sábado, 20 de junho de 2009
A palavra muda.
Não usaremos de palavreados, muito menos diremos impropérios. O problema não é nosso, como me declarou uma sincera amiga. Problema do morro é problema do morro. Mesmo estando acima de nossas cabeças, baixamos os olhos para os teclados do piano, e buscamos a harmonia da Palavra nenhuma, porém em harmônico silêncio.
Staccato!
Quantas fantasias e carros alegóricos estacionados, quantas cabeças de isopores enormes, de olhos vazios, fitando o vazio. Alguém dará um jeitinho nesse lixo, enquanto nos digladiamos para discutir o formato de cabeças leves e de preferência imunes às intempéries do tempo. Conseguiremos mais uma eternidade de olhos no nada.
Breque!
Utilizaremos pontos, traços e pontinhos, racionaremos os hifens, aboliremos os tremas e evitaremos as palavras polêmicas. O problema continuará não sendo nosso, continuaremos construindo bonecos, mas não abriremos mão de nossa máxima:
Muda!
A palavra (é) muda quando escrita no vento.
Carlos Alberto Veiga Muniz
(Car_Litos Veiga)
2 comentários:
"A crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano."
(Maria Lúcia da Cunha Victorio de Oliveira Andrade)
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Prosa perspicaz. Gostei muito, Car.
ResponderExcluirAbraço
Interessante! Muito interessante! A palavra pode ser muda sim. E por vezes sem fim, o é. Porém, esta mesma muda palavra pode vir carregada de vozes e significados. E a muda palavra muda de lugar no universo azul de noites mal dormidas e sonhos incompletos. Muda a palavra e muda o significado mais mudo da existência humana.
ResponderExcluirParabéns pelo texto. Pena que você não escreva mais como antigamente. A mudança foi radical. Realmente uma pena.
Fátima