De volta àquela casa
Sim, voltei ao velho casarão da Rua 21... Voltar lá, ultimamente, virou rotina. Vou lá sempre que chamado, e algumas vezes até sem ser chamado! E revendo uma entrevista de José Alencar, horas após ele ter se encantado e viajado a chamado do Criador, ele disse ter ouvido do pai quando saiu de casa para trabalhar, ainda adolescente,; era algo como “ao sair de qualquer lugar, faça-o com a certeza de que poderá voltar”. Lembrei-me das minhas escolas. Sempre que vou ao Rio de Janeiro, dou um jeito de voltar ao Colégio Pedro II; sempre que tenho uma razão, por menor que seja, vou ao Lyceu, tal como vou também à PUC – especialmente ao prédio da antiga Faculdade de Filosofia e seus anexos.
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| A medalha do Lyceu |
Em 2007, ganhei, ao lado de outros colegas da mesma época, uma medalha da Unidade Tijuca do Colégio Pedro II no seu Jubileu de Ouro (foi lá que cursei o Ginasial); ano passado, ganhei uma medalha com as iniciais JIL – Jovem Imortal Lyceano; na última segunda-feira, recebi um certificado do Curso de Mestrado da Pontifícia Universidade Católica de Goiás porque uma das mestrandas, Elisabeth Lemes, escolheu trabalhar minha poesia em sua dissertação.
É emoção de sobra! Em 2004, ao visitar a Escola Evangelina Duarte Batista (onde me preparei para o Exame de Admissão, em 1957), recebi homenagem dos alunos do professor Luiz Gilberto – mais conhecido como Luiz Poeta. Esta semana, pois, fechou-se um circuito importantíssimo para o bem-estar do meu umbigo... Demorei a perceber que, com isso, fechou-se o círculo: fui homenageado em todas as escolas onde estudei (ou, ao menos, naquelas em que concluí meus cursos, já que freqüentei também, sem conclusão, a UnB e a UFG).
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| Sorrindo, atrás de mim, a diretora profa. Sílvia |
Bem: vaidade minha à parte, quero contar que, na quarta-feira, 30 de março, vesti uma surrada calça de brim cáqui e uma igualmente muito surrada camisa branca de algodão, mangas curtas, com o emblema da famosa águia no peito; estava, pois, mais uma vez, vestido de estudante do colegial do Lyceu da década de 1960. Uma aluna olhou-me com ar de quem não gostou; concordei, aquele uniforme não é bonito... Ainda mais que a roupa já está velha e eu emagreci desde quando mandei fazer a réplica do meu velho uniforme.
O que fui fazer lá? Fazer uma das coisas de mais gosto: conversar. No caso, nem foi uma conversa, mas uma palestra – forma antidemocrática em que alguém, quase sempre mais velho ou, no caso, com um pouco mais de estudo e vida, conta coisas aos jovens. Palestrei para estudantes pré-vestibulandos; falei-lhes daquela fardinha colegial e prometi que farei outro, e em breve! Ao subir a escada, um aluno me perguntou:
– Vais nos falar sobre o quê?
– A vida – respondi-lhe.
– Ótimo – retrucou ele –, amo a vida!
Um aluno, o Pedro, antes que eu começasse a falar, executou ao violino a belíssima “Jesus, alegria dos homens”, de Johann Sebastian Bach. Liguei o computador e, com a inestimável participação do estudante Marcos (aluno do Santo Agostinho, mas filho da professora Klaudiane, do Lyceu) fiz rodar o PPT que ilustrou minha fala. Tratei de cidadania: família, vizinhos, a rua, a escola, a amizade, o amor e o respeito ao próximo, o nosso compromisso com o passado e o presente – o valor da pessoa, enfim).
Saí de lá com uma sensação de leveza por ter falado; uma espécie de alegria por pensar que ajudei. Mas ao entrar no carro senti o que de fato acontecera comigo… É que me vi entre estudantes interessados e belos (Ziraldo diz que, hoje, ninguém é feio nessa idade; concordo com ele). Conversamos ao final, li poemas, trocamos ideias e distribuí alguns livrinhos meus.
E descobri que quem de fato aprendeu algo fui eu.
* * *
Luiz de Aquino é escritor e jornalista.



Cheguei aqui por uma procura no Google e gostei do que li. Para não perder o link e poder voltar, espero que não se importem que me torne seguidora.
ResponderExcluirGábi