sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Livre associação; das efemeridades



Perdoem-me amigos, estou de partida, despeço-me da ausência escondida, uma pérola perdeu a cor, outrora comovida. Das areias quentes tenho saudade e só por isto movo-me em sofreguidão.
Haverá de se fazer uma estrela antiga renascer, por mais que se sinta que ela ainda vibra e, com sua luz embutida constrói-se sonhos nas noites de rede e folclórica ilusão. Creio que não renascerá mesma chama. Estamos em despedidas, dói um pouco saber que o que fomos se foi para sempre e que as sementes das chamas dormitam em lama. Hoje mais que antes sabemos da impermanência e do quanto a paisagem se transforma e, nosso rosto pede o sorriso do encanto que se foi.
Morremos a cada página escrita, a cada olá já em despedida .
Perdoem meus amigos assim como chego já parto. Também vos perdôo por viverem a efêmera sua, também vida. Que o encanto que ficou no retrato seja resguardado da dor que houve e não pode ser aliviada. Que o esplendor reine sobre desassossegos e nos abra aos momentos que ainda virão galopando miragens. Anseio ainda , dizer-vos que tal qual membrana híbrida fortaleço-me em cada despedida e, assim espero que façam e ousem adentrar a monotonia com tamanha fibra, para que sobre nós alguma sentença seja proferida; houve perseverança, lutaram e deixaram-se transformar !
virgínia fulber- RS- Brasil é terapeuta e além mar Poeta del Mundo e membro da AVBL, coordena o Canal de Filosofia do Espaço Ecos Portal VMD- vicamf@yahoo.com.br

“Meu nome é Mulher” tem autora, sim!

Fátima Aparecida Santos de Sousa, policial militar e poetisa

“Meu nome é Mulher” tem autora, sim!


Luiz de Aquino


O título é simples, mas decidido, decisivo e definitivo: “Meu nome é mulher”. Circula pela internet há tempos, e quase sempre (diria que, na quase totalidade das vezes), é citado como de “autoria desconhecida”. Assim me chegou na primeira vez, e não gastei mais que um ou dois minutos para localizar o nome da poetisa, uma policial militar paulista: Fátima Aparecida Santos de Sousa.

Por que conto isso? Porque incomoda-me isso de se divulgar textos sem citar a autoria. As emissoras de rádio, há algumas décadas, começaram a ignorar os autores de músicas, permitindo que o público acreditasse que o cantor era dono e senhor das melodias e letras. O descaramento foi tamanho que alguns cantores passaram a acreditar que eram, sim, autores, e alguns foram punidos pela Justiça a ressarcir os verdadeiros autores.

É que, especialmente no meio musical, houve um tempo em que era normal o autor vender direitos autorais a cantores famosos. A literatura dá conta disso muito bem: a biografia de Noel Rosa por Paulo Didier e João Dias deixa claro que o Poeta da Vila é o verdadeiro criador de Cidade Maravilhosa, mas vendeu a música a André Gustavo (esse é apenas um fato, entre centenas ou milhares). E tenho conhecimento de inúmeros autores, daqui mesmo da terrinha, que assinaram obras literárias criadas por outros. Consta que, em terras de Minas, alguém que assinava obras de um irmão tornou-se famoso sem jamais ter escrito os livros que levam seu nome. E de Goiás, dou-me conta de pelo menos duas autoras que publicaram obras escritas por terceiros; uma delas sequer se dá ao trabalho de transcrever as histórias para o seu estilo (que, acho eu, não é lá grande coisa).



Volto a “Meu nome é Mulher” e transcrevo o poema inteiro:

“No princípio eu era Eva / Nascida para a felicidade de Adão / E meu paraíso tornou-se trevas / Porque ousei libertação!

Mais tarde fui Maria / Meu pecado remiria / Dando à luz Aquele / Que traria a salvação! / Mas isso não bastaria / Para eu encontrar perdão!

Passei a ser Amélia / “A mulher de verdade” / Para a sociedade!

Não tinha a menor vaidade / Mas sonhava com igualdade!

Muito tempo depois decidi: / “Não dá mais! / Quero minha dignidade, / Tenho meus ideais!” / Mas o preconceito atroz / Meus 129 nomes queimou

Então o mundo acordou / Diante da chama lilás!

Hoje não sou só esposa ou filha; / Sou pai, mãe, arrimo de família; / Sou ourives, taxista, piloto de avião, / Policial feminina, operária em construção! / Ao mundo peço licença / Para atuar onde quiser! / Meu sobrenome é Competência / O meu nome é Mulher!”.

A poetisa, portanto, é (Pérola Neggra, com G dobrado) Fátima Aparecida Santos de Sousa, policial militar em Mauá, SP, e registra seus textos na Biblioteca Nacional. Portanto, que se interrompa a “corrente” que dá o poema como de autora desconhecida. O e-mail da autora é fatimaperolaneggra@hotmail.com e seu telefone, (011) 9409-0630.

Como se vê, a moça existe, é talentosa, competente e bonita.




Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras.

domingo, 9 de agosto de 2009

Olhos de Gude

Tardes de céu muito azul, dias de inverno na minha cidade. Durante um café na Livraria e enquanto conversava com uma amiga, apareceu de súbito - por um instante quase surreal - aquela criaturinha:
-Compra bala na minha mão, moça!
O que mais me emocionou não foi somente o fato de mais uma menina de rua estar ali, circulando entre os clientes, vendendo balas baratas para sobreviver. Foi também a beleza angelical de no máximo sete anos de idade, corpinho moreno e franzino, cabelos cacheados e olhos bem escuros, redondinhos, que mais pareciam duas bolinhas de gude. Não fosse pelos humildes trajes, eu diria que ali, bem na minha frente, estava uma das meninas retratadas pelo artista Renoir. Refreando o instinto maternal que ditava a minha vontade de puxá-la para o colo e fazer-lhe muito carinho, fiz a malfadada pergunta:
- Por onde anda sua mãe?
O que estava por trás da minha pergunta não era tão somente a vontade de saber por onde andava a mãe biológica, a madrasta talvez, que jogava no desamparo sua prenda mais linda, uma miniatura de anjo de pés descalços e mãozinhas em flor a mendigar por uns trocados. Sem pensar em razões ideológicas, eu me perguntava também pela mãe pátria e por seus filhos: os filhos da rua, os filhos do medo, filhos da fome e do sofrimento. Milhares que estão por todos os lugares, debaixo de marquises e pontes, dependurados em ônibus e a dizer mentiras, pois são mentiras o que a mãe lhes ensina mesmo antes de compreenderem o que é o mal. O único calor que conhecem é o que vem do asfalto. Acolhe-os a marquise dos grandes edifícios num grande abraço de frio concreto. Meninos de rua que não têm vida de criança, precoces soldados que roubam pra guerra da sobrevivência.
E de que adianta praguejar contra uma realidade que admitindo ou não sou prescrita seguidora? Fico no meu canto encolhida, no peito a raiva e o desgosto, outra vez o desespero e o desânimo, mas quem sabe ainda acreditando num país que um dia poderá renascer da esperança. E não faço nada, a não ser chorar um pouco, ao me despedir da menina de 'olhos de gude' que ao ser indagada de sua mãe, fugiu feito foguete numa curva lá diante.

Maria Lucia de Almeida

sábado, 8 de agosto de 2009

Instantes, entre palavras e silêncios


...Talvez como em nenhuma outra época, será necessário que invoquemos e exerçamos as potências do pensamento - a arte, a filosofia, a ciência - para que possamos, como queria o filósofo Friedrich Nietzsche, ser uma ponte entre o primata e o além-do-homem.Luiz A. Oliveira*

A verdadeira amizade é a energia que potencializa a vitalidade dos que persistem e realizam seus sonhos, parafreseando o filósofo Aristóteles - o homem feliz precisa de amigos- acrescento, precisa de amigos que estejam dispostos ao dialogo e se fazem presentes.

Quando em terra estou mar, quando em águas aprofundo-me, sou peixe e lama, das profundezas d´oceano, alço-me ao céu, alada ardo em chamas, retorno em cinzas, pedra pó...Por amizade retorno outra vez ao mar e, os devires levam-me além mar...
Aos desalinhos fundamentais da cortina das galáxias encontro amparo, quando uma ferrenha estupidez quer ocupar meu espaço particular. Vencer o fascistazinho que nos habita é crucial, este quer determinar o indeterminável, nomear o inominável, organizar definitivamente o indefinível, múltiplo em ebulição, agarrar e domesticar o vento e os sentimentos e, mais insano que a loucura quando em êxtase, que proclama verdades advindas de outras paixões.

Sou tantas e sei também és e, se leio e compreendo o Poema Zen- As palavras não fazem o homem compreender, é preciso fazer-se homem para entender as palavras – vôo além para estar aquém e reencontrar a poção humana que me coloca em harmonia entre demandas e orgias.

Creio na amizade à vida, sobretudo, esta que pulsa no corpo, que encontro sinuoso e despido, pois assim o vejo; inocente a balbuciar afetos em bolhas de saliva virgem.

Entre as loucuras escolho a que vocifera e, sabe guardar, ainda um caldo de silêncio comovido.

*físico Cosmólogo CNPQ
virgínia fulber é terapeuta e além mar Poeta del Mundo e membro da AVBL, coordena o canal de filosofia do Espaço Ecos Portal VMD

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O NADA IMPENETRÁVEL

“O amor é um demônio poderoso”. Essa frase, tirada do Banquete, de Platão, pode ter inspirado o título de um dos livros de Garcia Márquez, “Do amor e outros demônios”. Diz mais sobre o amor do que muitos tratados. Diz sobre a natureza divina do amor que nos ensina o intenso, nos insufla vida e nos faz querer a eternidade. Quando amamos, inventamos filigranas para dar conforto ao amor. O corpo tem o gosto de amor, a alma tem o cheiro do amor. Ficamos impregnados de amor. Qualquer tarefa, a mais insignificante, tem vibração, quer ser compartilhada. Nós nos consagramos com prazer a esse doce desequilíbrio, essa embriaguez de fogo. Se é fogo, purifica.
Mas amar, amar de verdade, é amar bem. E não se pode amar bem quando se ama sozinho. Amar com amor não correspondido é amar mal. Carol Gilligan, no livro O Nascimento do Prazer, fala desse amor quebrado: “amar significa conhecer, significa abrir os portões. O amor não correspondido não faz sentido porque não existe ligação com a outra pessoa. Como o amor pode ser amor e deixar o outro indiferente?
Pois é. O amor não correspondido é feito de aridez, de infertilidade, só produz o isolamento irremediável. Peca contra o instinto humano mais básico: o instinto gregário. Gera apenas a ruptura com o real. Por maior que seja, não se consegue entendê-lo, e, aliás, quanto maior, mais incompreensível. A incompreensão conduz à perda de sentido, porque “a compreensão é criadora de sentido.”(Celso Lafer)
Criador e criativo é o amor correspondido, que nos torna submersos no querer, na vontade, não de se completar no outro, mas de completar-se para o outro. O amor não correspondido leva o amante ao nada. É um amor sem aderência, que resvala, que faz ricochete no impenetrável. O amante não distingue Eros de Tânatos. Nem menosprezo de idealização. Parece um pouco com Narciso, abandonado ao fantasma si mesmo.
Na verdade, há uma grande confusão de sentidos. As palavras ficam inservíveis, porque quando partem do amante, em seu exílio não encontram pouso, não encontram asilo. Palavras sem rumo, banidas.
Enquanto no amor correspondido, a intensidade é desejada, no amor não correspondido, há uma recusa de toda intensidade. Ela se esgarça. Enquanto o amor correspondido liberta o nosso ser mais puro, o amor não correspondido nos empareda. O amor não correspondido é um muro erguido por nós mesmos, uma vedação. Como a parede do poema de Octavio Paz, erguida durante metade da vida entre a luz e o ser, que deverá removê-la na outra metade da vida. É um amor errado na raiz. Quem ama errado pode passar o resto da vida desamando. Enquanto o amor correspondido nos aumenta a auto-estima, o amor não correspondido dissolve em nós o respeito pelo que somos e o nosso amor-próprio.
Amar é bom, mas é melhor saber amar bem. Amar mal é não amar. É não saber amar. É correr o risco de ficar a vida toda cantarolando velhas cantigas de infância: “vou lavar a cabeça até tirar esse homem do meu cabelo”.

Carmem Vasconcelos

(Contribuição enviada por email)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Espírito que “incita” senadores


Espírito que “incita” senadores


Luiz de Aquino



O Senado é um paraíso! A frase é tão corriqueira, entre políticos e jornalistas da área, quando uma locução de cumprimento. Afinal, são oito anos de mandato com direito a uma equipe de apoio de fazer inveja a qualquer artista em evidência no “xoubiz”. Se alguém duvidava, as denúncias contra José Sarney, imperador do Maranhão, Amapá e Alhures, com trono em Brasília, dão-nos conhecimentos além do que era apenas sonhado.

O bate-boca de segunda-feira, 3 de agosto, começado por Renan Calheiros, o garanhão das Alagoas, envolveu também Fernando I, o Collor, igualmente das Alagoas. Pedro Simon, que a opinião pública nacional tem na conta de uma das duas (no máximo) reservas morais do PMDB naquela Casa, sugeria a renúncia de José Sarney e Collor não gostou de ouvir o gaúcho referir-se ao caráter suspeito (?) de Renan. O ex-presidente, pioneiro mundial em impeachment, revestiu-se da velha petulância e protegeu Renan, que o abandonou na véspera da votação que tirou o “caçador de marajás” dos palácios da Presidência.

Ah, que bobagem! A nação viu, na tevê, toda aquela baixaria. Gostei particularmente de dois momentos: primeiro, da indiferença solene e superior de Simon diante da bravata de Collor ao ameaçar contar à nação fatos que comprometeriam a biografia de Pedro, o gaúcho ético. “Pois diga, senador”, solicitou Simon. A fanfarronada de Fernando I não atingiu a majestade do velho peemedebista. E o segundo momento foi o apoio de Cristóvão Buarque ao colega gaúcho. Buarque, sim, definiu o que se pretende do Senado brasileiro.

A propósito: esse PMDB de Sarney, Renan e da maioria atual não tem muito a ver com o MDB de Ulisses Guimarães, Mário Covas, Teotônio Vilela e outros nomes respeitáveis (em Goiás, o referencial era Íris Rezende Machado, Luiz Soyer, João Natal e outros de saudosa memória). Diria mesmo que nada tem a ver. O PMDB atual, nesse empenho em preservar o “coronel” maranhense que se elege no Amapá, está mais para a Aliança Renovadora Nacional (a famigerada Arena), o partido do “sim, senhor” que era presidido justamente por ele, o atual presidente do Senado.

Senado, Senado! A palavra sugere respeito. Afinal, deveria ser constituído pelos senis, os mais velhos. Daí o limite mínimo de 35 anos... Ora, ora! Se eles próprios cuidaram de empurrar para o futuro o piso de idade para a aposentadoria, porque não esticaram a idade mínima para cinquenta anos, hem? Estranho... Mas é bom lembrar que até mesmo o Senado Romano, já naqueles tempos que se tornaram história e enredo de centenas de filmes, tempos que geraram não apenas fatos, mas também monumentos da arquitetura da época, aquele Senado também tinha suas marcas de escândalos.

Foi na escadaria do Senado que Brutus matou Júlio César. E um dos mais lembrados dentre os senadores romanos jamais opinou sobre qualquer coisa discutida naquela Câmara, nem apresentou projeto algum. Refiro-me, ao senador Incitatus. E para os de memória curta (sem problemas... A gente não se recorda mesmo de cinco nomes dentre os últimos ex-senadores do nosso Estado), transcrevo aqui o que colei da Wikipédia, vejam:

“Incitatus era o nome do cavalopreferido do Imperador Romano Calígula. De acordo com o escritor Suetónio na sua biografia de Calígula, Incitatus tinha cerca de dezoito criados pessoais, era enfeitado com um colar de pedras preciosas e dormia no meio de mantas de cor púrpura (a cor púrpura era destinada somente aos trajes imperiais, ou seja, era um monopólio real). Foi-lhe também dedicada uma estátua em tamanho real de mármore com um pedestal em marfim. Conta a história que Calígula incluiu o nome de Inictatus no rol dos senadores e ponderou a hipótese de fazer delecônsul”.

Ao ouvir Collor vociferando contra Pedro Simon, imaginei cá comigo... Acho que o senador alagoano prefere ignorar Teotônio Vilela como exemplo e reportar-se a Incitatus.



Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail.com) é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.


terça-feira, 4 de agosto de 2009

Calçadas, viaturas e máscaras

Calçadas, viaturas e máscaras


Luiz de Aquino


Existe aí um código de construções, lei específica a cada um dos quase seis mil municípios brasileiros. E a gente imagina que o que essa lei estabelece há que ser respeitado, mormente no que se refere a uma cidade com mais de um milhão de moradores. Ainda mais se tal cidade for capital estadual. Mas, parece-nos, nem mesmo o governo da cidade se lixa para isso.

Exemplifico: há muitos, muitos anos, constatei que dois condomínios na Vila Jaraguá (ali, pertinho do Parque Agropecuário) invadiram duas ruas, sem a menor cerimônia. Como jornalista, procurei diversas vezes a prefeitura, querendo saber para informar, com base em que dispositivo aquilo se deu, se a Prefeitura tinha conhecimento etc. Tinha, sim. Tem. Mas nenhuma resposta me foi dada, nem a mim nem ao cidadão pagador de impostos de qualquer natureza.

Para duplicar a avenida T-63, a prefeitura abaixou muitos centímetros no nível das ruas do setores Pedro Ludovico, Bela Vista e Bueno, também sem a menor cerimônia. E não cuidou de regularizar o nível das calçadas. Gostaria de convidar o prefeito e alguns secretários municipais para passear por esses bairros, a pé...

Como se isso não bastasse, a Polícia Militar resolveu, nos últimos anos, que deve estacionar nas calçadas, como procedimento operacional padrão. Alega que, assim, o cidadão percebe melhor a presença da viatura e dos policiais etc. e tal. Tudo bem, é claro. O cidadão percebe, sim, a presença da PM, até porque é obrigado a transitar na pista dos carros porque o carro da polícia obstrui o passeio. E como é comum policiais militares empregarem-se em empresas privadas de segurança, carros dessas empresas também param como as viaturas policiais, obrigando pedestres a andar na pista de asfalto.

Isso é segurança? E as calçadas em desnível, que obrigam as pessoas a esforços nada saudáveis? Quem me lê com relativa frequência sabe que venho reclamando providências, sem sucesso, desde os tempos em que o prefeito era Nion Albernaz, em seu segundo mandato. Que se dane o trânsito dos pedestres, pois.

Enquanto isso, o noticiário nacional ocupa-se da gripe tipo A. E a gente vê na tevê muita gente usando máscaras, com medo de morrer. Os médicos não vêem eficácia nessas máscaras, dizem que há um abuso desnecessário e tal... Mas as pessoas insistem.

Pergunto: se o medo de morrer é assim tão grande, porque essas pessoas não se protegem de outras formas? O risco de vida com essa gripe nova é da mesma ordem estatística da gripe comum, mas a gente nunca usou máscaras por isso. Morre-se muito, muito mais em acidentes de trânsito, mas as pessoas continuam dirigindo feito loucas, muitos sequer usam o cinto de segurança no banco traseiro, avançam sinais, ultrapassam na faixa contínua ou enchem a cara de álcool ou de drogas e saem matando.

Será que essa gente tem mesmo medo de morrer ou usa máscara só para ser visto na tevê?



Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail).com) é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

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