
sábado, 10 de outubro de 2009
De pessoas e guarda-chuvas

quinta-feira, 8 de outubro de 2009
A Partida
‘Departures’ ou ‘A Partida’ – título em português – é um filme belo, sensível, e também muito interessante por se tratar da milenar cultura japonesa em lidar com a morte. A peculiar tradição de um país que ao entrar em choques existenciais contemporâneos, leva-nos a refletir sobre uma questão que, para nós ocidentais, é por demais esmagadora: o medo da morte.terça-feira, 6 de outubro de 2009

Pirenópolis, Meia-Ponte, outra vez...
Luiz de Aquino
Dia de recapitular a vida, ou, pelo menos, parte dela…
Para a publicação de hoje, escrevo ontem, é claro! Quero dizer que hoje é quarta-feira, dia 7 de outubro, data em que Pirenópolis foi fundada, em 1727. Então, ontem é o hoje da minha escrita, dia 6 de outubro de 2009, dia em que festejo 31 anos...
Calma, Leda(ê) Selma! Eu, pessoa, tenho 64 anos, desde aquelas vésperas de Primavera, em Caldas Novas, manhã de sábado “et cetera”, como já escrevi em várias versões. Meu aniversário de 31 anos não é virginiano, mas libriano. Foi no 6 de outubro, em 1978, que estreei em livro. Meu “primogênito”, que se chamou “O Cerco e Outros Casos”, veio a lume com revisão, prefácio e discurso inflamado e belíssimo na noite de autógrafos pelo talento do saudoso Professor Gomes Filho.
Quando escrevo aqui Professor em inicial maiúscula, faço-o em louvor a três dispositivos: o primeiro deles, porque a missão do professor reveste-se de um sacerdócio sagrado, daí o meu sentimento de sacralidade ante o termo; o segundo, em respeito ao que dispõe o acordo que tenta unificar a grafia nos países lusófonos, permitindo-nos enaltecer em maiúsculas algumas profissões e ofícios. Por fim, refiro-me a Gomes Filho, o Joaquim, em quem a palavra Professor entrou em lugar do prenome, com justiça e carinho.
Hoje, feriado e festa na vetusta Meia-Ponte do Rosário; ontem, dia 6, momento da minha escrita. E ao escrever, cumpro duplamente o silêncio destes minutos, com o segundo plano funcionando feito auto-homenagem. Se às pessoas comuns isso nada significa, os escribas me compreendem. Os leitores aficionados, estes entendem-me mais nitidamente. Sabem bem que parir um livro dói. É dor de concepção e gestação, alegria, emoção, surpresa, expectativa, encontro. Encontro do ego com o mundo externo. Um parto, mesmo. E quem são os pais e mães que se furtam de festejar os aniversários dos filhos?
Festejar “O Cerco” (que teve segunda edição em 2003, com o nome assim reduzido, para festejar o Jubileu de Prata) é festejar o desvirginamento. Não a quebra de um metafórico hímen, de fora para dentro, mas o rasgar da trava de dentro para fora. É uma imagem legítima, essa: o autor tira de dentro de si para expor ao mundo possível.

Em 1978, tive o amparo do prefeito Altamir Mendonça, que patrocinou parte do meu tímido livro de estreia; agora, tenho o apoio decisivo de Nivaldo Melo e Eli de Sá, prefeito e presidente da Câmara de Pirenópolis. Decisivo, também, foi a atuação do meu primo Luiz Antônio Godinho, eterno apaixonado por coisas de cultura (principalmente quando se trata de Pirenópolis) e do secretário de Cultura, Gedson de Oliveira.
A estes, o meu abraço de gratidão e a minha homenagem simples nestas linhas. Nossa terra, Pirenópolis, merece nosso empenho e nosso sacrifício. Na última segunda-feira, visitei o Centro de Dcomentação (CEDOC) do jornal “O Popular”, onde localizei alguns dos meus primeiros escritos. Lá, encontrei uma crônica louvando meu reencontro com meu pai, o “Véi Raé”, após cinco anos de ausência minha (esse reencontro, na véspera do Natal dos meus 15 anos). Achei também alguns contos meus e, particularmente, um dos meus primeiros textos sobre Pirenópolis: “Tem maromba, ronqueira e banda-de-couro”. Era agosto de 1974.
E foi também entre os colegas de “O Popular” que pincei o Jorge Braga para ilustrar “O Cerco”. Assim, e sem querer, meu livro debutante marcou outros estreantes. Foi o primeiro livro ilustrado por Jorge Braga. E na próxima sexta-feira, depois de amanhã, dia 9 de outubro, o cartunista mais festejado de Goiás receberá, junto comigo, o título de Cidadão Pirenopolino.
Mais um brinde, velho Jorge!
Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail.com) é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.
sábado, 3 de outubro de 2009
Livro, palavra que dá medo
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
O TEMPO
A gente tenta que durem pra sempre, mas quando se percebe passaram. Já era!
E vamos vivendo, muitas vezes do passado, amontoando na alma as coisas boas, que deixam aquela sensação de felicidade marcadas na pele, no rosto: o primeiro vestido de noite, todo especial, o primeiro beijo, a primeira transa, o primeiro filho e tantas viagens legais, uma grana insperada, amigos inesquecíveis, a descoberta da primeira poesia.
E aquelas coisas e sentimentos que não queremos nem lembrar, as notas ruins, traições, rejeições, erros, casamentos desfeitos, tristezas, choros, solidão, verbos passados, mas que ficam martelando o presente.
Estão lá nas nossas gavetas da alma, que se abrem sem a gente querer, basta uma breve sensação e pronto! Mostram o que ali está guardado. Essas gavetas são como uma caixa de pandora, dão a tônica do nosso viver, fazem-nos sorrir ou trazem seus lamentos. De minha parte eu tento pular essa parte. Quero viver o meu melhor, dar uma espanada no que foi ruim e trazer o colorido pra meu dia-a-dia do que foi bom.
Tudo por causa do tempo, que provoca esse vai-e-vem, num desenrolar louco e azar o seu se não souber viver, não souber curtir e capturar a beleza dos momentos, vai pro espaço, sem dó.
Mas o tempo, ele ajuda a suavizar as dores, porradas da vida que não tem como não levar: Pais, amigos, conhecidos, que partem pra outros lugares e até para o infinito. Coisas ou pedaços que vamos deixando pelo caminho, perdas, derrotas, que batem duro, e quando, sem querer, lembramos, mesmo voltando a vivê-los, são mais amenos. São do ontem.
O que me dá a sensação de estar vivendo um bom tempo é a Poesia. Nela posso viajar nos meus mundos internos usando uma lente que amplia o que vivi, e neste momento único, só meu, é quando passo a peneira e deixo de lado o que não incomoda e às vezes cutuco a dor. Assim, quando o poema se forma e as letras caem na tela do computador, deixo ali um pouco de mim, tento arrancar o que sangra nas fibras e veios do meu eu e vou virando e revirando as páginas das tristezas, ânsias e mistérios construídos com o tempo. A poesia me permite um olhar melhor sobre o caminho a seguir, dá uma certa paz ao meu presente, tornando a minha carga bem mais leve. Com o tempo a meu favor, que aliás desde que comecei a escrever, sinto que cada verso cura um pouco mais o meu espírito, que foi forjado nas garras do tempo. Sorrio mais, compreendo mais e sei exatamente o que me faz feliz, não perco tempo com bobagens. O mundo está acelerado demais pra isso, com as coisas legais que temos a nosso dispor, como os recursos tecológicos atuais impensáveis até 20 e 30 anos atrás, temos que nos apressar também, deixar pra trás o que não tem mais jeito e ser mais feliz hoje, aproveitando o tempo da melhor maneira possível. Ele passa, então deixemos rastros e pedaços de coisas boas. Eu tenho uma sugestão: faça Poesia!
domingo, 27 de setembro de 2009
HAIBUN

HAIBUN
Chris Herrmann
Dia quente e chuvoso. Hilden amanhece sem suas borboletas.
Será que voaram para a vizinha Dusseldorf?
Não foram para longe.
Devem estar sob um teto aconchegante.
Descansam suas asas sem se molhar.
Não podem perder os tons de primavera.
Gotinhas de chuva
no jardim das borboletas.
Elas voltam já.
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O que é um "Haibun"?
O haibun é um texto curto em prosa, seguido por um ou mais haicai. A prosa que antecede o haicai geralmente se refere a uma experiência vivida pelo escritor. Alguns autores de haibun preferem escrever a prosa de forma simples e direta, ou ainda compacta, curta ou telegráfica, omitindo verbos, pronomes e outros elementos gramaticais (Reichhold, 2002). O objetivo do haicai que acompanha a prosa é dar uma nova dimensão, provocar uma mudança de cena, voz ou tempo, tal como as duas partes de uma tanka. Um haibun também inclui um título e deve ser escrito no tempo presente. Ainda de acordo com a definição da Haiku Society of America, além de brevidade, um haibun pode conter até 300 palavras e haicais entremeados. [Fonte: sumauma.net]
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sábado, 26 de setembro de 2009
Manhã de bom encontro
Manhã de bom encontro
Luiz de Aquino
Nestes tempos em que as praças perderam o encanto, por razão de segurança das pessoas e de descaso das autoridades, a gente se refugia em xópins e, não raro, supermercados. O motivo não é só comprar algo ou ver vitrinas, mas ver gente. Melhor ainda, encontrar pessoas, ver amigos. Muita gente opta por isso, e se observarmos bem, veremos que ir a supermercados pode ser hábito relativamente novo, mas o cafezinho é um costume antigo do brasileiro, remonta aos tempos em que o Vale do Paraíba do Sul consolidou-se com as fazendas da rubiácea.

O cafezinho é da nossa práxis. Como o chá dos ingleses. Só que muito menos formal. O cafezinho a gente toma de pé, encostado no balcão, ou faz dele um adorno para o hábito da leitura de jornal; este, um hábito em desuso por conta da tevê e da Internet.
Supermercado tem algo de íntimo. É onde compramos nossos alimentos e o suprimento da higiene da casa e de nós pessoas. Houve um tempo, passado de poucas décadas, em que se tinha vergonha de comprar coisas como papel higiênico e absorventes femininos. Não mais, não mais (ótimo!). Supermercado, mais que corredores de galeria comercial, é excelente ponto de paquera. Um amigo meu conta que invade a privacidade das mulheres, em especial as mulheres sozinhas, observando-as nas compras. Descobre-lhes o gosto alimentar e adivinha-lhes os períodos menstruais, informa-se de suas preferências quanto a sabonetes e outros cosméticos e consegue, pelo volume de compras, saber se a moça observada mora só, se tem namorado, se divide o apartamento com alguma colega.
Na última sexta-feira, demorei-me por quase uma hora, entre as sete e as oito horas matutinas, numa loja dessas. Tomei meu café da manhã, avaliei falhas de atendimento, consultei preços, analisei, conferi a qualidade dos vegetais (sinto que dão melhor atenção às verduras e aos legumes do que às frutas) e indignei-me com os preços dos queijos.
Já pensava em sair quando me deparei com Yara Moreyra, professora e musicista, pesquisadora incansável. O sorriso dela me leva a viajar no tempo e sua voz de bom-dia, seguida de um abraço carinhoso, desperta a minha saudade: Yara estreou, na Prefeitura de Goiânia, a função de secretário de Cultura. Gostei muito de auxiliá-la, escrevendo notícias sobre os feitos em torno da política cultural da cidade.
Foi ela quem promoveu um inesquecível Salão de Humor. E foi ela quem realizou um concurso de quadrilhas de sanjoão e, com isso, tornou-se público que, naquele distante ano de 1980, ou 81, havia nada menos que seiscentos grupos organizados de quadrilha junina (é preciso qualificar, pois, hoje, quando se fala em quadrilha e organização, vem-nos à mente o tal de crime organizado; não era o caso).
Resumindo, conto-lhes que falamos de música, de pesquisa, de arquitetura e restauro, de arquivos e História. E falamos de pessoas, com ênfase para seu irmão, o também professor (historiador) Paulo Sérgio Moreyra, hoje morador feliz de um bonito casarão centenário em Hidrolândia.
A manhã caminha no tempo. Pessoas passam, rostos estranhos. Sorrimo-nos, um para o outro. Somos jovens daquele tempo de Goiânia mais feliz. Despedimo-nos com outro abraço e a promessa de reencontros (a Internet facilita).
Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail.com) é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras, e escreve aos domingos neste espaço.










