O professor Antônio Lázaro de Almeida Prado é legítimo representante de uma categoria de intelectual que se torna a cada dia mais rara no nosso país. Aquele para o qual o conhecimento vem com naturalidade, como algo simples e corriqueiro. Sem impostação ou impostura, sem máscara ou vaidade. E, acima de tudo, sem arrogância ou narcisismo. Felizes não consigo mesmos, mas com o conhecimento em si, estes eruditos humildes são professores fenomenais, pois a sua alegria vem justamente de dividir com os outros, sem estrelismo ou falsa modéstia, a sua vasta erudição.
Se todo gesto ou fala do professor Almeida Prado é perpassado por esta erudição humilde, a sua poesia não haveria de ser diferente. A dicção poética deste Lúcido Sonho é clássica. Mas de um classicismo sem pose, natural, de estudioso que conhece a fundo os mecanismos da poesia e sabe manejar como poucos os seus recursos mais tradicionais para, alterando-os minimamente, compor poemas que, embora elaborados ao extremo, aparentam simplicidade e espontaneidade.
A poesia de Almeida Prado lembra, assim, os célebres versos de Olavo Bilac, que recomenda “A um poeta” que “na forma se disfarce o emprego / do esforço; e a trama viva se construa / de tal modo, que a imagem fique nua, / rica mas sóbria, como um templo grego. // Não se mostre na fábrica o suplício / do mestre. E, natural, o efeito agrade / sem lembrar os andaimes do edifício”.
Basta observarmos a sonoridade do poema A Voz Humana para percebermos a maestria do poeta. No primeiro verso a aliteração de FL reproduz o caráter choroso e frágil (flébil) da flauta: “FLuindo, a voz da FLauta FLébil”. Já no segundo, a repetição da sílaba BO imita o som do “riBOmBO das BOrrascas”, enquanto no terceiro a aliteração do TR apresenta uma harmonia imitativa do som “esTRépido, furioso, das meTRalhas.” Isto é poesia: o som a serviço do sentido.
Mas ainda há quem pense que erudição não combina com sentimento? Pois este Lúcido Sonho é prova do contrário. Grande parte do livro é composto por poemas de amor. Seja do amigo, do pai ou do amante. Seja o amor abstrato pela beleza, pelo rio Piracicaba ou pela literatura, o amor incendeia os versos: “E, assim, tu que és a fonte da poesia, / Com o encanto da voz, sempre embargada, / Verás como progride, dia a dia, / O incêndio de nossa alma conjugada...
Se é verdade o que dizia o grande pintor Francisco Goya, que “el sueño de la razón produce mostruos”, certamente o contrário ocorre com este Lúcido Sonho de Antônio Lázaro de Almeida Prado. Nele, erudição, humildade e lirismo se conjugam para produzir o que é essencial em qualquer obra de arte literária: prazer e beleza.
Frederico Barbosa
Que honra, Fred! Muito grata pela presença no blog.
ResponderExcluirB elíssimo texto sobre nosso querido Poeta Antônio Lázaro de Almeida Prado.
Beijos
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ResponderExcluirfabuloso , a cada leitura mais descubro sobre este Poeta , muito obrigada
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