Adeus, Poeta... A Deus!
Faleceu ontem, no Rio de Janeiro, aos 43 anos, o poeta Rodrigo de Souza Leão. Deixa um vazio na vida das letras, como um verso a menos numa estrofe formal. A esta hora, creio que já ganhou asas e uma lira para cantar entre os anjos.
Luiz de Aquino

Que triste notícia. Um homem tão jovem ainda... mas, com certeza, ele agora é a própria poesia.
ResponderExcluirQue perda, meu amigo! Lamento muito.
ResponderExcluirOs dizeres do poeta a nos encantar servirão de conforto.
Um homem ainda jovem...que perda. Com certeza o céu ficou mais poético.
ResponderExcluirabraços
Marcia
'Rodrigo de Souza Leão, um dos mais significativos poetas contemporêneos brasileiros, morre aos 43 anos, vítima de ataque cardíaco.
ResponderExcluirA Casa das Rosas fará uma homenagem ao poeta no dia 09 de julho, quinta-feira, às 19 horas.
Com a presença dos poetas Claudio Daniel, Horacio Costa, Virna Teixeira, Frederico Barbosa e Marcio-André (RJ).'
Fernanda de Almeida Prado.
(Recebi o comunicado por email)
Para Onde Vão os Poetas Quando Morrem Cedo
ResponderExcluirPara Rodrigo de Souza Leão, In Memoriam
“Começar o escrever era descrever/
Descrever era desmanchar o que está escrito/
O que estava à vista parado/
No pensamento, no jardim/
E reescrever, de outra forma/
Em outra fôrma/
O novo curso e rasgo./
Escrever é desespera e espera...”/
Armando Freitas Filho
In, Lar, Poemas, Companhia das Letras
Para onde vão os poetas quando morrem jovens?
Para uma Terra do Nunca muito além de Pasárgada?
Para uma Shangri-lá das esferas letrais
Um desmundo na órbita das sensibilidades apuradas?
Para uma cidade fantasmas de sígnicos humanos
Em que há uma toda nova preparação para um revisitar-se?
Para onde vão os poetas quando morrem cedo?
O que é cedo ou tarde para o macadame das almas literais
E o espírito dos atribulados no caos telúrico
Entre o esquizofrêmito de criar um novo céu e uma nova guelra
Porque a insatisfação generalizada reina e viça
Nas infovias efêmeras que disparam solidões em concreto
Tirando impurezas do teclado e rangendo o rancor além da rede?
Para onde vão os poetas quando piram letras
Ferindo-se para escreverem com sangue dívidas e dúvidas
Muito além das cantagonias urbanas e das saciedades liriais
Quando tudo é só um grito de horror e os sonhadores sofrem
Como zumbis numa sociedade bizarra de bezerros com chips
Mais os sem-nome, sem-terra, sem-teto, sem saída, sem amor?
Para onde vão os poetas que se escrevem em dolorosos banzos-blues
E disparam torpedos de uma geração-teflon entre placas-mães
Tentando recuperar estimas que são lágrimas a seco
Num Brasil Sociedade Anônima em que a cultura é nicho
De neomalditos, de excluidos da mídia, de sonhadores sem grife?
Porque escrever é resistir; é dar forma a uma não-formalidade
Como se cada um gritasse seu grito individual, solitário, feito um indigente
Que procurasse pólvora na poesia, fósforo na fé, carbono nas tintas íntimas
Tentando refazer o próprio mundo muito além das placas de captura
E onde a própria realização é morrer para dar-se a ouvir como um eco num abismo?
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Para onde vão os poetas quando jovens e quando e morrem cedo?
Talvez um silêncio explique a perda, o vazio, a dor de existir
Entre regras falsas, deturpações sociais, tristes vazios culturais
Porque a morte é um protesto, uma fuga, o mais triste poema que existe
E sendo a saudade a mais pura forma de amor que resiste também é
Um grito contra as dilacerações transformadas em linguagens contra a própria indiferença...
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Silas Correa Leite, Itararé-SP
E-mail: poesilas@terra.com.br
www.portas-lapsos.zip.net
Autor de O HOMEM QUE VIROU CERVEJA, Crônicas, no prelo, Giz Editorial, SP