que se postergou durante os meses que o antecedem.

Dezembro é final de ciclo no calendário gregoriano. Já acho que um pouco de outros calendários poderiam guiar-nos para que o estresse, a depressão, ou seja a ansiedade generalizada não papasse nossa saúde e mandasse para o ralo junto com as tralhas, nossa tranqüilidade outonal, que parece um pouco zen até.



Desejo que gotas de tranqüilidade permanecessem ao pé das árvores natalinas para lembrar-nos que existe dentro de cada um de nós um self, uma centelha luminosa que permanece intacta e que o verdadeiro cristão cultiva sua fé, devoção e solidariedade todos os 365 dias do ano e, que presentear, limpar, reciclar, reformar, a si mesmo sobretudo, é tarefa a ser realizada diariamente e, caridade, compras fazem parte da rotina de quem está com os pés plantados no chão e o olhar no infinito.

Portanto não aflijam-se meus caros leitores, aqui também há decoração natalina, planos de final de ano e um montanha de abraços a serem distribuídos juntamente com cestinhas aos mais necessitados que aguardam a época mais enfeitada do ano e a de maior fartura nas mesas dos privilegiados. Transformemo-nos pois, em um braço amigo para que haja menos fome, solidão e ansiedade,afinal nossa sociedade é surreal...

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Virgínia Fulber, exerce a profissão de Terapeuta utilizando das filosofias de Nietzsche e Spinoza . Possui Formação Internacional de Yoga Taoísta , corporal e esotérica. Cursou, Psicologia a partir da Filosofia e Antropologia.

Ama jardinagem, música e o Oceano, não necessariamente nesta ordem.

Reside em de Novo Hamburgo, RS, local onde nasceu a mais de cinquenta anos .

Escritora e Poeta amadora, assina como virgínia além mar suas obras.

É Colunista e Colaboradora do Portal VMD a uma década e coordenadora do Canal de Filosofia do Espaço Ecos, deste mesmo Portal.

Membro dos Poetas Del Mundo, da AVSPE-Academia Virtual Sala Poetas e Escritores e da AVBL- Academia Virtual Brasileira de Letras.

Publica no Recanto das Letras (mais de 300 textos (10695 leituras)


Participações em : ANTOLOGIA Poetas do Café Vol l- 2006 Congresso Brasileiro de Poesia, Bento Gonçalves RS. LIVRO ECO ECO-AR AR-TE PARA O REENCANTAMENTO DO MUNDO- (Org.) Michèle Sato Ed. UFSSCar, 2007. (prelo), Antologia Poetas Pela Paz e Justiça Social - Ed. Alcance na 53-Feira do Livro em Porto Alegre-RS. Antologia Prosa e Verso A.G.U.I.A. 2009 Editora das Hortências RS e na Antologia Internacional POEGRAPHIA- Projeto Cultural ABRALIa ser lançada neste ano de 2010.

Possui três obras individuais em formato EBooks ; Apologias de um Viajante, Parolas ao Sol e Lento Retrato pela AVBL. Escritora Imortal pela Academia de Letras do Brasil-RS- indicação da Imortal Vânia Moreira Diniz- Presidente da ALB de Brasília DF. Sendo que não tomou posse por motivos de saúde.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

MEU COMPUTADOR

Por Soninha Porto*

 A tela plana, pequena, aliada às tantas teclas e a tantos momentos, modificaram e, ainda, influenciam diretamente o meu dia-a-dia. Passar um dia sequer, sem acessá-la, nem pensar. Comprei até um netbook, para estar por dentro do que recebo pelo mundinho virtual. O pequeno artefato  cabe na minha bolsa e carrego, por onde for, o prazer que o computador me traz.
Alço voo, viajo a terras longínquas do mundo e da minha imaginação, numa comunicação veloz, inimaginável em tempos de outrora, com tantas pessoas, de tantos lugares, num simples toques de dedos e teclas. Esse contato, matinal, vesperal e “noturníco” e, por vezes madrugada afora, preenchem meus vazios. Tornou-me produtiva. O tempo, dividido entre os afazeres da casa e com meu filho aborrecentenet, abre-se todos os dias a novos desafios, são surpresas e fatos, que me enchem de entusiasmo e nos quais aventuro-me, ouso, em versos e pela vida, sempre tendo em mente criar e compartilhar, onde uso e abuso de minha língua-mãe.
Dizer que estamos vivendo numa era de tecnologia avançada, é clichê, mas analisando o meu computador, tenho uma relação amorosa com ele, tornou-se indispensável e admiro o que provoca em mim e nas vidas de tantos, por ter algo de democrático, pois sem sombra de dúvidas, é  acessível a grande maioria de pessoas. Considero isso uma grande bênção.
Engraçado, que essa coisinha esperta, nem passava pela minha cabeça, até o final do século XX. Hoje é uma das ferramentas imprescindíveis em minha vida, e formou  um divisor perfeito entre o antes e o pós ponto com (.com).
Até 2002, meu amigos e meus amores, eram aqueles conquistados durante toda uma vida, os do colégio e trabalho, e ao contá-los, mal enchiam as duas mãos. No entanto, passados esses anos de experiências internáuticas, tenho centenas de amigos, de quase todos os lugares do mundo. Amores? Sim, alguns, mas esses continuam tão complicados, quanto (risos). Converso com meus amigos pelas redes sociais, por e-mails, pelos tópicos do orkut, em eventos que realizamos pelas cidades brasileiras, inclusive em Porto Alegre e vamos formando um grande batalhão, de pessoas que precisam umas das outras, que tem sede de embriagar-se em poesia e tem fome de quê? De serem ouvidas, de se saberem vivas, de ter nem que seja por instantes, a atenção para si e suas criações .
A comunidade Poemas à Flor da Pele, do Orkut, tem milhares de pessoas, que curtem o que curto, a poesia. Ganhei de presente de Nathália, uma amiga virtual, que ainda não tive o prazer de conhecer. É verdade. Ela é de Ribeirão preto, mas nem imagina o quanto a Poemas é tudo, Nat tornou-se eternamente responsável por essa felicidade toda que carrego.
Como não ser feliz se desconhecidos, mas amigos de fé de coração, te enchem de mimos? Como poderia imaginar que por criar simples versos, eu receberia de presente essa dádiva que é a Poemas? Nos tópicos criados para  amigos, já fizemos num final de semana 2 mil postagens,  só criando versos, é mole? Tudo virtual, mas tão real...
Atualmente, sou considerada poeta e escritora, por escrever e ter lançado meu primeiro livro, o doEU. Outro fato, que nem passava pela minha cabeça, quando eu ia imaginar que  escreveria  um livro?  
E ainda chamam-me de ativista cultural, pois com a Poemas lançei 3 volumes da Antologia Poemas à Flor da Pele, que virou uma coleção das mais respeitadas nos meios literários, onde centenas de pessoas, poetas e escritores, da Alemanha, Brasil, Portugal e Suíça estão nela, com versos e mais versos, tudo à flor da pele. E pasmem, todo o material foi trabalhado pela internet. Não é maravilhoso? 
Conquistamos um espaço maior com a internet, somos ouvidos ao longe, mas tudo fica muito, mas muito perto do coração. Ser poeta, escritora, ativista, colunista e o escambal, são nomes bonitos, são atividades que surgiram sem querer, mas o que importa mesmo é poder expressar-se de todas as formas, por versos, por crônicas, ou num simples oi, e compartilhar com pessoas de todas as raças, religiões e opções políticas, o que faço e o que penso sobre a vida.
E amigos virtuais, alguns já tão reais e tão necessários ao meu viver, conquistados pelas páginas da internet e em inúmeros eventos, onde nos encontramos, tornam  plena de emoções, beleza e poesia a minha vida. E tudo isso perpetua-se: rostos, momentos, poemas, abraços, beijos, livros, frutos colhidos diariamente pelo meu computador. 


imagem colhida no blog, mas ela é tão apropriada, que espero que  o autor não se zangue de  eu  usá-la.
http://rinnaldoalves.blogspot.com 

* Soninha Porto, escritora e poeta, gaúcha de Porto Alegre, 
administra a comunidade Poemas à Flor da Pele

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Jornal Poiésis de novembro

Já está disponível a versão digital do Jornal Poiésis de novembro, que traz um ensaio especial sobre León Tolstói, escrito por Gerson Valle, além de poemas e notícias culturais regionais. A publicação já está em seu 16º ano de circulação, sempre pautada na divulgação da literatura, da arte e da cultura em geral.


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Oktoberfest em Munique - a festa da alegria

Publicado na revista VOCÊ EMPRESARIAL - Estado do Pará/Brasil - Set-Out/2010






OKTOBERFEST EM MUNIQUE
A FESTA DA ALEGRIA
Chris Herrmann

Chris Herrmann (Düsseldorf – Alemanha)
CORRESPONDENTE INTERNACIONAL
Brasileira, escritora e tradutora.


Todos os anos em Munique, a capital da Baviera na Alemanha, no parque Theresienwiese (nome dado em homenagem à Princesa Therese), popularmente conhecido como “Wies´n“, acontece a maior festa popular do mundo: a Oktoberfest. Com 17 dias de duração, a festa este ano será de 18 de setembro a 4 de outubro e movimentará um contingente de cerca de 6 milhões de pessoas que virão de todas as partes do mundo para desfrutar deste desfile de cores e muito alto astral.

Neste ano de 2010 as festividades contarão com um jubileu muito especial, que são os 200 anos de sua existência. É a 177ª vez que a cidade se transforma num palco de muita alegria, bebida, comida e atrações para uma multidão sedenta de diversão, já que por 24 vezes a Oktoberfest teve que ser cancelada por conta de guerras ou epidemias.

Além da gastronomia e atrações diversas que movimentam a montagem de um sem-número de barracas e brinquedos, como carrosséis e rodas-gigantes. A vestimenta é parte importantíssima para os preparativos da festa. Para festejar como um ´bávaro´ é preciso cuidar do visual típico. Os homens vestem a Lederhose (calça curta de couro) e as mulheres o Dirndl (vestido folclórico com um decote acentuado).

Mas como e quando começou tudo isto? E por que tem início em meados de setembro? A resposta está na história da Baviera. Tudo começou no dia 12 de outubro de 1810, durante as comemorações do casamento do Príncipe Herdeiro Ludwig (mais tarde, Rei Ludwig I da Baviera) com a Princesa Therese da Saxônia- Hildburghausen. Com a idéia de estimular a participação da população nos festejos, foram organizadas muitas atrações durante vários dias seguidos. E repetiu-se a festa no ano seguinte e no outro... pronto, nascera ali a Oktoberfest que começa no mês de setembro (que tem um clima mais ameno) e que tem sua última semana em outubro e que hoje fascina multidões!

Além da Oktoberfest e das famosas cervejarias e ´biergarten´ espalhados por todo canto, Munique é também a cidade da arte, dos belíssimos parques públicos, jardins, palácios, museus, brasões de armas e de Bandas Oompah banda típica bávara). O Olympiapark, local das Olimpíadas de 1972, é visita obrigatória. Pode-se até patinar no ringue de gelo olímpico e nadar na piscina olímpica. Crianças e adultos encantam-se com o museu de bonecos, a coleção de brinquedos históricos e o teatro de marionetes que apresenta óperas de Mozart.

A Estado da Baviera (ou Bavária, em Latim) possui muitos lugares de grande beleza, como a região dos Alpes, onde está o pico Zugspitze (2,962m), o mais alto da Alemanha, e o Parque Nacional Bayerischer Wald. As montanhas da Baviera são um paraíso para amantes de caminhada e trilha e seus lagos e represas possibilitam a prática de uma grande variedade de esportes aquáticos. A Baviera é também famosa por seus jardins e parques, como o jardim Inglês de Munique, e por seus castelos e palácios: Linderhof, Neuschwanstein e Herrenchiemsee, entre outros. O passeio de barco pelo Rio Danúbio é também um dos pontos altos do turismo da região, assim como a visita às várias pequeninas e românticas cidades, como Monheim.

Apesar da base da economia ser a indústria, a Baviera possui um setor agrícola poderoso, em que se destaca a plantação de lúpulo, para o processo da famosa cerveja (claro!); e dos vinhedos. Munique possui o Museu Alemão, o maior acervo relacionado à história mundial de ciências naturais; a Galeria de Quadros Antigos e a Biblioteca do Estado, que tem mais de seis milhões de livros. Por outro lado, a cidade de Nuremberg conserva, entre outros monumentos, os monastérios de Banz e Ettal e Museu Nacional Germânico.

A Oktoberfest é comemorada em diversas cidades de todo o mundo. E vocês sabem onde é a segunda maior? Sim, em Blumenau, no Brasil, e teve sua primeira edição em 1984. Um belo exemplo de confraternização de quem mora e visita a cidade. Milhares de brasileiros também participam da Oktoberfest em Munique, fazendo turismo e acrescentando sorrisos ao evento. Munique é uma cidade moderna, linda, assim como toda a Baviera, e é muito receptiva aos visitantes, esbanjando encantos que fazem seus visitantes jurarem voltar lá...
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