sexta-feira, 1 de abril de 2011

De volta àquela casa


De volta àquela casa

Sim, voltei ao velho casarão da Rua 21... Voltar lá, ultimamente, virou rotina. Vou lá sempre que chamado, e algumas vezes até sem ser chamado! E revendo uma entrevista de José Alencar, horas após ele ter se encantado e viajado a chamado do Criador, ele disse ter ouvido do pai quando saiu de casa para trabalhar, ainda adolescente,; era algo como “ao sair de qualquer lugar, faça-o com a certeza de que poderá voltar”. Lembrei-me das minhas escolas. Sempre que vou ao Rio de Janeiro, dou um jeito de voltar ao Colégio Pedro II; sempre que tenho uma razão, por menor que seja, vou ao Lyceu, tal como vou também à PUC – especialmente ao prédio da antiga Faculdade de Filosofia e seus anexos.

A medalha do Lyceu
Em 2007, ganhei, ao lado de outros colegas da mesma época, uma medalha da Unidade Tijuca do Colégio Pedro II no seu Jubileu de Ouro (foi lá que cursei o Ginasial); ano passado, ganhei uma medalha com as iniciais JIL – Jovem Imortal Lyceano; na última segunda-feira, recebi um certificado do Curso de Mestrado da Pontifícia Universidade Católica de Goiás porque uma das mestrandas, Elisabeth Lemes, escolheu trabalhar minha poesia em sua dissertação.

É emoção de sobra! Em 2004, ao visitar a Escola Evangelina Duarte Batista (onde me preparei para o Exame de Admissão, em 1957), recebi homenagem dos alunos do professor Luiz Gilberto – mais conhecido como Luiz Poeta. Esta semana, pois, fechou-se um circuito importantíssimo para o bem-estar do meu umbigo... Demorei a perceber que, com isso, fechou-se o círculo: fui homenageado em todas as escolas onde estudei (ou, ao menos, naquelas em que concluí meus cursos, já que freqüentei também, sem conclusão, a UnB e a UFG).

Sorrindo, atrás de mim, a diretora profa. Sílvia

Bem: vaidade minha à parte, quero contar que, na quarta-feira, 30 de março, vesti uma surrada calça de brim cáqui e uma igualmente muito surrada camisa branca de algodão, mangas curtas, com o emblema da famosa águia no peito;  estava, pois, mais uma vez, vestido de estudante do colegial do Lyceu da década de 1960. Uma aluna olhou-me com ar de quem não gostou; concordei, aquele uniforme não é bonito... Ainda mais que a roupa já está velha e eu emagreci desde quando mandei fazer a réplica do meu velho uniforme.

O que fui fazer lá? Fazer uma das coisas de mais gosto: conversar. No caso, nem foi uma conversa, mas uma palestra – forma antidemocrática em que alguém, quase sempre mais velho ou, no caso, com um pouco mais de estudo e vida, conta coisas aos jovens. Palestrei para estudantes pré-vestibulandos; falei-lhes daquela fardinha colegial e prometi que farei outro, e em breve! Ao subir a escada, um aluno me perguntou:

– Vais nos falar sobre o quê?

– A vida – respondi-lhe.

– Ótimo – retrucou ele –, amo a vida!

Um aluno, o Pedro, antes que eu começasse a falar, executou ao violino a belíssima “Jesus, alegria dos homens”, de Johann Sebastian Bach. Liguei o computador e, com a inestimável participação do estudante Marcos (aluno do Santo Agostinho, mas filho da professora Klaudiane, do Lyceu) fiz rodar o PPT que ilustrou minha fala. Tratei de cidadania: família, vizinhos, a rua, a escola, a amizade, o amor e o respeito ao próximo, o nosso compromisso com o passado e o presente – o valor da pessoa, enfim).

Saí de lá com uma sensação de leveza por ter falado; uma espécie de alegria por pensar que ajudei. Mas ao entrar no carro senti o que de fato acontecera comigo… É que me vi entre estudantes interessados e belos (Ziraldo diz que, hoje, ninguém é feio nessa idade; concordo com ele). Conversamos ao final, li poemas, trocamos ideias e distribuí alguns livrinhos meus.

E descobri que quem de fato aprendeu algo fui eu.

* * *

Luiz de Aquino é escritor e jornalista.

terça-feira, 8 de março de 2011

O dia Internacional da mulher, mudou alguma coisa?

A lei existe, mas ainda há muita desinformação  sobre os direitos dessas mulheres. 


Como podem maltratar as mulheres?                                                                       
Elas párem, nos dão a vida, nos alimentam e, em suas naturezas, trazem a marca da proteção, da tolerância e do amor, que distribuem generosamente a quem amam, como podem?

Comportamentos desjustados em relação à mulher  tem um ranço das sociedades medievais, ela não tinha garantia religiosa e civil, era considerada incapaz de tomar qualquer decisão na política ou na sociedade em que vivia. Tinha que dedicar-se pra casa, criar filhos e orar. E o adultério era resolvido com a pena capital. Isso vê-se, ainda hoje,  em sociedades atrasadas, que tratam-na como incapaz e a escraviza, até  com torturas físicas e, adultérios,  com apedrejamento. Como pode, em pleno século XXI, isso ainda estar acontecendo?

Graças a Deus, aqui no Brasil,  em 07 de agosto de 2006 criaram a lei Maria da Penha,  que combate e pune agressores. Será que passados quase 5 anos, houve alguma mudança? 
Li algumas reportagens  antigas sobre o assunto (não é mais notícia?), mas o que tenho visto por aí, apesar de alguns avanços, são mulheres submetidas por seus "donos",  a estupros, surradas e mortas. Os agressores? Maridos, namorados, amantes, familiares e pasmem, até pais e irmãos! Pessoas, que não honram ser chamadas de seres humanos. 

A lei existe, mas ainda há muita desinformação sobre os direitos dessas mulheres. A crueldade e o preconceito ainda fazem parte de seus cotidianos, são vítimas de processos psicológicos, sexuais, patrimoniais, morais, e convivem com  o medo e a desesperança, deixando-se levar a cabresto, pela vida afora. 
 
Ontem ouvi um comentário na televisão de uma mulher indignada, que repudiava o "em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher",  claro que concordo plenamente com ela, não podemos silenciar, é preciso denunciar, esclarecer e divulgar mais,   o que a Lei Maria da Penha traz de benefícios para nossas mulheres e que pode fazer a diferença, devolver-lhes a dignidade perdida, e está aí pra ser cumprida.

Não dá pra fazer de conta, que não é comigo, não posso calar, é um  grito de solidariedade em favor de quem sofre uma das maiores injustiças que conheço de nosso tempo. Sem contar,  que me dói ver, meninas prostitutas espalhadas pelas esquinas, pequenas mulheres, mas que já vivenciam a torpeza do ser humano, ai que sociedade é essa que vivemos? 

To muito pessimista? Não. Com certeza, por outro lado, a mulher de hoje, está vivendo um bom momento, competindo quase de igual pra igual, no mercado de trabalho, muitas são independentes, chefes de família, bem comum atualmente, está curando-se da síndrome de cinderela, a que procura um príncipe encantado para viver e,  plena e respeitada vivencia todos os direitos dos homens. Temos até mulher Presidenta   da República! São grandes sinais que a coisa está mudando. Que mude! Que o brilho dessas mudanças apague de vez essa página de mulheres-vítimas de nossa história, que  cure esse vírus maldito da violência encrustrado nesses seres humanos.

Mulheres vocês tem saída!
- Não tenham dó ou  medo, acreditem na Lei, façam esforços, os agressores podem ser impedidos, até  de chegar perto e a reincidência é punida com  rigor, não caiam nessa,  que eles vão mudar, "não deixem pra amanhã, o que podem fazer hoje".Não deixem que isso vire vício. 

Deixo um poema pra vocês.

Ela
Soninha Porto

Lutadora.

Enfrenta o mundo
o desconhecido
sempre mãos estendidas

olho atento
coração aberto
força e coragem
muita imaginação

lança sementes
fertiliza vales 
colhe a lavra 
farta ou não

carrega a rosa única
rasgos de amor e dor
no ventre-imensidão.

Sofre
chora

dá pra ouvir seus ecos
é preciso prosseguir
mesmo em vão.

Inspiradora.

O que mais se quer
pra tudo ficar perfeito
é o sorriso desta mulher.

Soninha Porto

Um sábado de carnaval :: GOSTO DE LER ::

Um sábado de carnaval :: GOSTO DE LER ::

domingo, 6 de março de 2011

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

CLARICE, QUEM TE DISSE?
                                                        Regina Makarem

Você de repente não estranha de ser você?
- Clarice Lispector

        
         Para além da leitura, a pergunta de Clarice é soprada no meu rosto, janela aberta de chofre, a ventaria de cada palavra vai penetrando até o desconforto dos lençóis amarfanhados e, mais adiante, da louça empilhada suja na pia de torneira que pinga, que pinga e espera... seria preciso que se passasse muito, todo o tempo do mundo doméstico pra que esses pingos inundassem a pia e limpassem tudo, derramando-se pelos meus olhos secos que nunca choram...
         O vento de cada palavra esparge a poeira das minhas capas-personas tão usadas, e o sol mansinho desta manhã que não raia em mim, pinta e ilumina o pó que era apenas mofo de sepultura, aberta e vazia, à espera... e rodopiam as palavras claras e zombeteiras. Palavras exatas. Clarice, quem te disse de mim?... das vidas passadas compondo vestes sobrepostas, caprichosa pintura e brilho falso, até não alcançar mais a pequenina essência que um dia se nomeou “Regina”.
         Quantas vezes percebi, às ocultas de mim, que não estava ali onde me exibia, a falar coisas em que nem pensara, a surpreender-me: eu? O choque. Um susto.Poucas vezes me diverti, embora ridícula em ser sem ali estar, num inútil exercício de humanidade. Ninguém se importa com a bondade que se machuca para não ferir. Quem saberia da dor por trás do sorriso de batom?...
Como foi que Clarice descobriu antes que eu fosse Eu? Com que olhos entrou pelo sumidouro da fechadura e fez esse rombo no chão que julguei pisar?... “O chão que ela pisa” não será o mesmo chão, que os pés já reconhecem o caminho seguro para ir a nenhum lugar, e tocam, sem hoje nem jamais, o esplendoroso espaço do Não Ser. Porque ser muitas é o resumo da minha almejada verdade: sou ninguém.
É a glória e reconhecimento. Prêmio. Posso me desvencilhar de todas que desejei vir a ser, em tantas falhas do viver. Não preciso mais. Não sou. Não quero. Calo-me. Despojo-me de meus restos para regurgitar os pedacinhos e desbabujo-me. Oca e nova.
Clarice concedeu-me uma licença de mim para, quem sabe, num dia que me amanheça, olhar no espelho quebrado e reconstituir as mil faces de um ser tão verdadeiro que cause em si mesmo o espanto de existir.
Em 03.01.2006

domingo, 12 de dezembro de 2010

O Fio de Seda


O que seria um pontinho branco num livro negro?
Talvez um desvio de conduta

O que seria um pontinho negro num livro branco?
O ponto final da escrita

O que seria um ponto final para quem gosta da escrita?
Seria uma frase:
É fim; porém não acabou ainda.

Sonhei com o Stev numa noite destas; agradeci a ele pela preservação das árvores, mas fiz uma ressalva aos tablets; que ele nos inventasse uns óculos que lê-se diretamente nas lentes. E o Stev me recomendou um oculista.

Caso ele aceitasse, trocaria as fontes dos livros por belas imagens, que substituiriam automaticamente qualquer imagem desagradável que tentasse chegar aos meus queridos olhinhos...

Em caso de chuva, raios inconsequentes e simultâneos, para fotografar tão belo episodio.
Em caso de exasperações sociais, fotos e mais fotos de muitas crianças sorrindo.

Em momentos de guerras e crises, imagens da terra vista dos céus de um negro universo, como um ponto branco manchado de azul, de onde não se enxergam as fronteiras, não se distinguem as línguas e os pontos e as virgulas ilusionistas de qualquer texto.

Caso ele aceitasse, e a invenção fizesse sucesso, pediria então uma nova versão:
O sintetizador de ouvidos:
Ao pronúncio de qualquer impropério, ouviria somente:

...

-Cale-se; Toca Mozart ao fundo...


domingo, 5 de dezembro de 2010

TRANSFORMAÇÕES

TRANSFOMAÇÕES

Dezembro chegou avassalador. As limpezas viram de ponta cabeça as residências. Reformas são iniciadas em caráter emergencial. Pocotes de tralhas vão para o lixo dando espaço as novas decoração natalinas e aos utencilios mais sofisticados. Carros novos são adquiridos, parece que há uma urgência em transformar a vida e valores espirituais confundem-se com os materiais. Não querido leitor, não estou fazendo julgamentos, apenas relatando o que vejo, bastante óbvio ? Nem tanto, somos demasiadamente influenciáveis; pelo sol, pela nova estação e pelo apelo da mídia.

Toda transformação é excelente, ainda mais quando vem embutida nesta e naquela a consciência do que se está a fazer.

Dezembro é tempo de correrias, de férias à vista, de colocar tudo em dia, tudo que se postergou durante os meses que o antecedem.

Dezembro é final de ciclo no calendário gregoriano. Já acho que um pouco de outros calendários poderiam guiar-nos para que o estresse, a depressão, ou seja a ansiedade generalizada não papasse nossa saúde e mandasse para o ralo junto com as tralhas, nossa tranqüilidade outonal, que parece um pouco zen até.



Desejo que gotas de tranqüilidade permanecessem ao pé das árvores natalinas para lembrar-nos que existe dentro de cada um de nós um self, uma centelha luminosa que permanece intacta e que o verdadeiro cristão cultiva sua fé, devoção e solidariedade todos os 365 dias do ano e, que presentear, limpar, reciclar, reformar, a si mesmo sobretudo, é tarefa a ser realizada diariamente e, caridade, compras fazem parte da rotina de quem está com os pés plantados no chão e o olhar no infinito.

Portanto não aflijam-se meus caros leitores, aqui também há decoração natalina, planos de final de ano e um montanha de abraços a serem distribuídos juntamente com cestinhas aos mais necessitados que aguardam a época mais enfeitada do ano e a de maior fartura nas mesas dos privilegiados. Transformemo-nos pois, em um braço amigo para que haja menos fome, solidão e ansiedade,afinal nossa sociedade é surreal...

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Virgínia Fulber, exerce a profissão de Terapeuta utilizando das filosofias de Nietzsche e Spinoza . Possui Formação Internacional de Yoga Taoísta , corporal e esotérica. Cursou, Psicologia a partir da Filosofia e Antropologia.

Ama jardinagem, música e o Oceano, não necessariamente nesta ordem.

Reside em de Novo Hamburgo, RS, local onde nasceu a mais de cinquenta anos .

Escritora e Poeta amadora, assina como virgínia além mar suas obras.

É Colunista e Colaboradora do Portal VMD a uma década e coordenadora do Canal de Filosofia do Espaço Ecos, deste mesmo Portal.

Membro dos Poetas Del Mundo, da AVSPE-Academia Virtual Sala Poetas e Escritores e da AVBL- Academia Virtual Brasileira de Letras.

Publica no Recanto das Letras (mais de 300 textos (10695 leituras)


Participações em : ANTOLOGIA Poetas do Café Vol l- 2006 Congresso Brasileiro de Poesia, Bento Gonçalves RS. LIVRO ECO ECO-AR AR-TE PARA O REENCANTAMENTO DO MUNDO- (Org.) Michèle Sato Ed. UFSSCar, 2007. (prelo), Antologia Poetas Pela Paz e Justiça Social - Ed. Alcance na 53-Feira do Livro em Porto Alegre-RS. Antologia Prosa e Verso A.G.U.I.A. 2009 Editora das Hortências RS e na Antologia Internacional POEGRAPHIA- Projeto Cultural ABRALIa ser lançada neste ano de 2010.

Possui três obras individuais em formato EBooks ; Apologias de um Viajante, Parolas ao Sol e Lento Retrato pela AVBL. Escritora Imortal pela Academia de Letras do Brasil-RS- indicação da Imortal Vânia Moreira Diniz- Presidente da ALB de Brasília DF. Sendo que não tomou posse por motivos de saúde.